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PDT antecipa apoio a Dilma

09/04/2014 19h36

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, anunciou na tarde desta quarta-feira (9), a intenção do partido de apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff nas eleições de outubro. Lupi ressalvou que não se trata de um apoio formal, porque isso só pode se concretizar na convenção nacional, agendada para 10 de junho. O PDT é o segundo partido da base aliada a avalizar a candidatura da petista. O primeiro foi o PSD, do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.

Questionado se esse aval alcançaria, também, uma eventual mudança na cabeça de chapa, na qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiria a vaga de candidato do PT à presidência no lugar de Dilma, Lupi rechaçou a possibilidade.

"A retirada da candidatura da Dilma seria um movimento de um governo fracassado. Só uma catástrofe faria isso (a candidatura de Dilma) mudar", afirmou. O coro do "volta, Lula" retornou com força nessa fase de fragilidade eleitoral de Dilma, na qual ela aparece em queda nas pesquisas de intenção de votos.

Embora se trate apenas de um indicativo, o gesto do PDT fortalece Dilma em meio à turbulência política. De um lado, ela é bombardeada por denúncias de irregularidades e malfeitos na gestão da Petrobras, principalmente quando ela presidia o Conselho de Administração da estatal. Em outra frente, um de seus principais aliados no Congresso, o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), corre risco de ter o mandato cassado, pela relação obscura com o doleiro Alberto Youssef, preso na "Operação Lava Jato" da Polícia Federal.

Fora de hora

Alguns pedetistas como o ex-presidente da sigla, deputado Vieira da Cunha ? pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul ? e os senadores Pedro Taques (MT) e Cristovam Buarque (DF), se opuseram à decisão. Eles argumentaram que esse não era o momento adequado, e esse posicionamento poderia ser adiado até a convenção. Lupi, entretanto, ressaltou que é justamente no momento de fragilidade do governo que o aliado tem de estender a mão.

"É na adversidade que se conhece o aliado", e lembrou que antes de se filiar ao PT, Dilma participou da fundação do PDT ao lado de Leonel Brizola.

Lupi ressalvou, ainda, que o indicativo de reedição da aliança nacional com o PT não impede os candidatos a governador do partido de se coligarem livremente nos Estados. No Mato Grosso, o senador Pedro Taques esboça uma aliança com o presidenciável do PSB, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.

O presidente do PDT completou que o partido vai enviar um documento formal a Dilma, pedindo aprofundamento nas políticas educacionais, como a escola em tempo integral, em eventual segundo mandato.

Lupi anunciou a decisão após comandar reunião do diretório nacional do partido. Segundo ele, estavam presentes os 27 presidentes dos diretórios estaduais e 22 integrantes da Executiva Nacional. Também compareceram representantes das bancadas na Câmara e no Senado, além dos prefeitos de Porto Alegre, José Fortunatti, e de Natal, Carlos Eduardo Alves.

Afetado pela criação do partido Solidariedade, que arrastou mais da metade de sua bancada, o PDT tem hoje 17 deputados federais e cinco senadores.