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11/01/2008 - 19h17

Colômbia rejeita proposta de Chávez para tirar Farc da lista de terroristas

Das agências internacionais
O governo colombiano criticou nesta sexta-feira (11) o pedido feito pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, à comunidade internacional para que retire as guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) da lista de grupos terroristas.

O ministro do Interior colombiano, Carlos Holguín, qualificou o pedido de "insólito e desproporcional". "Não podemos admitir isso", disse.

A LIBERTAÇÃO
Reuters
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Chávez começou seu pronunciamento pedindo aos governos do continente e do mundo que "reconheçam as Farc e o ELN como forças insurgentes da Colômbia, e não como grupos terroristas".

As Farc, com 17 mil combatentes, e o ELN, com 5 mil, ativos há mais de 40 anos, estão incluídos nas listas internacionais de grupos terroristas.

"Estes grupos não são considerados terroristas pelo que dizem, mas pelo que fazem", disse Holguín.

José Obdulio Gaviria, principal assessor do presidente colombiano, Álvaro Uribe, qualificou esses grupos como "organizações que exercem a violência contra um governo democrático e contra o povo colombiano".

Ele lembrou que a Colômbia não tem oposição política armada e que se estas organizações são qualificadas de terroristas, é unicamente por seus atos. "Este é um assunto definido internacionalmente", disse.

Já a presidente do Congresso colombiano, Nancy Patricia Gutiérrez, disse que "houve um equívoco muito grande por parte de Chávez". "Não posso compartilhar", disse Gutiérrez, sobre as declarações feitas hoje por Chávez, de que as organizações guerrilheiras eram na verdade "exércitos, com um projeto político".

Recém libertada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a política Clara Rojas disse que deseja encontrar seu filho Emmanuel, nascido em cativeiro, o mais rápido possível. "Desejo encontrar Emmanuel imediatamente", disse Clara, que passou quase seis anos em poder dos guerrilheiros.
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Por sua parte, a ex-ministra da Defesa e atual congressista Marta Lucía Ramírez afirmou que o governo venezuelano "está revelando seu discurso duplo", e qualificou as declarações de Chávez como uma "intromissão abusiva" na situação interna da Colômbia.

Pedido de Chávez

O presidente venezuelano Hugo Chávez pediu nesta sexta-feira (11) aos países de América Latina e da Europa que retirem das listas de grupos terroristas as guerrilhas colombianas das Farc e do ELN e os reconheça como forças insurgentes.

"Solicito aos governos do continente (latino-americano) que retirem as Farc e o ELN da lista de grupos terroristas do mundo; peço à Europa que retire as Farc e o ELN da lista de grupos terroristas do mundo porque essa lista tem uma única causa, a pressão dos Estados Unidos", disse Chávez ante a Assembléia Nacional venezuelana, ao apresentar seu relatório anual de 2007.

"As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN) não são nenhum corpo terrorista, são verdadeiros exércitos que ocupam espaço na Colômbia; é preciso dar a eles reconhecimento, pois são forças insurgentes que têm um projeto político, um projeto bolivariano, que aqui é respeitado", completou.

Reprodução
Mapa da Colômbia com local da libertação
INFOGRÁFICO: A AÇÃO DE RESGATE
O pedido acontece um dia depois das reféns colombianas Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo, que eram mantidas em cativeiro pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia havia cinco anos. A libertação foi intermediada pelo governo da Venezuela.

O governo colombiano, no entanto, descartou qualquer possibilidade de reconhecer as guerrilhas colombianas. "É uma proposta insólita e desproporcional; o governo não pode admitir um pedido dessa natureza", afirmou o ministro do Interior, Carlos Holguín.

Reconhecimento
Mais cedo, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, reconheceu o trabalho de seu colega da Venezuela, Hugo Chávez, na libertação das reféns e também propôs uma negociação com as Farc.

"Nossa gratidão ao presidente da irmã República Bolivariana da Venezuela, Hugo Chávez, por seu esforço e eficiência na libertação de nossas compatriotas", disse Uribe, num discurso transmitido por rádio e televisão na noite desta quinta-feira, quase dois meses depois de ter afastado o governante venezuelano das negociações com as Farc.

Depois de suspender a mediação de Chávez, no dia 21 de novembro, Uribe só autorizou a operação humanitária no dia 26 de dezembro, depois de um pedido do presidente venezuelano.

"Devo reconhecer que foi eficaz o processo promovido pelo presidente Chávez, que obteve a libertação unilateral e incondicional de nossas compatriotas", acrescentou Uribe, no pronunciamento desta quinta.

O presidente também agradeceu a senadora oposicionista colombiana Piedad Córdoba, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e observadores internacionais, por suas atuações. Destacou ainda o trabalho de Cuba, que "nos cinco anos e meio deste governo" tem feito todos os esforços pela paz na Colômbia.

No discurso, o presidente revelou que o Exército estava a apenas dois quilômetros do ponto onde as reféns foram entregues. E ressaltou que os soldados colombianos "cumpriram com honra" o compromisso assumido para facilitar a libertação. Além de dizer à guerrilha que seu governo "está pronto para a paz."

"Nosso governo está pronto para a paz com a mesma convicção com a qual conduzimos a política de segurança democrática", ressaltou, convidando as Farc "a uma negociação sincera, ágil, simples e de boa fé, cercada por garantias democráticas."

Uribe afirmou que, desde que chegou ao poder, em agosto de 2002, "a oposição radical teve plenas garantias". "As Farc diziam no passado que se desmobilizariam se houvesse garantias para a oposição radical", disse, acrescentando que seu governo "desmantelou o paramilitarismo", outra condição dos rebeldes para se desarticularem. "Está na hora de cumprirem a sua promessa", cobrou.

O presidente lembrou que a "lista de seqüestrados não libertados é grande", lendo uma lista com o nome dos que foram seqüestrados em várias ações do grupo rebelde nos últimos dez anos.

"Não retornaram 750 colombianos seqüestrados pelas Farc", ressaltou, lembrando que apenas 45 deles seriam libertados em troca de 500 rebeldes presos na Colômbia. O presidente insistiu que segue vigente sua proposta de criação de uma zona de encontro, para a negociação da troca do grupo pelos guerrilheiros presos.

A área de 150 km2, sugerida pela Igreja Católica, fica no departamento de Valle, no sudoeste do país. O governo colombiano aceitou a proposta há algumas semanas. "Queremos avançar por este caminho até a libertação de todos os reféns", disse Uribe.

"Temos a felicidade pela libertação das duas compatriotas seqüestradas, mas também a dor pelo cativeiro no qual permanecem todos estes compatriotas", destacou.

As Farc também se pronunciaram em favor de uma negociação de paz que ponha fim ao conflito de mais de quatro décadas na Colômbia. "Demos este primeiro passo que convida a se pensar na possibilidade de paz na Colômbia", disse o grupo, em comunicado divulgado pela Agência Bolivariana de Imprensa.

Assim como fez Uribe, as Farc também agradeceram à colaboração do presidente venezuelano Hugo Chavez. O grupo agora quer convencer o governo colombiano a retirar o exército e a política de uma zona montanhosa de 780 km quadrados, para que delegados das duas partes se reúnam e negociem um acordo. A guerrilha quer trocar os reféns por 500 rebeldes presos pelo governo.

Outros pedidos de libertação
Em Washington, o Governo dos Estados Unidos voltou a pedir que o grupo guerrilheiro também liberte três americanos que estão em seu poder desde 2002: Marc Gonsalves, Keith Stansell e Thomas Howes, que prestavam serviços para o Pentágono em território colombiano.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha expressou em comunicado que "ainda preocupa o destino dos demais reféns em poder dos grupos armados, assim como de seus parentes, que continuam esperando a liberdade de seus entes queridos".

O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, disse, após receber a notícia, que espera agora que a guerrilha liberte os outros 700 seqüestrados que as Farc têm em seu poder, e que está disposto a facilitar operações semelhantes.

Horas antes do discurso de Uribe, o ministro do Interior e de Justiça, Carlos Holguín, se disse "feliz", mas "pensando nos outros" seqüestrados. "Estamos muito contentes, muito satisfeitos por Clara e Consuelo já estarem gozando de sua liberdade, que desejaram durante todos esses anos e que todos nós colombianos queríamos que elas obtivessem", disse Holguín.

Em Caracas, a senadora colombiana Piedad Córdoba confirmou que as Farc enviaram novas "provas de vida" de seqüestrados ao presidente venezuelano. Segundo Córdoba, as provas se referem a Alan Jara, Jorge Turbay, Gloria Polanco, Orlando Beltrán, Eduardo Gechem, um coronel de sobrenome Mendieta, um homem chamado "William" e "outros policiais e soldados".

O prefeito de Bogotá, Samuel Moreno, defendeu um acordo humanitário com as Farc. Ele falou a cerca de 300 pessoas que se reuniram na Praça de Bolívar, no coração da capital colombiana, diante de fotos de Rojas e González.

Moreno pediu que as Farc libertem todos os seqüestrados e disse acreditar que este ano todos os reféns vão recuperar a liberdade.

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