Familiares de vítimas francesas pedem tratamento equânime sobre indenizações da Air France

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Atualizada às 17h43

O presidente da associação "Ajuda Mútua e Solidariedade AF447", Jean-Baptiste Audousset, pediu nesta sexta-feira (12) um tratamento equânime de brasileiros e franceses em relação às indenizações da Air France. A pressão sobre a companhia aérea ocorre no dia seguinte à decisão da Justiça brasileira de condenar a Air France a indenizar em R$ 2 milhões a família da passageira brasileira do voo 447 Marcelle Valpaços Fonseca por danos morais.

Nenhum passageiro francês foi indenizado até agora.  "Nós queremos um tratamento equânime entre todas as famílias e as mesmas compensações", afirmou Audousset.

O voo 447 da Air France decolou do Rio de Janeiro, mas caiu no oceano Atlântico em 1º de junho de 2009, matando 228 pessoas. O avião iria até Paris.

Também na França, a família da aeromoça Carla Mar Amado, de 31 anos, que morreu no voo, anunciou, após essa condenação da Air France no Brasil, que pedirá que a justiça francesa se coloque no mesmo nível da brasileira.

"Não pode haver duas justiças: uma justiça brasileira corajosa e uma justiça francesa medrosa", afirmou Jean Claude Giudicelli, advogado da família da vítima, residente no sul da França.

Segundo o advogado, a família da jovem não esconde o mal-estar frente à "lentidão das investigações" e ante "uma verdade que já é conhecida".

Ontem, a Justiça brasileira condenou a companhia aérea Air France a indenizar em R$ 2 milhões a família da passageira do voo 447 Marcelle Valpaços Fonseca por danos morais. O juiz Mauro Nicolau Junior, da 48ª Vara Cível do Rio de Janeiro, que acusou a empresa de "conduta negligente".

A seguradora francesa Axa, da Air France, apelará dessa decisão da Justiça do Rio de Janeiro. "Apelaremos da sentença, que não pode constituir um precedente", explicou a seguradora hoje.

Axa considerou a sentença de quinta-feira resultado de um processo aberto fora da câmara de indenização específica, integrada pelo Ministério brasileiro da Justiça, associações de familiares das vítimas e as seguradoras. A sentença "não cumpre os critérios específicos definidos pela câmara", afirmou.

Ainda na quinta-feira, investigadores franceses anunciaram o adiamento da terceira fase de buscas pelas caixas-pretas do voo da Air France 477 devido a condições climáticas ruins.

Em comunicado, a Agência de Investigações de Acidentes Aéreos da França culpou as dificuldades "administrativas e técnicas" provocadas pelo mau tempo na região de busca. Essa terceira fase de buscas deveria ter começado no mês passado.

A área dessa próxima fase de buscas é cinco vezes menor do que a das duas vezes anteriores. Acredita-se que isso ajudará a localizar os gravadores de voz e de dados das cabines, também conhecidos como caixas-pretas. O fundo do oceano nessa parte, de relevo bastante acidentado, se encontra a cerca de 4 mil metros da superfície. Por isso, caso os sonares submarinos encontrem as caixas-pretas, dois robôs descerão para recuperá-las.

O custo da última etapa de busca, que conta com a participação de especialistas brasileiros, americanos, russos e franceses, chega US$ 25,3 milhões. As despesas serão divididas pela Airbus (fabricante do avião que caiu) e a companhia Air France.

* Com agências internacionais

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