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01/04/2005 - 15h07
Chacinas no Rio matam 30 pessoas; PMs são suspeitos

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Pelo menos 30 pessoas foram executadas no fim da noite de quinta-feira em dois municípios da Baixada Fluminense. Os crimes foram praticados por homens fortemente armados, que estavam em dois veículos e uma moto, de acordo com autoridades policiais.

Dezesseis pessoas foram assassinadas no bairro da Posse, em Nova Iguaçu, 12 no município de Queimados e outras duas durante a fuga dos agressores, nas proximidades da rodovia Presidente Dutra.

Reuters 
Vítima de chacina em Nova Iguaçu
Entre as vítimas, há crianças, adolescentes, mulheres e homens. A polícia procura outras pessoas que teriam sido alvejadas.

"Foi tudo muito rápido. Eu subi até em casa e desci correndo quando ouvi aquele monte de tiro. Nós ficamos desesperados. Quando chegamos, o carro já tinha ido embora", contou Creuza Regina, avó de uma das vítimas, de 14 anos.

"Estou chocado. Meu sobrinho estava brincado com o primo dele e foi brutalmente assassinado", afirmou Angelo Soares, tio de um adolescente de 13 anos.

Segundo testemunhas, os agressores chegaram atirando e não deram tempo para as pessoas se esconderem.

"É uma situação de calamidade pública, um crime bárbaro jamais visto contra civis em momento de lazer", afirmou o secretário de Segurança Pública do Rio, Marcelo Itagiba, na sede da secretaria.

A secretaria suspeita que policiais militares estejam envolvidos nas chacinas, em represália à prisão de oito PMs acusados de matar duas pessoas. A cabeça de uma dessas duas vítimas foi jogada dentro de um batalhão da PM.

"A secretaria de Segurança trabalha com uma forte hipótese de que a chacina tenha sido uma represália à operação Navalha na Carne, que prendeu oito policiais militares suspeitos de terem cometido um duplo assassinato nos fundos do batalhão de Duque de Caxias", disse Itagiba em comunicado divulgado nesta manhã.

Essa hipótese é sustentada também pelo chefe da Polícia Civil do Rio, Álvaro Lins. "Foi crime cometido por profissionais. Os assassinos se preocuparam em recolher as cápsulas. Bandido não tem essa preocupação. Como o número de disparos foi muito grande, recolhemos essas cápsulas para investigação", contou Lins.

As armas utilizadas no crime são de uso da PM. Apenas duas das vítimas tinham passagem pela polícia.

Itagiba disse que a governadora Rosinha Matheus pediu prioridade para o esclarecimento desse caso. "O prazo determinado pela governadora é ontem. Quanto antes, melhor... Foi uma barbaridade que não pode ficar impune. Os criminosos atiraram a esmo, escolheram as vítimas aleatoriamente", acrescentou Itagiba.

Dois feridos já foram ouvidos pela polícia, e o secretário conclamou a população que acione o Disque-denúncia e dêem informações sobre os suspeitos. Ambos os feridos estão hospitalizados, um homem que levou um tiro no pé e uma mulher atingida na boca.

A secretaria designou 250 homens para a captura dos autores do crime. De seis a oito pessoas participaram da chacina. O Disque-denúncia oferece 5 mil reais de recompensa para quem der informações que levem ao paradeiro dos assassinos.

Em 1993, 21 pessoas foram assassinadas em Vigário Geral por um grupo de extermínio formado por policiais militares.

"Em Vigário Geral, foi uma revanche de policiais contra bandidos. Agora, foi uma revanche contra a própria polícia", explicou Álvaro Lins.

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, ofereceu ajuda no caso. "A Polícia Federal já se colocou à disposição. Esse crime não vai ficar impune e os autores serão punidos fortemente", completou.

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