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08/01/2008 - 23h18

Polícia recupera na Grande São Paulo as duas telas furtadas do Masp; dois suspeitos são presos

Fabiana Uchinaka
de São Paulo (*)
Policiais do Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado) da Polícia Civil de São Paulo localizaram nesta terça-feira (8) em Ferraz de Vasconcelos (39 km a leste de São Paulo) as telas "O Lavrador de Café" (1939), de Candido Portinari, e "Retrato de Suzanne Bloch", de Pablo Picasso (1904). As obras, que haviam sido furtadas em 20 de dezembro do ano passado, estavam intactas. Dois suspeitos foram presos.

Um dos envolvidos com o furto, Robson de Jesus Jordão, 32, foi preso nesta terça em São Paulo e confirmou o local onde as telas estavam escondidas. Os quadros estavam em uma casa na periferia de Ferraz de Vasconcelos, encostados em uma parede e cobertos por uma capa. Não havia mais ninguém na casa.

O outro suspeito, Francisco Laerte Lopes de Lima, 33, havia sido preso dez dias antes e, por intermédio de informações transmitidas por ele, a polícia chegou ao local onde eram mantidas as telas.

Segundo a polícia, os dois têm extensa ficha criminal, com condenações por roubo qualificado, e Robson é foragido da penitenciária de Valparaíso (577 km a noroeste de SP). Eles também seriam os responsáveis pela tentativa frustrada de furto no museu ocorrida em 29 de outubro do ano passado, impedida pelo acionamento do alarme. Não há indícios da ligação deles com nenhuma quadrilha.

"É evidente que eles não cometeram esse furto para eles", disse o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Mauricio José Lemos Freire. "Fizeram por encomenda e é isso que vamos investigar agora".

Segundo o delegado, também foi descartada a hipótese de participação de funcionários do Masp no furto. Lemos Freire disse que a investigação do caso continua e que corre sob segredo de Justiça.

Crédito
Policial mostra obra de Picasso recuperada
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De volta ao museu

O presidente do Masp, Júlio Neves, que esteve na sede do Deic acompanhado de cinco peritos, disse que os quadros são legítimos e estão em perfeito estado de conservação. Segundo a polícia, eles ficam na delegacia até serem devolvidos ao museu, o que deve acontecer na manhã desta quarta (9), às 11h. Com isso, o museu, que será reaberto na sexta (11), voltará a receber o público já com os dois quadros de volta ao seu acervo.

"Tudo que é possível em matéria de tecnologia no mundo estamos fazendo. Só não podemos dizer exatamente o que temos e onde temos", disse Neves, sobre as novas medidas de segurança do Masp.

Como foi o furto

Pelo menos três assaltantes levaram apenas três minutos para furtar as obras, no dia 20 de dezembro. A ação ocorreu entre 5h09 e 5h12, segundo o boletim de ocorrência, registrado por um engenheiro do Masp.

A ação ocorreu pouco depois da troca de turno da segurança, que ocorre às 5h. No momento da ação, havia 4 vigias no museu, um deles o chefe de segurança, que havia acabado de chegar. Dois deles estavam no subsolo, e dois faziam ronda pelo museu.

Os dois seguranças ouvidos pela polícia no dia do crime alegaram que não ouviram barulhos. O chefe de segurança teria sido o primeiro a perceber o furto.

Os quadros estavam nas paredes de duas salas diferentes e foram levados com as molduras. Na ação, foram usados um pé-de-cabra e um macaco hidráulico.

No dia do furto, o Masp salientou que "ao longo dos seus 60 anos de atividades nunca sofreu uma ocorrência desta natureza" e afirmou que, por isso, foi instaurada uma sindicância interna visando "a total colaboração com o trabalho policial". Na época, o museu não tinha alarme. Depois de dois adiamentos, a reabertura do museu foi marcada para esta sexta-feira.

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público investigava a possibilidade de as obras terem sido levadas para algum país do Leste Europeu, segundo o promotor Roberto Porto.

Esta semana, o bibliófilo e editor Pedro Corrêa do Lago declarou em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, na "Folha de S.Paulo", que o quadro atribuído a Jean-Baptiste Debret (1768 a 1848) no acervo do Masp seria, na verdade, do italiano Augustin Brunias (1730 a 1796).

(*) Com Felipe Gil, de São Paulo, e agências

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