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05/10/2004 - 16h18
Pesca em águas profundas ameaça espécies 'novas', diz estudo

da BBC, em Londres

A pesca de arrastão de profundidade, que consiste no arrasto de imensas redes a profundidades de mais de mil metros, ameaça diversas espécies marinhas ainda desconhecidas pela ciência.

O alerta foi lançado nesta terça-feira pela Coalizão de Conservação das Águas Profundas (CCAP), uma entidade que representa a comunidade científica e pesqueira de vários países. A entidade divulgou um relatório com um apelo para a Organização das Nações Unidas (ONU) pela suspensão da prática.

"Um arrastão de 15 minutos pode devastar um habitat das profundezas, destruindo corais de águas frias que levaram milênios para crescer", alertou Kelly Rigg, coordenadora da CCAP.

"Nós podemos acabar levando à extinção espécies ainda desconhecidas pela ciência", acrescenta Rigg.

Cerca de 11 países são apontados no relatório como responsáveis por esse tipo de pesca. Entre eles, os mais ativos são, segundo a coalizão, a Rússia, a Nova Zelândia e a Espanha.

ONU

Como a pesca de arrastão é realizada em águas internacionais, a coalizão quer que a ONU proíba a prática.

"A Assembléia-Geral da ONU é responsável pela administração das riquezas globais. As negociações que acontecem no momento vão determinar que tipo de ação será tomada, se é que isso vai acontecer, na reunião de novembro", afirmou Rigg.

Para arrastar redes a profundidades entre 750 metros a 1,5 mil metros de profundidade, são necessários equipamentos avançados e embarcações modernas.

Por outro lado, o retorno também é alto. Os peixes capturados por esses navios são vendidos para os melhores restaurantes de frutos do mar de Japão, Estados Unidos e Europa.

O assessor político da coalizão, Matt Gianni, calcula que a prática renda cerca de US$ 300 milhões a US$ 400 milhões por ano.

O número pode parecer pequeno em comparação com os US$ 75 bilhões que o setor pesqueiro fatura anualmente, segundo a agência de alimentação da ONU.

Brasil

Em compensação, o arrastão de profundidade é realizado por apenas 200 a 300 navios, enquanto a pesca tradicional envolve cerca de 3 milhões de embarcações.

O Brasil é considerado pela CCAP um dos países mais vulneráveis ao arrastão de profundidade.

Por isso, Gianni vai a Brasília nesta semana para se encontrar com representantes dos ministérios do Meio Ambiente e da Pesca e Agricultura.

"Sou otimista. Acho que o Brasil tem a possibilidade de adotar uma posição bastante conservacionista. O país não tem interesse econômico nisso e tem tudo a perder, principalmente se essas frotas intensificarem suas atividades no Atlântico Sul", afirmou Gianni à BBC Brasil.

Para o assessor político da CCAP, o Brasil tem espaço para ocupar, já que o governo tem tentado assumir uma liderança mundial em defesa dos países em desenvolvimento.

"Esse tipo de atividade predatória só beneficia os países desenvolvidos, mas provoca danos globais que afetam todo o mundo", completa.

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