Reconstrução do Haiti custará até US$ 14 bilhões, afirma BID

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Atualizada às 17h14

A reconstrução do Haiti, devastado por um terremoto no último dia 12 de janeiro, pode custar cerca de 14 bilhões de dólares, estimou nesta terça-feira (16) o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

"O custo para reconstruir casas, escolas, ruas e refazer a infraestrutura no país pode chegar a US$ 14 bilhões", indicou um estudo do BID. O banco fez um balanço preliminar dos prejuízos causados pelo terremoto que matou mais de 200 mil pessoas e deixou a capital Porto Príncipe em escombros.

Se for levado em conta o número de mortes por milhões de habitantes, o terremoto no Haiti foi pior que o tsunami que afetou a Indonésia em 2004. Conforme o estudo do BID, a taxa de mortalidade no país caribenho ficou entre 15 mil e 25 mil por milhão de moradores. Na Indonésia, a taxa ficou em apenas 772, apesar de o total de vítimas ter ficado próximo ao registrado no Haiti.

O tsunami no Oceano Índico matou 226 mil pessoas em 12 países. Somente na Indonésia, o total de mortes chegou a 165,8 mil. No Haiti, o número de mortos está estimado entre 150 mil e 250 mil pessoas. Na última quinta-feira (11), o governo haitiano afirmou que as mortes somavam 230 mil.

De acordo com o levantamento, o desastre no Haiti causou cinco vezes mais mortes em termos proporcionais que o terremoto na Nicarágua em 1972. Considerado o segundo pior desastre natural pelo BID, o tremor de terra na Nicarágua matou 10 mil pessoas, 4.000 a cada milhão de habitantes.

Na comparação com o tamanho da economia local, a tragédia no Haiti também é considerada a pior catástrofe natural dos tempos modernos. Segundo o BID, os prejuízos no Haiti deverão ficar entre 104% e 117% do Produto Interno Bruto (PIB), soma dos bens produzidos no país. O terremoto na Nicarágua ficou em segundo lugar, com 102% do PIB e, na Indonésia, o tsunami custou 2% do PIB.

O estudo foi elaborado pelos economistas Andrew Powell, Eduardo Cavallo e Oscar Becerra. De acordo com o BID, a economia de países atingidos por desastres naturais em grande escala leva décadas para se recuperar dos prejuízos.

Em outro estudo ainda a ser concluído, os autores afirmam que, mesmo com volumes consideráveis de ajuda internacional, o PIB per capita desses países cresceu até 30% menos no décimo anos após o desastre do que o previsto, caso as catástrofes não tivessem ocorrido. Apesar disso, eles ressaltam que as doações são importantes para a recuperação dos países.

“Evidentemente, isso não significa necessariamente que o auxílio não funciona. Talvez o efeito de crescimento negativo tivesse sido ainda pior se não houvesse o auxílio”, informa o BID. “No entanto, esses dados destacam o desafio a ser enfrentado pelo Haiti e pela comunidade internacional que tenta ajudar o país.”

Sarkozy visita o país

O presidente francês Nicolas Sarkozy viaja nesta quarta-feira ao Haiti, onde anunciará uma ajuda financeira "extremamente significativa" para a reconstrução do país, de acordo com informações da agência AFP.

A visita de Sarkozy foi qualificada de "histórica" pelo presidente haitiano René Preval, já que se trata da primeira viagem de um presidente francês à antiga colônia vinculada ao país europeu pela língua e cultura.

Sarkozy permanecerá no Haiti por poucas horas na manhã de quarta-feira já que, segundo fontes da presidência, houve "dificuldades técnicas" de organização. Os presidentes da França e do Haiti sobrevoarão de helicóptero as áreas mais afetadas pelo terremoto, em particular os arredores da capital Porto Príncipe.

Uma das prioridades é ajudar na reconstrução do Estado haitiano, que perdeu no terremoto 40% de seus funcionários e quase todos os edifícios administrativos. "O terremoto é uma oportunidade para reconstruir os prédios, mas também e sobretudo o Estado", disse à AFP um diplomata francês, que lembrou que a ajuda bilateral francesa é de cerca de 30 milhões de euros anuais.

Nesse contexto, a França poderá renunciar à ideia de reconstruir a sede da presidência haitiana no mesmo local, como havia anunciado Preval. "Reconstruí-la da mesma forma, no mesmo lugar, na falha do terremoto, é algo muito caro e complicado. Ainda que se trate de um símbolo, não vamos começar por ali", disse o diplomata.

A França promoverá um movimento de descentralização no país, que concentra suas atividades essenciais em Porto Príncipe, onde vivem dois dos dez milhões de haitianos.

*Com informações das agências EFE, AFP e Agência Brasil

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