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12/03/2010 - 11h26

Lula faz visita política ao Oriente Médio na semana que vem

Política, muita política, investimentos bilionários, segurança e construção civil orientarão a visita, com comitiva de ministros e empresários, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Israel, territórios palestinos e Jordânia, na semana que vem. Israel comunicou ao governo brasileiro a intenção de destinar US$ 1 bilhão para apoiar exportações e investimentos israelenses dirigidos ao Brasil. Grandes construtoras brasileiras seguem com Lula, interessadas em projetos bilionários de infraestrutura na Jordânia e Palestina.

Embora acompanhada de seminários empresariais em todas as etapas, a visita de Lula tem caráter eminentemente político. Como parte do esforço de ampliação do alcance da política externa, Lula quer " sinalizar o interesse brasileiro " em participar no processo de paz no Oriente Médio, segundo o porta-voz Marcelo Baumbach. " É a primeira visita oficial de um chefe de Estado a Israel " , ressaltou o porta-voz , " e ocorre em um momento em que o Brasil se aproxima dos países do Oriente Médio e atua na busca de uma solução para o conflito palestino " .

Em Israel, Lula fará um programa sugerido pelas autoridades locais, incluindo encontros com o presidente do país, Shimon Peres, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, o presidente do Congresso, Reuven Rivlin e a líder da oposição, Tzipi Livni. Participará de cerimônias simbólicas, como uma visita ao Museu do Holocausto, receberá uma delegação da Universidade Hebraica e terá encontro com o escritor Amos Oz. Enquanto isso, a comitiva de cerca de 70 executivos busca negócios.

Israel lançou um plano, o Shavit, de investimentos nos mercados promissores dos chamados Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), e dispõe de US$ 1 bilhão para investimentos no Brasil. Quase 180 empresas israelenses têm filiais no Brasil, grande parte ligada a serviços de segurança e vigilância. Firmas brasileiras do setor participam da comitiva, e os brasileiros veem perspectivas de associações e de vendas para os setores militares em Israel e na Jordânia. O governo jordaniano comandou uma coleção de grandes projetos de infraestrutura vistos pelas empresas do Brasil como potenciais fontes de contratos. O maior deles, o Marsa Zayed Aqaba, com torres residenciais e comerciais e áreas de lazer e turismo, pode chegar a US$ 10 bilhões. Todas as grandes construtoras brasileiras estão na comitiva de Lula. Um tema possível de conversa entre os dois países é energia nuclear - a Jordânia iniciou em 2007 seu programa pacífico, que inclui o enriquecimento do urânio de suas jazidas.

O comércio com a Jordânia é minúsculo, inferior à metade de um dia de exportações brasileiras, mas há fortes chances de negócio, especialmente para a Embraer, alvo de assédio jordaniano para que instale no país um entreposto de peças de reposição. O rei Abdullah II, que tem encontro marcado com Lula, disse ao presidente, quando veio ao Brasil, em 2008, que vê fortes possibilidade de cooperação entre os dois países - além de aviação, em agricultura, mineração e energia.

Lula chega a Israel e Palestina em um momento de forte tensão política, com a decisão israelense de construir 1,6 mil casas para cidadãos judeus nos territórios ocupados em Jerusalém Oriental, área originalmente palestina e destinada a uma futura capital do Estado palestino. O anúncio da expansão imobiliária israelense provocou atrito entre Israel e Estados Unidos, por coincidir com a visita, a Jerusalém, do vice-presidente Joe Biden, que participava do esforço de intermediação do conflito e recebeu, lá, o anúncio de que os palestinos se retiravam das negociações devido à ação dos israelenses.

" A posição do Brasil é contra a expansão dos assentamentos e o presidente dialogará de maneira franca com seus interlocutores " , disse Baumbach. Lula defenderá o direito de Israel à paz e segurança, mas condenará a expansão dos assentamentos e cobrará o " alívio da situação humanitária " dos palestinos na faixa de Gaza.

(Sergio Leo | Valor)

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