Força Aérea/AP

Tragédia do voo AF 447

Familiares de vítimas do Voo AF 447 pedem audiência com Dilma e análise de caixas-pretas nos EUA

Janaina Garcia*
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Em carta ao presidente da França, Nicolas Sarkozi, o presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 447 da Air France, Nelson Faria Marinho, pediu nesta sexta-feira (15) que as caixas pretas do avião que caiu em 2009 no Oceano Atlântico sejam remetidas ao Estados Unidos caso sejam recuperadas. A aeronave tinha 228 pessoas a bordo e fazia o trecho Rio-Paris. Semana que vem, representantes da entidade vão a Brasília pedir uma audiência com a presidente Dilma Rousseff.

Marinho falou com o UOL Notícias em Paris, onde, na última segunda, se reuniu com o secretário de Transportes da França, Thierry Mariani, para tratar do acesso a informações alusivas ao resgate. Semana passada, o governo francês anunciou ter descoberto destroços da aeronave com corpos presos à fuselagem, mas as caixas pretas ainda são buscadas por submarinos não tripulados. Esta semana, Marinho disse em entrevista que as caixas já teriam sido localizadas pelas equipes de busca.

Segundo o presidente da associação, que critica o sigilo mantido pela França sobre as investigações, o pedido expresso na carta a Sarkozi é não só uma garantia de isenção na condução das investigações como tanbém de diplomacia entre os dois países.

“É tudo muito simples: o dono da Air Bus é o governo francês, logo, não seria viável que esse mesmo governo investigasse esse caso sozinho. Além disso, temos um tratado internacional de Chicago segundo o qual esse é o tipo de problema que pode ser investigado pelos dois países”, disse Marinho, que completou: “Mas justamente para não haver mais problemas, inclusive diplomáticos, o ideal é que essas caixas pretas sejam enviadas aos Estados Unidos: é lá que estão 19 fabricantes de peças dessa aeronave, por isso nosso apelo”, justificou. “E para a França também é uma forma de se evitar um incidente diplomático, afinal, são mais de 30 países envolvidos”, completou Marinho.

A audiência com a presidente Dilma, adiantou, tratará não apenas das indenizações às vítimas, como também do andamento do inquérito. “Estamos apelando também à presidente a fim de que ela receba a associação e uma comissão de familiares, sabemos que quatro meses após ao acidente a Air France recebeu a indenização pelo avião acidentado, mas as famílias, em situação precária material e emocionalmente, ainda não”, citou. A condução da investigação criminal e dificuldades técnicas para a leitura de um relatório-denúncia por parte da Prouradoria da República em Recife (PE) também devem ser abordados na audiência, caso ela aconteça.

“Há um inquérito criminal em andamento no qual existe um relatório-denúncia sobre problemas do Air Bus e falta de manutenção dele. O procurador da República em Recife não pôde ler essa documentação, entretanto, porque ela é muito técnica e demanda técnicos do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes)”, declarou.

Trabalhos de buscas

Também hoje, o diretor executivo da associação dos parentes das vítimas, Maarten Van Sluys, informou que os corpos dos que morreram no acidente não deverão ser resgatados. A decisão teria sido tomada durante reunião do BEA (Birô de Investigações e Análises), na noite de ontem (14), em Paris.

"Para nós isso traz total indignação. Uma vez que foi criada uma expectativa, foi anunciado em alto e bom som o encontro dos corpos e que eles provavelmente seriam retirados. E agora, em função de uma reunião do BEA ontem em Paris, com alguns legistas, vem essa versão oficial", disse.

Ainda de acordo com Sluys, a recomendação para que os corpos não fossem retirados partiu de médicos peritos, que disseram acreditar que eles não resistiriam ao içamento. "As famílias como um todo, no Brasil, gostariam de ter os corpos. Vou distribuir agora um comunicado aos associados", afirmou.

A equipe de buscas aos destroços do voo 447 encerrou as operações submarinas na sexta-feira (8). O BEA divulgou na semana passada as primeiras imagens dos destroços. De acordo com o órgão, foram localizadas partes do motor, fuselagem, asas e do trem de pouso do Airbus A330-203, que fazia o voo 447 da Air France que caiu em 2009 com 228 pessoas.

A ministra francesa dos Transportes, Nathalie Kosciusko-Morizet, confirmou a presença de corpos dentro de uma grande parte da fuselagem. Os trabalhos para o resgate das peças e corpos devem começar no dia 21 de abril, sob responsabilidade da empresa americana Fênix.

Ao anunciar a localização dos primeiros destroços, Kosciusko-Morizet afirmou que esperava "localizar rapidamente as caixas-pretas" do Airbus, um dos principais objetivos da missão e fundamentais para esclarecer as causas da tragédia.

"Se não foram destruídas no choque, existem a possibilidade de que funcionem", disse Jean Paul Troadec, diretor do BEA, na ocasião. Ele afirmou que a localização dos destroços também permitirá precisar a trajetória final da aeronave.

O BEA lançou no dia 22 de março a quarta fase de buscas para encontrar os destroços do voo 447, e iniciou os trabalhos de campo alguns dias depois. A terceira fase das buscas terminou em maio de 2010, sem sucesso.

Desta vez, foram usados três submarinos robôs do modelo Remus --dois da fundação americana Waitt e um do instituto alemão Geomar. Com quatro metros de comprimento e pesando 800 kg, ele são capazes de chegar a 4.000 metros. Os destroços foram localizados a uma profundidade de cerca de 3.900 metros ao norte da última posição conhecida do avião.

As buscas deveriam cobrir uma área de 10 mil km2. De acordo com o birô francês, a operação foi calculada em 12,5 milhões de dólares (R$ 20,2 milhões), pagos pela Airbus e Air France. O resgate das peças será financiado pelo governo francês.

* Com informações da Folha.com

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