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06/06/2006 - 22h22
Sem-terra invadem Câmara e promovem quebra-quebra; 497 são detidos

da Redação

Sergio Lima/Folha Imagem

Sem-terra viram carro no tumulto

Sem-terra viram carro no tumulto

Os 497 manifestantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra que invadiram e depredaram as dependências da Câmara dos Deputados na tarde desta terça (6) foram detidos no final da tarde e levados, de ônibus, para o ginásio da Polícia Militar no Distrito Federal, onde estão sendo identificados.

Os sem-terra do MLST, dissidência do MST, invadiram por volta das 15h desta terça-feira a Câmara e entraram em confronto com seguranças da Casa. A ocupação durou mais de uma hora. Os manifestantes viraram um automóvel no estacionamento do anexo 2 da Câmara, quebrando a porta de vidro do prédio e destruindo vários equipamentos, inclusive postos informatizados de atendimento ao público.

A Câmara informou que 41 pessoas foram atendidas no ambulatório da casa, sendo que um segurança chegou a ficar em estado de coma induzido. A liderança do movimento afirmou que 1.100 pessoas compareceram ao ato.

Os manifestantes saíram do prédio após negociação, e foram detidos quando já estavam do lado de fora

O MLST, cujo líder, Bruno Maranhão, é membro da Executiva Nacional do PT, reivindica entre outras coisas mudança na lei que determina que toda propriedade ocupada fica impedida de ser vistoriada para fins de reforma agrária por dois anos.

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ameaçou mandar prender os manifestantes, mas após uma reunião com Maranhão e deputados do PT e do PSOL, desistiu das detenções imediatas. No entanto, o líder do MLST acabou detido mais tarde, quando era atendido num posto médico da Câmara. Ele estava acompanhado de um advogado.

Os demais manifestantes -inclusive sete líderes do movimento- estão passando por uma triagem, e alguns já foram autuados em flagrante como autores de agressões ou de danos ao patrimônio público.

Reivindicações


Antes de ser detido, Maranhão havia tentado justificar o episódio. "Agora é acalmar a situação porque não queremos ser responsabilizados pela confusão", disse a jornalistas ao se retirar do Congresso. Ele esclareceu que não havia intenção de que houvesse tumulto.

Maranhão relatou que estava acompanhado do deputado Nelson Pellegrino (PT-BA) para entregar carta de reivindicações à Presidência da Câmara para acelerar a reforma agrária no país.

"Não é somente o Executivo o responsável pela reforma agrária. O Legislativo também o é. Mas não conseguimos nem conversar porque a polícia foi muito violência", afirmou, referindo-se à segurança da Câmara. "Não somos vândalos", afirmou. E justificando sua vinculação ao Partido dos Trabalhadores, disse: "Essa ação não é do PT. Eu sou do PT, mas essa ação é do MLST".

Em seu site, o PT divulgou uma nota que critica a ação violenta dos sem-terra. Leia a integra da nota, que é assinada pela Executiva Nacional:

"O Partido dos Trabalhadores expressa seu profundo repúdio aos atos de violência ocorridos no dia de hoje, na Câmara dos Deputados. O PT se solidariza com o Poder Legislativo e com o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo. O líder do partido na Câmara dos Deputados, Henrique Fontana, em pronunciamento feito nesta tarde, expressou o sentimento geral do PT diante deste lamentável episódio."

Os manifestantes deixaram o edifício da Câmara e se posicionaram perto dos ônibus em que viajaram a Brasília, enquanto a tropa de choque protegia a entrada principal do Congresso.

De acordo com a Agência Câmara, Aldo Rebelo recebeu telefonemas de várias autoridades, que prestaram solidariedade ao presidente da Casa.

Ligaram para ele o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, o ministro da Articulação Política Tarso Genro e o presidente do Senado Renan Calheiros. Todos condenaram a ação.

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