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05/03/2008 - 12h28

Venezuela mobiliza forças armadas na fronteira com a Colômbia

Da Redação*
O Ministério de Defesa da Venezuela anunciou nesta quarta-feira a mobilização de forças por "terra, mar e ar" na fronteira com a Colômbia para realizar um trabalho de "defesa" da região, em meio à crise ocasionada pela incursão militar colombiana no Equador, que resultou na morte de um líder guerrilheiro das Farc.

A Força Armada Nacional da Venezuela (FAN) determinou o deslocamento de dez batalhões, o equivalente a 8 mil soldados, aos Estados fronteiriços de Zulia, Táchira e Apure. O ministro do Poder Popular Para a Defesa, general Gustavo Rangel, afirmou que "esta ação não é contra o povo colombiano, e sim contra as ânsias de expansionistas do império dos Estados Unidos".
Nesta quarta-feira, enquanto o presidente do Equador, Rafael Correa, se reunia como presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília, a FAN concedia uma entrevista coletiva em Caracas para explicar a mobilização militar.

O ministro venezuelano leu um comunicado em que o alto comando da FAN afirma que "a Venezuela pode dormir tranquila e confiar nas suas forças armadas". De acordo com ele, "a FAN está unida e não protege a ninguém que esteja fora do império da lei", uma referência aos guerrilheiros das Farc, a quem o presidente venezuelano, Hugo Chávez, é acusado de dar apoio. "Quando a História julgar o presidente Chávez, ficará comprovado que ele é um dos chefes de estado mais legalistas que já passaram pelo cargo", afirmou.

Na mesma roda de imprensa, estava presente o chefe do comando estratégico operacional da Força Armada Nacional, general de divisão Jesús Gregorio González. Segundo ele, as unidades militares cumpriram a ordem do presidente Chávez de mobilizar 10 batalhões na fronteira com a Colômbia. "Aproximadamente entre 85% 90% de efetivos (dos dez batalhões) estão mobilizados onde deveriam estar", disse.

Os dois generais afirmaram que a maior preocupação das FAN, atualmente, é manter a paz na Venezuela. De acordo com eles, a fronteira do país com a Colômbia não está fechada, e sim vigiada. "Qualquer pessoa que entrar armada no território da Venezuela será considerada inimiga
da Força Armada Bolivariana", concluiu González.

Equador mobiliza 160 homens
Ao saber das declarações da FAN, o governo do Equador resolveu divulgar que também enviou reforços para a sua fronteira com a Colômbia. Mas o contingente enviado é muito menor que o venezuelano. São 160 soldados Iwia (palabra indígena shuar que significa demônio), divididos em quatro equipes, intensificaram a patrulha na região de Sucumbíos, que faz limite com o departamento colombiano de Putumayo, com grande influência guerrilheira.

Armados com fuzis e metralhadoras HK de fabricação alemã e lança-granadas RPG-7 russos, os militares partiram em caminhões todo-terreno da base do Grupo das Forças Especiais Raio 24 do Exército, acantonado no Lago Agrio, capital de Sucumbíos e núcleo petroleiro do Equador.

Comércio interrompido
De acordo com reportagem da BBC, até a manhã desta quarta-feira, a fronteira entre a Venezuela e a Colômbia contava apenas com os efetivos regulares que cuidam do trânsito de pedestres e de automóveis. O trânsito de caminhões foi interrompido, quando o governo decidiu fechar a fronteira, interrompendo o comércio local. Os postos de gasolina também foram fechados. No lugar dos frentistas foram colocados cartazes indicando "desculpem-nos, não há gasolina".

O transporte de gasolina da Venezuela para a Colômbia é a principal atividade econômica na fronteira. "Não temos o objetivo de cruzar a fronteira, nosso trabalho é de defesa", afirmou o ministro de Defesa, Gustavo Rangel. "Estamos trabalhando pela paz, mas preparados para defender nossa soberania", completou.

Analistas duvidam que a Venezuela tenha condições de se defender da Colômbia em caso de guerra. Segundo números de 2007 do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, com sede em Londres, a Colômbia tem mais de 258 mil pessoas alistadas em suas Forças Armadas, enquanto a Venezuela conta com quase 58 mil. Fotos publicadas hoje em parte da imprensa venezuelana mostram caminhões que transportam alguns tanques AMX-13 de fabricação francesa, com mais de 40 anos de serviço.

Ao tomar conhecimento das manobras do Exército venezuelano, o governo da Colômbia afirmou não estar preocupado. O vice-presidente colombiano, Francisco Santos, disse em Bruxelas que seu país não vai "cair nas provocações" da Venezuela e não vai enviar soldados à fronteira com este país.

*Com informações da Globovisión, AFP, BBC e EFE

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