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20/05/2004 - 17h37
História da monarquia espanhola é a história da própria Espanha



Por Pablo Fernando MADRI, 19 mai (AFP) - A história da monarquia espanhola sintetiza a história da própria Espanha. Nasceu no final do século XV com o casamento de Isabel de Castela e Fernando de Aragão, conhecidos como os reis católicos, que tiveram o neto como sucessor, o imperador Carlos (1517-1556).

Durante este período, a Espanha se tornou uma superpotência mundial, mas o gasto descomunal para manter a hegemonia na Europa e a conquista da América endividou e enfraqueceu a monarquia.

Felipe II (1556-1598) viu os primeiros sinais de uma decadência que eclodiu no século XVII, com a sucessão de reis (Felipe III 1598-1621, Felipe IV 1621-1665 e Carlos II 1665-1700) mergulhados em problemas, incapazes de cumprir suas responsabilidades e de impedir a perda de poder.

A Guerra de Sucessão trocou a Casa da Áustria pela francesa de Borbón e o duque de Anjou tornou-se, então, Felipe V da Espanha (1700-1746). Seu filho Fernando VI reinou até 1759, quando subiu ao trono o irmão Carlos III. Em 1788, a sucessão coube a seu filho Carlos IV, até o ano crítico de 1808.

A invasão napoleônica motivou a Guerra da Independência contra os franceses até 1814 e a vitória trouxe ares de abertura, mas o rei católico Fernando VII acabou impondo um absolutismo feroz.

Sua filha Isabel II herdou o trono em 1833 e governou até 1868, quando uma revolução liberal a enviou para o exílio. Nos anos seguintes houve um governo provisório (1868-1870), um fugaz monarca italiano (Amadeo de Saboya, 1871-1872) e uma Primeira República (1873-1874).

Um golpe militar restaurou a monarquia. O filho da rainha expulsa, Alfonso XII (1875-1885), foi coroado. Com sua morte, assumiu como regente a esposa, Maria Cristina, até 1902, quando Alfonso XIII alcança a maioridade.

O anarquista Mateo Morral tentou assassiná-lo no dia do seu casamento, em 1906, jogando uma bomba quando a carruagem que o levava passava por uma rua de Madri. Como sua avó, Alfonso acaba vencido por uma péssima situação política, social e econômica. Parte para o exílio no dia 14 de abril de 1931.

Chega então a II República, a radicalização política e a Guerra Civil (1936-1939). A monarquia apóia o golpe de estado contra a democracia, confiando que um triunfo da direita autoritária lhe devolveria o poder.

Mas o general Francisco Franco, que alguns anos antes era leal a Alfonso (rei que foi seu padrinho de casamento em 1923), decidiu não dividir o poder.

O herdeiro da Coroa e pai do atual soberano, Juan de Borbón, passou a vida na esperança de uma restauração. Enviou o filho para estudar na Espanha sob a tutela do ditador e, no dia 22 de julho de 1969, Franco nomeou Juan Carlos como sucessor.

No dia 22 de novembro de 1975, dois dias antes de Franco morrer, o príncipe foi proclamado rei da Espanha, apesar de seu pai ser o depositário legítimo dos direitos da dinastia. Dom Juan renunciou a eles em maio de 1977 para passá-los a sua descendência.

Com tino político, tato diplomático e prudência histórica, Juan Carlos I acompanhou a chegada da democracia e ganhou a simpatia popular. Contribuiu para isso sua personalidade extrovertida e simpática, mas também a atuação na tentativa de golpe de Estado em 1981, considerada decisiva para o fracasso do movimento militar.

A monarquia parlamentar determinada pela Constituição de 1978 cuidou com zelo de uma imagem democrática, com exemplar conduta pública e respeito de todos os espanhóis.

No início do século XXI, parece instalada com solidez na vida da Espanha. Os altos índices de popularidade se repetem de forma invariável em todas as pesquisas, mas resta saber se esta maioria que a apóia é a favor da monarquia ou apenas de seu papel simbólico.

A próxima geração, representada por Felipe de Borbón e Letizia Ortiz, que se casam no próximo sábado e se tornam os futuros reis da Espanha, provavelmente vai responder a esta pergunta.

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