UOL Notícias Notícias
 

05/03/2008 - 03h22

Brasil é o país com maior consumo de inibidores de apetite, diz órgão da ONU

Da Redação
Em Brasília
O Brasil foi citado como destaque negativo no relatório anual da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), pelo aumento do uso de drogas inibidoras de apetite. O órgão fiscaliza a aplicação das convenções da ONU sobre o controle de drogas.

O relatório 2007, divulgado nesta quarta-feira, ressalta que o Brasil continua sendo o país em que mais se consome os chamados anorexígenos, seguido da Argentina e dos Estados Unidos. Na América, o consumo desse tipo de estimulante (como fentermina, fenpropex, anfepramona e fendimetracina) é três vezes maior do que no resto do mundo.

BRASIL DEFENDE-SE
O secretário nacional Anti-Drogas, Paulo Roberto Uchôa, rebateu pontos do relatório divulgado pela Jife (Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes) e disse que o país está no caminho certo no combate às drogas.

Uchôa criticou, por exemplo, a afirmação contida no relatório de que o Brasil é um "importante produtor de cannabis (maconha)". "A palavra importante nos estarreceu um pouco. Não consideramos o Brasil um produtor importante, se produz muito pouco", afirmou.
LEIA MAIS
ROTA DE DROGAS
MAIS NOTÍCIAS
Essas drogas podem causar dependência e, no Brasil, o problema do uso indiscriminado se agrava com as compras de medicamentos e preparados farmacêuticos contrabandeados, sem nenhum controle médico.

Com a constatação do quadro, a Jife solicita ao governo brasileiro medidas rápidas contra o uso indevido dos estimulantes. Também recomenda a monitoração de possíveis exageros na indicação de anorexígenos e controle dos canais de distribuição das substâncias deste tipo.

País já havia sido alertado em 2003
As recomendações vieram acompanhadas da ressalva de que o uso de drogas estimulantes e anorexígenos aumentou no Brasil mesmo depois de uma série de solicitações já feitas em 2003. Naquele ano, uma missão da Junta havia visitado o país, e uma nova visita foi realizada em dezembro de 2006, sem que o quadro tivesse melhorado neste período.

A Jife também pediu atenção a problemas que impedem uma ação mais eficiente na fiscalização, como a falta de cooperação entre organismos estaduais e federais, poucos recursos, lentidão da Justiça e casos de corrupção na polícia e no Poder Judiciário.

Crime organizado
Outro item do relatório menciona o Brasil de forma negativa, como país que tem fracassado na tentativa de acabar com a violência oriunda do tráfico de drogas. O texto diz ainda que "como resultado do crime organizado relacionado com as drogas, aumentaram os atos de violência e homicídios cometidos por quadrilhas nas grandes zonas urbanas." Estes atos de violência incluem seqüestro, extorsão e tráfico de armas.

Como escala na rota do tráfico internacional, o Brasil é visado por ter zonas pouco povoadas na selva amazônica, que facilitam a operação criminosa. Pelo país passa principalmente cocaína da Colômbia e Bolívia -a estimativa das autoridades brasileiras é que 70% da cocaína boliviana sejam contrabandeadas passando pelo Brasil. Daqui, a droga vai para África, Europa e América do Norte, o que leva a Jife a recomendar cooperação entre os países africanos e o Brasil no combate ao tráfico.

O relatório, contudo, destaca também algumas ações que merecem continuidade, como a combinação de medidas tradicionais de repressão antidroga a políticas sociais atuais.

"No Rio de Janeiro foram empreendidas atividades destinadas a reduzir o tráfico de drogas e a delinqüência nas zonas de favelas, visando tornar mais seguros os locais públicos e oferecer serviços de saúde, educação e proteção à população local", diz o texto.

No âmbito mundial, a Jife pede aos governos que apliquem a lei segundo a proporcionalidade dos delitos, para que usuários e traficantes sejam tratados de forma distinta. O Brasil já atende a esta solicitação, com o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas, mas ainda pode aperfeiçoar a lei, segundo a Junta, que considera insuficientes os serviços de tratamento destinado aos usuários de drogas no país.

Jovens
Uma atenção especial é dada ao papel das celebridades que fazem apologia ao uso de drogas, influenciando os jovens. Para a Jife, os governos devem ficar atentos a essas pessoas famosas, cujo estilo de vida pode enfraquecer as iniciativas de redução do uso de substâncias ilícitas.

Pesquisas feitas com estudantes mostram diferenças no tipo de droga consumido pelos brasileiros em relação aos demais países da América do Sul. No continente, a maconha é a droga ilícita mais consumida, enquanto no Brasil, tirando o álcool, solventes e inalantes são os mais presentes entre estudantes da rede pública.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host