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09/03/2008 - 08h05

Espanhóis elegem novo parlamento e primeiro-ministro neste domingo

Das agências internacionais
As eleições gerais de hoje na Espanha se desenvolvem com "absoluta normalidade" e sem incidentes significativos em todo o país, disse o secretário de Estado de Comunicação espanhol, Fernando Moraleda, apesar de alguns incidentes menores em Navarra e Vizcaya. Moraleda e o subsecretário do Ministério do Interior espanhol, Justo Zambrana, divulgaram em entrevista coletiva dados sobre o desenvolvimento da votação a partir da abertura das mesas, às 9h (5h de Brasília).

Em alguns colégios eleitorais de Navarra, houve a destruição de urnas e de materiais para as eleições, além de outros eventos menores. Na localidade de Aulestia, no País Basco, foi preciso repor uma urna quebrada, assim como cédulas destruídas, informaram fontes da subdelegação do Governo na província de Vizcaya.

No total, 35.072.209 espanhóis podem exercer esse direito, dos quais 33.867.077 vivem na Espanha e 1.205.132 estão incluídos no censo de espanhóis residentes no exterior.

Às 14h30 (10h30 de Brasília) e às 18h30 (14h30 de Brasília), o Governo divulgará dados atualizados de participação.

Por volta das 22h30 (18h30 de Brasília), a primeira vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, e o ministro do Interior da Espanha, Alfredo Pérez Rubalcaba, comunicarão os primeiros dados da apuração.

As eleições deste domingo renovarão o parlamento e decidirão quem governará o país pelos próximos quatro anos. E apesar da tranqüilidade, a votação acontece com o país em clima de luto.

Na sexta-feira, o ex-vereador socialista Isaías Carrasco, 42 anos, foi executado a tiros na porta de sua casa, em Mondragon, no País Basco. A ação, atribuída ao ETA, antecipou o fim da campanha eleitoral e trouxe o combate ao terrorismo à ordem do dia.

Assim como nas eleições gerais de 14 de março de 2004, os espanhóis irão às urnas sob o impacto da violência. O último pleito ocorreu apenas três dias depois de um ataque executado por células da Al Qaeda contra quatro trens em Madri, que matou 191 pessoas e deixou mais de 1.800 feridos. A presença de tropas espanholas no Iraque foi o motivo apontado para o atentado.

Naquela ocasião, Zapatero, do Partido Socialista (PSOE) foi eleito prometendo lutar contra o terrorismo. O candidato socialista derrotou o favorito Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP), braço direito do então primeiro-ministro José María Aznar.

Rajoy volta a enfrentar Zapatero hoje, depois de quatro anos fazendo dura oposição ao seu governo. Ele se define como um "conservador moderado". Diz que vai consertar a economia da Espanha e ter mais firmeza para combater a imigração ilegal - atualmente, há cerca de 250 mil estrangeiros vivendo clandestinamente no país.
CONHEÇA OS CANDIDATOS
Reuters
ZAPATERO: do PSOE, é o atual primeiro-ministro. Retirou tropas do Iraque e assinou as leis do casamento homossexual e do "cheque-bebê"
Reuters
RAJOY: do PP, foi braço-direito de José María Aznar. Conservador, promete consertar a economia e combater a imigração ilegal
ADVERSÁRIOS PELA 2ª VEZ
PERFIL DE ZAPATERO
PERFIL DE RAJOY
ELEIÇÕES EM CLIMA DE LUTO
O aumento do desemprego e da inflação e uma leve desaceleração na produção começam a preocupar os espanhóis. Mas a tensão que acompanha a atual campanha eleitoral tem raízes, sobretudo, na pequena diferença nas pesquisas entre os dois candidatos à chefia de Governo, que têm lutado contra o tempo para angariar a simpatia de cidadãos indecisos.

A última pesquisa divulgada pelo Centro de Pesquisas Sociológicas da Espanha (CIS) dava vantagem de apenas 1,5 ponto percentual ao Partido Socialista (PSOE) sobre o Partido Popular (PP) de Rajoy. A diferença varia pouco com relação a outras enquetes propagadas recentemente em meios de comunicação locais.

A pesquisa do CIS garantia que a vitória socialista nas urnas seria traduzida em uma diferença de uma a dez cadeiras no Congresso dos Deputados, a Câmara Baixa do Parlamento espanhol, composta por 350 membros.

Em termos globais, o PSOE obteria 40,2% dos sufrágios (158 a 163 cadeiras), contra 38,7% do PP (153 a 157).

Os socialistas focam suas mensagens na necessidade de os eleitores comparecerem às urnas, em uma tentativa de combater o fantasma da abstenção, que, segundo analistas, pode prejudicar em larga escala o partido governista.

Análise de Luiz Felipe de Alencastro
Calcula-se que até dois milhões de pessoas ainda não decidiram em quem votar ou estão desmotivadas, grande parte delas potenciais eleitores socialistas. "Vote com todas as suas forças" tornou-se lema na campanha do PSOE.

O eleitorado do PP é considerado mais fiel e mobilizado, reflexo também de uma das palavras de ordem da legenda: "As idéias claras". Para Rajoy, está em jogo muito mais que a Presidência do Governo espanhol.

O futuro do dirigente à frente do PP também pode ser colocado em xeque caso venha a ser novamente derrotado nas urnas, e principalmente se os socialistas alcançarem o objetivo proposto de obter "uma maioria suficiente" para governar sem ter de negociar acordos em sua nova legislatura com forças de cunho nacionalista.

Os partidos nacionalistas, sobretudo bascos e catalães, junto com a coalizão Esquerda Unida (IU, em espanhol), terceira maior força política da Espanha, podem desempenhar papel de aliados necessários caso PSOE ou PP ganhem as eleições sem maioria suficiente - a maioria absoluta deve ser obtida pela conquista de ao menos 176 cadeiras.

Os outros partidos, incluindo o recém-criado União, Progresso e Democracia (UPD), liderado pela dirigente veterana Rosa Díez, que deixou o PSOE por divergências sobre a política da legenda com relação à ETA e aos nacionalistas, devem tirar poucos votos dos dois majoritários.

Como novidade, as eleições deste domingo não contarão com participação de radicais bascos de esquerda, separatistas. Após a ilegalização em 2003 do Batasuna, braço político da ETA, a legenda já não disputou o pleito de 2004, embora partidos com ideologias próximas o tenham feito.

No início deste ano, a Justiça espanhola decretou a suspensão das atividades do Partido Comunista das Terras Bascas e do movimento Ação Nacionalista Basca para impedir que pudessem concorrer nas eleições de março.

Os magistrados espanhóis alegaram na ocasião que as duas legendas estavam ligadas à ETA e ao Batasuna.

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