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29/08/2007 - 18h01
Conheça alguns dos casos narrados no livro sobre a tortura no Brasil

Da redação
Em São Paulo

Entre as histórias narradas no livro-documento "Direito à Memória e à Verdade", lançado nesta quarta-feira, em Brasília, em evento que contou com a participação do presidente Lula, encontram-se casos famosos como o do jornalista Vladimir Herzog, o militar e guerrilheiro Carlos Lamarca e o estudante Stuart Edgar Angel Jones, filho de Zuzu Angel. Além destes, o documento também traz histórias não tão conhecidas, mas com igual ou maior teor de violência. Veja alguns trechos do livro:


Direito à Memória e à Verdade
João Carlos Haas Sobrinho (1941-1972)
João Carlos Haas Sobrinho (1941-1972)
Gaúcho, formou-se médico na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1964 e envolveu-se, nesta época, nos movimentos estudantis, sendo inclusive presidente da União Estadual dos Estudantes no Estado. Em janeiro de 1966, teria ido para São Paulo com a finalidade de completar seus estudos na área médica. Até 1968 a família recebeu suas cartas. Desde então, não houve mais correspondências. Mudou-se para Porto Franco, município maranhense na rodovia Belém-Brasília, onde montou um pequeno hospital. Passou a ser perseguido pelos órgãos de segurança do regime militar e mudou-se para as margens do Araguaia, onde se tornou o responsável pelo serviço de saúde. Participou de vários combates, e no ano de 1979, seus familiares tomaram conhecimento de sua morte pela imprensa alternativa, com a divulgação de uma lista de mortos e desaparecidos políticos. Moradores do Araguaia contam que seu corpo mutilado foi exposto em praça pública pelos militares para assustar os moradores da região, muitos dos quais tinham recebido sua ajuda médica. Até hoje seus restos mortais não foram encontrados.


Direito à Memória e à Verdade
Padre Antônio Henrique Pereira Neto (1940-1969)
Padre Antônio Henrique Pereira Neto (1940-1969)
Assassinado em Recife, em maio de 1969, padre Henrique era coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Olinda e Recife, professor e especialista em problemas da juventude. Auxiliar direto do arcebispo Dom Hélder Câmara, foram ambos autores de reiteradas e contundentes denúncias sobre os métodos de repressão utilizados pelo governo militar. Recebia constantes ameaças de morte por parte do chamado CCC (Comando de Caça aos Comunistas). Foi seqüestrado em 26/05/1969, sendo seu corpo encontrado no dia seguinte, em um matagal da Cidade Universitária de Recife, pendurado de cabeça para baixo numa árvore, com marcas evidentes de tortura: hematomas, queimaduras de cigarro, cortes profundos por todo o corpo, castração e dois ferimentos produzidos por arma de fogo. O inquérito de sua morte foi arquivado e nenhum dos acusados foi condenado, apesar dos testemunhos e das provas irrefutáveis.


Direito à Memória e à Verdade
Nilda Carvalho Cunha (1954-1971)
Nilda Carvalho Cunha (1954-1971)
Aos 17 anos, Nilda fazia o curso secundário e trabalhava como bancária quando passou a militar no MR-8. Presa em agosto de 1971, em Salvador (BA), junto com Jaileno Sampaio, também militante, foi levada para o Quartel do Barbalho e, depois, para a Base Aérea de Salvador, onde foi torturada. Liberada no início de novembro, profundamente debilitada em conseqüência das torturas sofridas, morreu no mesmo mês, com sintomas de cegueira e asfixia. No seu prontuário constava que não comia, via pessoas dentro do quarto, sempre homens, soldados, e repetia incessantemente que ia morrer, que estava ficando roxa. A causa da morte nunca foi conhecida. O atestado de óbito diz: edema cerebral a esclarecer. Esmeraldina Carvalho Cunha, que denunciou incessantemente a morte da filha como conseqüência das torturas, foi encontrada morta em sua casa, cerca de um ano depois. A hipótese de suicídio foi contestada.


Direito à Memória e à Verdade
Esmeraldina Carvalho Cunha (1922-1972)
Esmeraldina Carvalho Cunha (1922-1972)
Esmeraldina foi encontrada morta na sala de sua casa, em Salvador (BA), no dia 20 de outubro 1972, aos 49 anos. O corpo estava pendurado num fio de máquina elétrica. Na época, sua morte foi caracterizada como suicídio, tese contestada pela família. Relato de uma de suas cinco filhas dizia que Esmeraldina comprara novos móveis para a casa um dia antes de morrer e que, ao encontrar a mãe dependurada, pudera ver marcas de sangue no chão, que sua face não estava arroxeada, nem sua língua estava para fora, que não houvera deslocamento da carótida, e que mal trazia marca do fio no pescoço. Depois de perder Nilda, a filha mais nova, vítima de tortura, ela iniciou uma luta para denunciar as atrocidades a que eram submetidos os opositores do regime militar na época. Foi perseguida, mas nunca calou-se, e por isso a Comissão Especial considerou que a documentação confirmava que a morte de Esmeraldina Carvalho Cunha se deu em conseqüência de seus atos públicos contrários aos interesses da época, resultantes de seu inconformismo.


Direito à Memória e à Verdade
Carlos Eduardo Pires Fleury (1945-1971)
Carlos Eduardo Pires Fleury (1945-1971)
Nascido em São Paulo, estudou filosofia na USP e direito na PUC-SP, quando se engajou no movimento de resistência clandestina ao regime militar. Em sua primeira prisão, em 1969, relatou em uma carta as torturas sofridas: levou choques de 220 volts durante mais de cinco horas seguidas, pendurado no pau-de-arara, tendo inclusive sofrido uma parada cardíaca. Foi solto, voltou a atuar na clandestinidade, e certa vez ,ao tentar escapar de agentes, entrou em uma loja na avenida brigadeiro Luis Antônio (SP), apossou-se de uma tesoura e a enfiou no peito, embora a lâmina não tenha atingido órgão vital. Recuperado, voltou à prisão e sofreu nova série de torturas. Um dos principais dirigentes do Molipo (Movimento de Libertação Popular), foi morto misteriosamente no Rio de Janeiro em dezembro de 1971. Laudo de sua morte indica que teria sido encontrado morto no interior de um veículo com um tiro. Mais tarde, ficou comprovado que Carlos Eduardo tinha marcas perceptíveis de algemas nos pulsos e ferimentos da trajetória dos 12 tiros que recebeu, além de escoriações por todo o corpo.


Direito à Memória e à Verdade
Neide Alves dos Santos (1944 - 1976)
Neide Alves dos Santos (1944 - 1976)
Nascida no Rio de Janeiro e tendo como última ocupação profissional o trabalho como caixa de um supermercado em São Paulo, Neide Alves dos Santos era ligada ao Comitê Central do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Morreu em 7 de janeiro de 1976 e a versão policial foi de que ateou fogo ao próprio corpo numa praça da capital paulista. Desapareceu de casa no início de janeiro de 76, quando levava alguns discos para ouvir na casa de uma amiga. Nunca mais voltou. Já havia sido presa uma vez por sua ligação com o PCB e voltara com marcas de tortura espalhadas pelo corpo. Investigações da Comissão Especial comprovaram que teve 70% do corpo queimado durante ação dos agentes que atuavam contra os opositores do regime militar.


Direito à Memória e à Verdade
Maria Auxiliadora Lara Barcellos (1945 - 1976)
Maria Auxiliadora Lara Barcellos (1945 - 1976)
Maria Auxiliadora, nascida em Antônio Dias (MG), atirou-se nos trilhos de um trem na estação de metrô Charlottenburg, em Berlim, Alemanha Ocidental, em 1º de junho de 1976, tendo morte instantânea. Membro da VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares), foi vítima de torturas no Brasil, tendo passado pelos presídios de Bangu, no Rio de Janeiro, e Linhares, em Juiz de Fora. Foi banida e enviada para o Chile com outros 69 presos políticos no dia 13 de janeiro de 1971, no episódio do seqüestro do embaixador suíço no Brasil. Nunca mais conseguiu se recuperar plenamente das profundas marcas psíquicas deixadas pelas sevícias e violências de todo tipo a que foi submetida.


Direito à Memória e à Verdade
Massafumi Yoshinaga (1949 - 1976)
Massafumi Yoshinaga (1949 - 1976)
Ligado a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), Massafumi Yoshinaga cometeu suicídio em 7 de julho de 1976, na cidade de São Paulo, em sua casa na Vila Odete, seis anos depois de ficar nacionalmente conhecido como um dos militantes de esquerda que gravaram depoimentos renegando as convicções políticas anteriores e repudiando suas organizações clandestinas. Essas gravações foram levadas ao ar em cadeia nacional de rádio e TV. Hoje, é sabido que muitos desses casos de "arrependimento", termo utilizado nas notas oficiais dos órgãos de segurança, foram na verdade resultado de torturas. Na primeira tentativa de suicídio, Massafumi se jogou embaixo de um ônibus; na segunda, tentou se jogar pela janela; na terceira e última, se enforcou com a mangueira de plástico do chuveiro, em sua casa.


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