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19/12/2006 - 13h28
'Deus da Raça' junta petisco e história no interior de SP

  Toda vez que posso vou ao Rio, rebobino o filme das minhas maravilhosas memórias vividas pelo Flamengo
Rondinelli, ex-zagueiro e conhecido como o 'Deus da Raça' da Gávea
Antônio José Rondinelli Tobias

26/04/1955
São José do Rio Pardo (SP)

Times
- Flamengo
- Corinthians
- Vasco
- Atlético-PR
- Paysandu
- Goiânia
- Goiás

Títulos
- Campeão Carioca (74, 78, 79/79 Especial) e Brasileiro (1980), pelo Flamengo
- Campeão Carioca (82), pelo Vasco
- Campeão Goiano (87), pelo Goiânia

Danilo Valentini, especial para o Pelé.Net

SÃO PAULO - Porções de frango à passarinho, bolinho de carne seca com abóbora e espetinhos de queijo coalho formam um cardápio de 26 pratos que se empilham nas mesas de moradores e viajantes, que se dirigem até São José do Rio Pardo não só para aproveitar a moda dos rodízios de petisco que se alastrou a partir dos calçadões de Copacabana, mas também para pedir um autógrafo e tirar uma foto ao lado de Rondinelli, o 'Deus da Raça'.

Crédito
'Deus da Raça' do Flamengo, Rondinelli montou com o filho bar temático no interior
O PERFIL DO ZAGUEIRO

Lendário zagueiro do vitorioso Flamengo da virada das décadas de 70 e 80, Antônio José Rondinelli Tobias divide com seu filho, Júnior, a administração do R3 Sport Bar, estabelecimento criado há quatro meses que, por R$ 10,90, disponibiliza as mais variadas opções da comida típica de boteco ao lado de paredes que contam não só a história de seu proprietário, mas de outros cidadãos que saíram de Rio Pardo para o mundo do esporte.

"Meu filho se juntou com o cunhado para abrir o rodízio de petisco e me fez a homenagem batizando de R3. Aí me prontifiquei a aproveitar o espaço para homenagear todos os desportistas da cidade", afirmou Rondinelli, que lembrou de jogadores como Richard, meio-campista campeão pelo Palmeiras na Copa Rio de 1951, Modesto, zagueiro que conquistou pelo Santos o bi da Taça Brasil em 1964-65 e Edson, lateral conhecido como 'Abobrão' que foi campeão paulista pelo Corinthians em 1988.

Entre os cerca de 30 atletas nascidos na cidade e homenageados no R3, há espaço também para maratonista (João Quesada), nadadora que cruzou o Canal da Mancha (Ana Mesquita) e até para o personal trainer Nuno Cobra, famoso como preparador físico de Ayrton Senna que virou best-seller de livros de auto-ajuda. Uma inauguração oficial reuniria no dia 19 alguns dos atletas lembrados pelo sport-bar.

"Nenhum lugar aqui tinha a lembrança da parte esportiva da história da cidade. Quis lembrar o valor que o atleta deu a São José do Rio Pardo. No momento em que eram atletas, ninguém saberia onde é a cidade, onde o Judas perdeu as botas", brinca Rondinelli, de 51 anos, que após sua carreira de sucesso pelo futebol carioca voltou, há quase 20 anos, ao município, localizado a 266 km da capital paulista e de onde saiu em 1968 para iniciar sua trajetória pelas categorias de base do Flamengo.

Contemporâneo de Andrade, Adílio e Zico, Rondinelli reservou imagens históricas de seus momentos pelo Flamengo para adornar os painéis fotográficos do R3, como uma disputa de bola com Pelé, mas preferiu manter na intimidade o símbolo que o eternizou como ídolo do clube e deu nova razão ao apelido de 'Deus da Raça', que já o acompanhava em meados dos anos 1970.

Guardada em sua casa e escondida dos olhares de torcedores que procuram Rondinelli para um bate-papo entre fã e ídolo, a camisa do gol marcado aos 41min do segundo tempo da decisão do Campeonato Carioca de 1978. A cabeceada, desferida após corrida por toda a área do Vasco e que terminou com o arremate certeiro contra o então goleiro Leão, mitificou o jogador para os rubro-negros mais fanáticos, como Felipe Nepomuceno e Pedro Asbeg, que em 2003 lançaram um documentário de 26 minutos sobre o jogador.

"O apelido 'Deus da Raça' é anterior ao jogo de 1978, vem das jogadas que eu fazia, representando o torcedor, com paixão, empenho e toda intensidade. Não media qualquer tipo de lesão, jogava era em prol do trabalho, era minha característica", relembra Rondinelli, que se sente orgulhoso de ter levado a honra das maiores conquistas mesmo quando já não estava mais no Flamengo.

Contratado por uma fortuna ao lado de Paulo César Caju para defender o Corinthians dos tempos do folclórico presidente Vicente Matheus, Rondinelli saiu do Flamengo às vésperas do primeiro jogo da decisão da Copa Libertadores de 1981, quando a equipe dirigida por Paulo César Carpegiani conquistou o título após três conturbadas partidas contra os chilenos do Cobreloa, feito que levou o Rubro-Negro a disputar e vencer o Liverpool por fáceis 3 a 0, na decisão do Mundial Interclubes, em Tóquio.

"Mas logo depois do título, em janeiro de 1982, recebi as faixas de campeão mundial e da Libertadores. Tudo mandado pela comissão e pela convivência de mais de 14 anos que tive com o clube", relata o ex-zagueiro, que ficou apenas 10 meses no Corinthians e se transferiu na seqüência para o Vasco, onde chegou a conclusão que seu legado no Flamengo já estava consolidado, quando teve seu nome gritado mesmo quando estava defendendo o arqui-rival de sua ex-equipe.

"Até hoje quando se faz referência a minha carreira, ninguém lembra do Corinthians, do Vasco. Só se fala do Flamengo, do 'Deus da Raça', porque eu já tinha cumprido tudo dentro do Flamengo", diz o empresário, que além de administrar o R3, uma escolinha de futebol e um posto de gasolina, bate uma bola com amigos de vez em quando.

Rondinelli, porém, não conseguiu participar da comemoração dos 25 anos do título mundial do Flamengo. Convidado para um amistoso em Volta Redonda, o zagueiro não pôde comparecer. Mas seus reencontros com os ex-companheiros acontecem com freqüência.

"Toda vez que posso vou ao Rio, rebobino o filme das minhas maravilhosas memórias vividas pelo Flamengo", afirma Rondinelli, que quando encontra amigos como Zico ainda é chamado de Zeca Baiano, seu apelido dos tempos de infância em São José do Rio Pardo.

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