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09/01/2008 - 11h28

Obras retornam ao Masp sob forte esquema de segurança

Gabriela Sylos

Em São Paulo*
As telas "O Lavrador de Café" (1939), de Candido Portinari, e "Retrato de Suzanne Bloch", de Pablo Picasso (1904), recuperadas pela polícia na última terça-feira, retornaram ao Masp (Museu de Arte de São Paulo) às 10h55 de hoje, sob forte esquema de segurança. As obras foram transportadas por policiais do Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado) da Polícia Civil de São Paulo em um carro climatizado. A operação envolveu 40 policiais, 12 motos, 10 viaturas e mais o helicóptero Pelicano da polícia. A avenida Paulista chegou a ser interditada para que as telas fossem retiradas. Curiosos aplaudiram.

O secretário estadual de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, entregou oficialmente os quadros à direção do museu durante a coletiva de imprensa. "São Paulo mostra mais uma vez que tem a melhor polícia do Brasil", acrescentou. Além dele, mais de 30 pessoas subiram ao palco, entre entre integrantes do conselho do Masp e autoridades da Secretaria de Segurança do Estado e da Polícia Civil.

Na ocasião, Julio Neves, presidente do museu, também elogiou a ação da polícia paulistana e a cobertura da imprensa na solução do caso.

"Em 60 anos de funcionamento, o museu não teve qualquer tipo de ocorrência. Os visitantes têm consciência da importância da coleção e de nosso trabalho. Isso que aqui esta é um patrimônio da humanidade, e sobretudo de nosso país. Trabalharemos para a conservação desta coleção para as próximas gerações", disse.

Neves garantiu que o museu reabre ao público na sexta-feira já com a segurança renovada. Um novo sistema -de última geração, segundo o presidente- foi doado ao museu pelas empresas GP, LG e outras não divulgadas. Por motivos de segurança, o diretor não revelou os custos nem especificou por quais modificações o Masp passou.

Julio Neves assegurou também que os quadros recuperados são mesmo as obras do acervo permanente do museu, que foram furtadas em 20 de dezembro. Segundo ele, a autenticidade foi comprovada por uma equipe de peritos do museu e também por especialistas da Polícia Civil de São Paulo.

Crise
O presidente do Masp negou que o museu esteja passando por uma crise e lamentou que o apoio, inclusive financeiro, venha somente perante uma "tragédia como esta".
"Isso aqui é uma família que tem feito um trabalho fantástico. Somos muitas vezes criticados, mas estamos fazendo o possível para melhorar", acrescentou.

Julio Neves confirmou que não pretende continuar na administração do museu e não vai concorrer ao cargo de presidente nas próximas eleições.

Novas exposições
O Masp vai abrir as suas portas para convidados já na noite da próxima quinta-feira, quando serão inauguradas duas exposições: "Tatsumi Orimoto" e "Caçadores de Sombra".

Segundo Neves, o curador do museu José Teixeira Coelho está neste momento na Europa fechando novas exposições para os anos de 2008 e 2009.

O furto
As obras haviam sido furtadas em 20 de dezembro do ano passado, em uma ação que envolveu pelo menos três bandidos e durou apenas três minutos. Os quadros foram encontrados intactos em uma casa na periferia de Ferraz de Vasconcelos (39 km a leste de São Paulo). Duas pessoas foram presas.

Segundo a polícia, os dois suspeitos (Robson de Jesus Jordão e Francisco Laerte Lopes de Lima) têm extensa ficha criminal, com condenações por roubo qualificado. Um deles (Robson) é foragido da penitenciária de Valparaíso (577 km a noroeste de SP).

Os mesmos suspeitos também seriam os responsáveis pela tentativa frustrada de furto no museu ocorrida em 29 de outubro do ano passado. Não há indícios da ligação deles com nenhuma quadrilha.

Na terça-feira, o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Mauricio José Lemos Freire, que cuida do caso, afirmou ser "evidente que eles não cometeram esse furto para eles. Fizeram por encomenda ou para chegar a algum ponto."

Segundo o delegado, também foi descartada a hipótese de participação de funcionários do Masp no furto. Após a coletiva de imprensa desta quarta, Lemos Freire afirmou que a polícia não recebeu nenhum pedido de resgate pelas obras antes de recuperá-las. O delegado disse que a investigação continua e que corre sob segredo de Justiça.

O museu reabre suas portas na próxima sexta-feira (11), e segundo sua direção, as obras - avaliadas em cerca de R$ 100 milhões - já estão prontas para serem expostas aos visitantes.

*Com reportagem de Fabiana Uchinaka e Felipe Gil, em São Paulo, e Reuters

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