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03/10/2006 - 10h00
Punido, gandula artilheiro diz que faria 'gol' de novo

Evandro César Lopes, especial para o Pelé.Net

SÃO PAULO - José Carlos Vieira, 51, se tornou o gandula mais famoso do Brasil no dia de 10 de setembro deste ano. Morador da cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, no interior paulista, este sapateiro, que participava dos jogos do Santacruzense somente por diversão e não recebia nada pelo serviço, foi literalmente o autor do gol de empate do time de seu município contra o Atlético Sorocaba, por 1 a 1, em confronto válido pela Copa Federação Paulista de futebol.

Luiz Fernando Wiltemburg/Jornal Debate
José Carlos Vieira, 51, gandula, posa para foto na cidade Santa Cruz do Rio Pardo-SP
VEJA VÍDEO DO GOL DO GANDULA
FEDERAÇÃO CONFIRMA GOL POLÊMICO
Nos instantes finais da partida, após ataque frustrado da equipe da casa, que resultou em chute que bateu na rede pelo lado de fora, "Canhoto", como é conhecido pelos moradores da cidade, não teve dúvidas: aproveitou a distração da arbitragem e, ao invés de devolver a bola para que o goleiro batesse o tiro de meta, chutou a para dentro do gol.

Desatenta, a árbitra Silvia Regina Oliveira correu para o centro do campo, decretando o empate. As imagens do "gol do gandula" correram o país e até o mundo. Na semana passada, a Federação Paulista confirmou a validade da partida e alegou que não poderia realizar um novo jogo pois nada de anormal havia sido declarado na súmula da partida.

Em entrevista exclusiva ao Pelé.Net, Canhoto diz não se arrepender da atitude. Casado e pai de um filho de 22 anos, o ex-gandula foi proibido de entrar nos gramados para sempre, mas avisa que não vai abandonar a Santacruzense, que, pelo episódio, recebeu multa de R$ 50 mil. A idéia do sapateiro é ajudar longe dos gramados, mas ele só não sabe como.

Palmeirense de coração, José Carlos Vieira ganhou fama repentina nas ruas da cidade. O apelido de "gandula artilheiro" é motivo de comentários e até autógrafos. O lado ruim também chateia. O sapateiro se diz vítima de muitos trotes, mas avisa, sem titubear: "se tivesse que fazer tudo de novo faria".

Pelé.Net - Você se sente arrependido por sua atitude. Chegou a pensar em falar com a árbitra logo após o lance?
Gandula -
Não me arrependo de nada e faria tudo de novo. As pessoas levam o futebol muito a sério. Tudo não passou de uma brincadeira que fiz com o goleiro. Jamais iria fazer alguma coisa para prejudicar alguém. Poderia até ter falado com a árbitra, mas ninguém veio me procurar. Depois do jogo fiquei na cozinha do estádio. Não esperava que isso iria ganhar tanto espaço.

Pelé.Net - O que mudou em sua vida após o gol? Você pretende usar isso como maneira de se promover?
Gandula -
Não acho que tenha mudado muita coisa. Tenho 51 anos e as pessoas comentam na rua quando passo. As crianças de onde dou aulas pedem autógrafo, mas não quero usar isso para ganhar dinheiro. Minha vida é boa da maneira como está. Foi apenas uma brincadeira. Depois do jogo saí do gramado até tirando sarro do goleiro deles e ele levou numa boa. A única coisa que piorou foi o fato de algumas pessoas me xingarem. Outro dia um homem me ligou dizendo que queria uma entrevista por telefone e começou a me chamar de sem vergonha e safado.

Pelé.Net - O sonho de todo gandula é ser jogador de futebol. Você tentou ser profissional quando mais novo ou se considera um "perna de pau"?
Gandula -
Nasci e fui criado no interior. Sempre joguei, mas aqui as oportunidades sempre foram muito pequenas. A gente sempre sonha isso quando criança, mas não achei que fosse acontecer agora. As pessoas brincam que eu fiz meu primeiro gol e respondo dizendo que primeiro veio o Maradona, depois eu (risos).*

*Nota da Redação: Em 1986, o meia argentino Diego Maradona fez, com a mão, de maneira irregular, um dos gols mais folclóricos do futebol mundial. O gol, na Copa do Mundo, ajudou os sul-americanos, que ganharam o título disputado no México naquele ano.

Arquivo/Folha Imagem
Gol irregular validado por Silvia Regina de Oliveira (foto) bagunçou a Copa Federação
Pelé.Net - A Federação proibiu você de atuar como gandula nas partidas. Você está preocupado com a perda do emprego? Algum diretor chegou a propor algum novo trabalho?
Gandula -
Para mim não mudou nada. Eu não ganhava nada para ajudar, fazia apenas porque gostava. Nenhum diretor me procurou, mas podem ter certeza que eu quero continuar ajudando. Sei que vou ficar do lado de fora, na arquibancada, mas não vou abandonar o time não

Pelé.Net - Qual é seu atual emprego na cidade? O futebol serve, de alguma forma, como maneira de ganhar dinheiro?
Gandula -
Sou sapateiro, mas procuro fazer os trabalhos apenas na parte da noite. Durante o dia dou aula em uma escolinha de futebol aqui mesmo na cidade. As crianças pagam R$ 15 cada uma e a gente ajuda como pode. A maioria acaba não pagando porque não tem condição. No total temos 180 meninos, de todas as categorias, e acabo tirando uns R$ 300 com esse serviço no final do mês.

Pelé.Net - Além da Santacruzense, existe algum outro time pelo qual qual você torça?
Gandula -
Sim, gosto muito do Palmeiras, mas também vejo alguns jogos do Grêmio.

Pelé.Net - Você gostaria de se encontrar com a árbitra para explicar o lance?
Gandula -
Não vejo problema em falar com ela, mas não fiz nada de errado. Quem errou foi ela e o bandeira. Fiquei chateado mesmo foi com a punição de não poder mais ser gandula, mas fazer o que, agora é aceitar e continuar trabalhando.

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