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02/01/2007 - 17h37
Lula erra ao comparar crime a terrorismo, dizem especialistas

Por Maurício Savarese

BRASÍLIA (Reuters) - Apesar da afirmação taxativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as recentes ondas de violência no Rio de Janeiro e em São Paulo são atos de crime organizado, e não de terrorismo, afirmaram nesta terça-feira especialistas ouvidos pela Reuters. Segundo eles, Lula errou ao classificar ataques criminosos, como os que ocorreram nas duas maiores cidades do país em 2006, matando cerca de 200 pessoas em São Paulo e 19 no Rio, como exemplos de atos terroristas, durante discurso na praça dos Três Poderes, nas festividades pelo início do seu segundo mandato.

"Aqui não tem Bin Laden. Existem, sim, líderes que querem lucrar com atividades ilegais ou benefícios na prisão, como o Marcola, do PCC. Ele e os que se uniram para atacar no Rio não têm ideologia. Essa diferença é básica, mas o presidente não sabe disso", disse à Reuters o juiz Walter Maierovitch.

Para ele, ex-secretário nacional anti-drogas, o Brasil precisa não apenas de uma política forte contra o crime, como disse Lula na segunda-feira, mas também de uma reengenharia da segurança pública para melhor integrar União e Estados.

"O Lula tinha de ser protagonista, mas fez como os outros: deixou o problema para os Estados, omitiu-se. Devia saber que crime organizado não é terrorismo e não é crime comum e que precisa de leis especificas, de um bom órgão coordenador. Se quiser acertar, tem de começar tudo de novo", receitou.

Luiz Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança Pública de Lula, também se disse preocupado após o discurso do presidente. Além do problema na definição de terrorismo, ele viu prejuízo para questões que considera essenciais, como a união das polícias e a criação de um sistema único integrado.

"Existe um erro nessa comparação do crime organizado com o terrorismo e ele tende a tirar o foco do que realmente interessa, como se o problema fosse o crime no varejo. Mais importante é enfrentar o dilema das polícias, que em muitos Estados está comprometida com o crime", afirmou.

TROPAS FEDERAIS

Soares, recém-empossado como secretário de Valorização da Vida e Prevenção da Violência de Nova Iguaçu, violenta cidade da Baixada Fluminense, avalia que as Forças Armadas e a Força Nacional de Segurança podem ajudar no combate à criminalidade, apesar da resistência de governos estaduais durante as crises.

"Pode até ser um paliativo, mas ajuda bastante. O Rio, por exemplo, está em situação crítica e é bom que haja entendimento com o governo federal", disse.

"Por ser crime organizado, ele precisa ser derrubado economicamente, não é como acabar com uma idéia. Eles já sofreriam bastante se o Exército barrasse armas ilegais, se a Aeronáutica identificasse campos de pouso, se a Marinha protegesse o litoral. Mas isso é complementar, não substitui a polícia".

Nesta terça-feira, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB) afirmou que deseja ver as Forças Armadas ajudando a patrulhar as ruas próximas aos quartéis. Ele também confirmou o pedido por tropas da Força Nacional de Segurança para combater a violência no Estado, sem dar mais detalhes.

A antecessora dele no cargo, Rosinha Matheus (PMDB), recusou a ajuda das tropas federais, assim como o ex-governador paulista, Cláudio Lembo (PFL), durante as três ondas de violência no Estado.

Rosinha e o marido, Anthony Garotinho, são adversários políticos de Lula. Lembo assumiu o cargo deixado por Geraldo Alckmin (PSDB) para enfrentar o petista na disputa presidencial deste ano.

Outro ex-secretário nacional de Segurança Pública e coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo, José Vicente da Silva, vê dificuldades não apenas políticas para enfrentar a criminalidade. Ele não aprova o envio de tropas federais ao Rio de Janeiro, mas diz preferir homens das Forças Armadas aos da Força Nacional de Segurança para atuar no Estado.

"A logística é muito complexa, é soldado de todo o Brasil nessa Força Nacional, as tropas já têm pessoas com formação muito diferente. Imagina esse povo todo longe de casa por meses, como vai ser resistir à tentação no Rio", disse.

"Por isso é preciso uma tropa de alta integração, como as do Exército, apesar de eles não terem formação policial. Lá os homens são bem treinados e os comandados conhecem os comandantes".

O juiz Maierovitch reprova a presença no Rio de Janeiro das Forças Armadas, por serem treinadas para matar, e das Forças Nacionais de Segurança, as quais chama de golpe de marketing do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Mas centra as críticas nos governantes brasileiros.

"É revoltante para especialistas ver negociação de tropas com viés político, ver o Lula depois de um mandato inteiro confundir terrorismo com crime organizado, ver o adversário dele na eleição falar da operação Maõs Limpas da Itália como combate ao crime organizado, quando falava de combate à corrupção partidária. Nenhum deles entende direito do assunto".

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