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28/10/2004 - 19h00
Com perda da preferência infantil, Lego mergulha em crise

COPENHAGUE, 31 out (AFP) - Com vendas em queda livre e perdas crescentes, a empresa dinamarquesa Lego, uma das maiores fabricantes de brinquedos do mundo, atravessa uma profunda crise e se confronta com a dúvida: será que as crianças não querem mais brincar com os famosos blocos de plástico?

As vendas da empresa familiar, criada em 1932, nunca tinham caído tanto em tão pouco tempo: de 25% a 30% em dois anos, especialmente nos Estados Unidos, seu principal mercado, com uma quota de 40% em seu volume de negócios.

Fascinados por jogos eletrônicos e virtuais, as crianças do mundo cibernético parecem ter virado as costas para os outrora disputados jogos de montar.

O dono da empresa, Kjeld Kirk Kristiansen, neto do fundador, reconhece a gravidade da crise. Segundo ele, este ano a Lego vai registrar um novo déficit - o quarto de toda a sua história - e, pior, o maior de todos: entre 202 e 269 milhões de euros (250-285 milhões de dólares).

No entanto, há apenas seis anos, a empresa, que é a quarta fabricante de brinquedos do mundo depois das americanas Mattel e Hasbro e da japonesa Bandai, desconhecia as palavras crise e déficit.

Na época, esperava ser, em 2005, "uma das cinco marcas mais conhecidas do mundo entre famílias com filhos".

Mas em 1998, a Lego começou a sofrer prejuízos constantes, em 2000, 2003 e 2004, apesar dos vários planos de reestruturação da empresa.

Segundo o pedagogo sueco Torben Hangaard Rasmussen, especialista em brinquedos, será muito difícil para a Lego recuperar o espaço perdido no universo infantil.

"Os blocos Lego pertencem à era industrial, na qual as crianças gostavam de construir, brincar de ser engenheiros. Hoje, os brinquedos mais populares são os do mundo virtual", um terreno desconhecido pela Lego, explicou.

Henrik Gjoerup, diretor de uma grande rede de lojas dinamarquesa, a BR, partilha da mesma opinião.

"As crianças começam a brincar cada vez mais cedo e substituem os brinquedos clássicos por jogos eletrônicos e telefones celulares aos 7 ou 8 anos", afirmou.

Em meados dos anos 90, a Lego tentou diversificar suas atividades, especialmente construindo três parques temáticos no exterior, além do que já tinha na Dinamarca. Agora, será obrigada a abrir mão deles, bem como de outras atividades correlatas.

Hoje, a direção da Lego anuncia "dias difíceis" para os 7.500 funcionários do grupo, 3.000 deles só na Dinamarca. Estão previstos redução de custos, deslocamento de parte de suas atividades para a China e demissões.

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