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02/05/2007 - 17h45
Proporção de católicos no Brasil pára de cair, diz estudo da FGV

Reuters
Fiel acena bandeira do Brasil à passagem do papa Bento 16 no Vaticano
PAPA FAZ SAUDAÇÃO EM PORTUGUÊS

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Quando o papa Bento 16 chegar ao Brasil, neste mês, receberá uma boa notícia, segundo um estudo divulgado na quarta-feira: o percentual de católicos entre a população do país, decaindo desde que há registros, se estabilizou com o novo milênio.

"É uma surpresa para a própria Igreja, porque os dados do Vaticano, os dados que estavam circulando, tinham uma visão mais pessimista sobre a taxa de católicos no Brasil", disse o economista Marcelo Néri, coordenador do trabalho. Segundo dados socioeconômicos dos censos demográficos, o percentual de brasileiros católicos vinha diminuindo desde o primeiro estudo, em 1872, e de forma acelerada na década de 1990, quando o retrocesso foi de um ponto percentual anual.

Em 1872, 99,72% dos brasileiros eram considerados católicos, taxa que caiu para 82,24% em 1991, quando a queda se acelerou para chegar a 73,89% em 2000.

"Era [na década de 1990] uma queda de um ponto percentual por ano, uma queda em aceleração", disse Néri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Mas o estudo "Economia das Religiões: mudanças recentes" mostrou que a porcentagem de católicos no Brasil se estabilizou com o novo milênio e em 2003, último ano sobre o qual há dados, a taxa alcançou 73,79% da população.

"O que o estudo mostra é essa estabilidade [da porcentagem de católicos no país] de 2000 a 2003, que nos surpreendeu", disse Néri em entrevista coletiva.

O retrocesso da religião católica na década de 1990 se registrou por causa de um crescimento dos crentes evangélicos, que de 9% em 1991 passaram a constituir 16,2% da população em 2000.

O estudo também mostrou que nos três primeiros anos do novo milênio os evangélicos continuaram crescendo, alcançando 17,9% em 2003. No entanto, à diferença do ocorrido nas últimas décadas, as igrejas evangélicas se nutriram de não religiosos, em lugar de católicos arrependidos.

"O que caiu [entre 2000 e 2003] foram basicamente os sem religião, que eram 7,4% em 2000 e 5,1% em 2003, exatamente o mesmo nível de 1991", disse Néri. "Basicamente, a história é a substituição dos sem religião por evangélicos, pentecostais e tradicionais", acrescentou.

Algumas das razões para a redução na queda do catolicismo no Brasil poderiam ser a maior estabilidade econômica do país e melhor distribuição de renda para os mais pobres, entre os quais essa religião tem maior penetração, disse Néri.

A globalização também poderia ter incidido, já que a Igreja Católica tem uma difusão mundial.

O estudo, baseado em censos oficiais de 2002 e 2003, também indicou que os católicos, sendo 73,8% da população, apenas contribuem com 30,9% das doações feitas às igrejas.

Já os pentecostais, que constituem 12,5% da população, contribuem com 44% do total de doações, e os evangélicos tradicionais, 22,7%. Também os evangélicos, em geral, têm 3,7 vezes mais pastores que o conjunto de padres, freiras e outros religiosos católicos.

Segundo o estudo, existem 17,9 vezes mais pastores evangélicos por cada fiel que padres católicos.

Algumas das razões para essa diferença, afirmou Néri, podem ser o celibato a que estão obrigados os sacerdotes católicos e ao fato de deverem dedicar cerca de nove anos para se formar, enquanto um pastor evangélico o faz ao final de meses.

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