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23/08/2004 - 17h19
Nova novela da Globo ganha tempero extra com petróleo russo

Por Andrei Khalip

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um magnata petrolífero russo que sofre de amnésia descobre que, na realidade, é brasileiro e teve sua família morta. Ele vai até o Brasil para fazer negócios, buscar vingança e procurar a mulher que foi o grande amor de sua vida.

Não se preocupe: esse drama não vai afetar o preço mundial do petróleo, como aconteceu com os dramas de alguns outros barões do petróleo russos.

Trata-se da trama de uma nova novela brasileira e serve como indício do que está acontecendo dentro do mundo mágico das telenovelas nacionais.

Roteiristas famosos, elencos de grandes atores e um trabalho de câmera excepcional valeram às telenovelas brasileiras fama mundial, tanto assim que atraem fãs em países tão distantes quanto a China e fascinam os estimados 130 milhões de telespectadores brasileiros.

As tramas mais recentes vêm ficando cada vez mais ousadas. Imagens filmadas no exterior são praticamente obrigatórias, e questões como a situação geopolítica internacional influem sobre os roteiros.

Antonio Calmon, autor do roteiro da nova novela "Começar de Novo", explicou: "A idéia foi filmar uma novela mostrando o mundo do petróleo e nossas plataformas marítimas."

"Num primeiro momento, pensamos em ter um executivo petrolífero do Oriente Médio que viria para o Brasil para abrir uma joint venture. Mas então houve toda a situação complicada nessa região e os atentados em Madri, coisas que poderiam afetar o roteiro ao longo dos oito meses de filmagem da novela, então resolvemos situar o executivo em Moscou."

Enquanto o óleo russo move a imaginação dos autores da novela, é o petróleo brasileiro que vai pagar a conta. A Petrobrás, maior empresa do Brasil, está financiando a novela e quis que algumas de suas atividades fossem mostradas.

"Hoje em dia, você sabe, nada é feito sem a Petrobrás, que investe muito em novelas e no cinema. Mas não é apenas questão de merchandising. As vistas das plataformas marítimas serão fantásticas", disse Calmon.

As finanças da rede Globo, responsável pela novela de 150 capítulos que estréia no final de agosto, já estiveram melhores.

A empresa está repleta de dívidas e está enfrentando baixa receita publicitária e concorrência forte. Mas ela ainda conserva a primazia no setor das telenovelas.

O galã Marcos Paulo fará o papel principal de "Começar de Novo" e é co-diretor da novela, na qual ele ama uma mulher jovem que conhece em Moscou e também uma mulher de sua idade que conheceu antes de partir para a Rússia. Esta última é seu amor perdido e tem a outra metade do medalhão quebrado, cuja primeira parte está com ele.

FILMAGENS EM SÃO PETERSBURGO

Embora a Rússia não fosse a primeira opção dos autores, o país acabou revelando ser um lugar melhor para filmar a novela, entre outras razões por causa da enorme popularidade das telenovelas brasileiras no país. Muitas cenas foram rodadas em Moscou e São Petersburgo.

"A Rússia nos recebeu de braços abertos. Adoramos ficar aqui", disse Calmon, acrescentando que Leon Tolstoi e Fiodor Dostoievski foram algumas de suas inspirações.

De acordo com a rede Globo, dois atores de "Começar de Novo" que aparecem em outras novelas brasileiras que estão sendo exibidas na Rússia foram seguidos por toda parte na Rússia por fãs à procura de autógrafos.

A idéia inicial era dar um toque de esquerda à novela, vinculando a saída do personagem principal do Brasil à repressão à ditadura militar, mas o tema foi usado por outra novela.

"Então acabamos com uma trama ao estilo de 'O Conde de Monte Cristo', quando um jovem é quase destruído por seus inimigos e retorna mais tarde para se vingar", explicou Calmon.

Os autores não trataram das transformações sociais e políticas dos últimos 15 anos na Rússia, de modo que a riqueza do personagem principal, Andrei Karamazov, não é explicada.

Calmon descartou qualquer paralelo entre a trama da novela e a situações dos magnatas petrolíferos russos que vêm fazendo manchetes.

"Sua história não está ligada ao caso YUKOS", disse Calmon, falando da maior exportadora de petróleo da Rússia, cujo fundador, Mikhail Khodorkovsky, enfrenta julgamento por sonegação de impostos.

"E não há envolvimento da KGB ou de alguma máfia russa. Não quisemos prejudicar a imagem da Rússia ou da União Soviética."

Mas Calmon deixou claro que nenhuma possibilidade quanto à trama pode ser excluída já que, como de costume, o feedback público e consultas com telespectadores vão determinar como a novela vai terminar.

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