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14/01/2005 - 19h12
Fantasia do príncipe Harry traz à tona histórias entre realeza e nazismo

LONDRES, 14 jan (AFP) - O uniforme nazista que o príncipe Harry vestiu em uma festa à fantasia causou escândalo na Grã-Bretanha e colocou para fora do baú fantasmas que família real teria preferido esquecer.

O momento é delicado. A poucos dias da rainha Elizabeth comandar eventos nacionais em memória ao Holocausto e receber sobreviventes dos campos de extermínio, com certeza a realeza gostaria de deixar o assunto em ponto morto. Mas, infelizmente, parece que não vai ser mais possível.

O escândalo também colocou em dificuldades o filho mais novo da rainha, o príncipe Edward, que vai representá-la na cerimônia prevista para 27 de janeiro na Polônia, dos 60 anos de libertação dos prisioneiros de Auschwitz.

Auschwitz foi um dos principais palcos das maiores atrocidades cometidas pelo Exército de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Cerca de um milhão de judeus morreram queimados no forno crematório do campo de extermínio ou foram mandados às suas câmaras de gás disfarçadas, assim como milhares de pessoas que os nazistas consideravam que mereciam a morte: homossexuais, idosos, ciganos e deficientes físicos.

Entre os fantasmas que pairam sobre a família real britânica e que voltam à tona com este incidente está o tio-avô do príncipe Harry, o ex-rei Edward VIII, que foi partidário de Hitler.

Fascinado pelo nazismo, Edward foi coroado em janeiro de 1936 e teria abdicado em dezembro do mesmo, pelo amor de uma mulher, a divorciada multimilionária americana Wallis Simpson.

Segundo o historiador Davidad Cannadine, citado na sexta-feira pelo jornal The Independent, as afinidades políticas de Edward enquanto esteve no trono "eram, quem sabe, pró-nazistas", como a de muitos aristocratas ingleses, que viam em Hitler uma barreira contra o comunismo.

Depois de abdicar ao trono, o Duque de Windsor viajou a Berlim, expressando sua admiração pelo que via na Alemanha. E para encerrar o capítulo com chave de ouro, Edward foi fotografado com Wallis Simpson apertando a mão de Hitler, diante do qual teria feito a saudação nazista.

A versão alemã do Financial Times fez uma comparação nesta sexta-feira entre o príncipe Harry e seu parente nazista. "Até o momento, Edward VIII parecia ser o mais tolo da família", escreveu o jornal.

Publicações alemãs também lembraram o episódio. "Os ingleses gostam de se divertir com os nazistas", escreveu o jornal Tagesspiegel, enquanto outras publicações destacavam que na Alemanha Harry estaria na prisão por ostentar símbolos nazistas.

A imprensa britânica também citou as suspeitas que a CIA tinha de que Wallis Simpson era amante do que era então o embaixador de Hitler em Londres, Joachim von Ribbentrop, que depois foi ministro das Relações Exteriores do nazismo.

Alguns jornais lembraram a época que o ex-monarca, sempre acompanhado por Wallis, ocupou o cargo de governador da Bahamas, a partir de onde teria espionado para os nazistas.

Segundo registros oficiais liberados no ano passado, Hitler pensava em retribuir estes favores depois de ganhar a guerra, instaurando o ex-rei no trono britânico.

Outro membro da família real, o barão Gunther Von Reibnitzel, pai de uma prima de Harry, era membro do partido nazista, lembrou a imprensa.

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