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04/07/2005 - 17h02
Saques de Valério coincidem com votações polêmicas no Congresso

Por Natuza Nery

Alan Marques/Folha Imagem 
O publicitário mineiro Marcos Valério
BRASÍLIA (Reuters) - As empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de operar o suposto esquema de pagamento de mesadas a deputados da base aliada em troca de apoio parlamentar, realizaram saques nas mesmas datas ou em dias próximos que os da aprovação de matérias fundamentais para o governo no Congresso entre 2003 e 2004.

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apurado entre julho de 2003 e maio deste ano, mostrou que foram retirados das contas de empresas de Valério, principalmente via Banco Rural, o equivalente a R$ 27 milhões, sendo R$ 21,7 milhões pela SMP&B Comunicação e R$ 5,3 milhões pela DNA Propaganda.

Levantamento feito pela Reuters, comparando as datas de deliberação e as retiradas financeiras dessas duas contas, revelam saques que se aproximam dos R$ 3 milhões, efetuados dois dias antes ou dois dias depois de votações polêmicas na Câmara, como as reformas da Previdência e tributária --primeiro e segundo turnos--, e a aprovação de três medidas provisórias (bingos, salário mínimo, e a que concedeu status de ministro ao presidente do Banco Central). Nem todos saques, porém, têm proximidade com as votações.

"A vinculação de datas de votações importantes na Câmara dos Deputados com a liberação ou com saques em dinheiro do Banco Rural, nas contas da DNA e da SMP&B, significa a prova provada, o vestígio mais do que evidente, diante de tudo o que foi dito. Não provado, mas que ainda não foi desmentido", afirmou o líder do PFL, senador José Agripino (RN).

"Eu quero agora é ver desmentir essa questão que é a vinculação clara entre saque e voto. Voto e matérias de interesse do governo", completou.

Movimento semelhante ocorreu no Senado, onde a coincidência se repetiu algumas vezes. Senadores ponderaram, no entanto, que apenas esse dado não seria suficiente para levantar suspeitas sobre o Senado, já que a Câmara sofreu acusações específicas sobre compra de votos.

"Essas informações não são provas, mas certamente indícios, de que há bastante fundamento nas alegações do deputado Roberto Jefferson a respeito do mensalão... Não há motivo para, em princípio, se supor que o mensalão tivesse se restringido à Câmara", contra-argumentou Cláudio Weber Abramo, secretário-executivo da ONG Transparência Brasil. "Então, em princípio, acredito que o problema afeta todo o Parlamento."

O senador Tião Viana (AC), ex-líder do PT no Senado, defende uma investigação profunda, tanto das notícias divulgadas pela imprensa quanto dos cruzamentos de dados.

"Eu pessoalmente tenho muita dificuldade em acreditar no mensalão... mas se há cruzamento de dados e datas, que se apure totalmente", disse Tião. "Quem não deve, não pode temer."

Veja a seguir, a relação das votações e dos saques coincidentes:


  • Reforma tributária, aprovado em segundo turno na Câmara em 24 de setembro de 2003; saques efetuados nos dias 23, 25 e 26 de setembro. Total: R$ 1,212 milhão.

    A matéria é modificada no Senado em 17 de dezembro de 2003; constam saques nos dias 17 e 19 de dezembro. Total: R$ 470 mil.

  • Medida Provisória do salário mínimo, aprovada pela primeira vez na Câmara em 2 de junho de 2004. A matéria é votada novamente na Câmara em 23 de junho, depois de ter sido modificada no Senado.

    Saques totais na primeira votação: R$ 500 mil. Na segunda votação: R$ 200 mil.

  • Medida Provisória que concedeu status de ministro ao presidente do BC, aprovada na Câmara em 1º de dezembro de 2004.

    Saques nos dias 29 e 30 de novembro do mesmo ano. Total: R$ 480 mil.

  • Medida Provisória dos Bingos (editada após o episódio Waldomiro Diniz proibindo o funcionamento de bingos no país). Foi aprovada pela Câmara em 30 de março de 2004. O saque foi feito em 29 de março. Total: R$ 200 mil. A MP foi rejeitada no Senado.

  • Reforma da Previdência, aprovada em primeiro turno pela Câmara em 5 de agosto de 2003. Saque em 6 de agosto: R$ 200 mil.

    Aprovada em segundo turno pela Câmara em 27 de agosto de 2003. Saques entre os dias 25 e 26 de agosto. Total: R$ 200 mil.

    No Senado, a matéria é aprovada em 26 de novembro de 2003. Há saques nos dias 26 e 27 no valor total de R$ 400 mil. Aprovada em segundo turno no Senado em 11 de dezembro de 2003. Saque de R$ 120 mil em 10 de dezembro.

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