Membros do Greenpeace rotularam produtos que não informam se usam ou não transgênicos como matéria-prima na manhã desta quarta-feira (12). A ação aconteceu em um supermercado de Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, e faz parte da "Semana do Consumidor" promovida pela entidade. Segundo Jorge Cordeiro, coordenador da campanha, os consumidores que estavam no supermercado aprovaram a ação.
As principais mercadorias visadas pelas etiquetas dos ativistas (triângulos amarelos com um "T" maiúsculo no centro) foram os alimentícios das multinacionais Cargill e Bunge. Ambas só passaram a identificar como derivados de transgênicos os óleos de soja das marcas Liza, Soya e Veleiro no final do ano passado, por conta de uma decisão judicial de 2005. No entanto, o Greenpeace argumenta que as empresas também usam soja geneticamente modificada em outros produtos, como maionese e margarina.
Na segunda-feira, o Greenpeace já havia feito manifestação em frente à sede da Vigor, em São Paulo, exigindo a rotulagem dos produtos comercializados pela empresa ou a entrega de documentação comprovando que a soja usada por eles é rastreável e não-transgênica. Segundo o Greenpeace, há pelo menos dois anos a empresa evita responder se utiliza matéria-prima manipulada geneticamente. A Vigor informou que não irá se pronunciar publicamente sobre o assunto.
A rotulagem de alimentos que contenham acima de 1% de transgênicos em sua formulação é obrigatória, conforme o decreto federal de 2003. "O transgênico é um organismo geneticamente modificado que está sendo colocado na natureza sem estudos suficientes de impacto ambiental", diz Cordeiro. "Vários produtos já usam transgênicos e não estão sendo rotulados, ou seja, estão desrespeitando uma lei federal".
O porta-voz da Bunge esclareceu que a empresa rotula as mercadorias que possam ter traços de soja modificada geneticamente desde novembro de 2007, embora não tenha obrigação legal da fazê-lo por não apresentar o porcentual definido por lei para identificação em nenhum alimento. Admite, porém, que como os grãos comprados vêm de 16 Estados diferentes, pode haver espécimes transgênicos entre eles.
Segundo o mesmo porta-voz, a ONG cria factóides sobre o tema e se utiliza de ações de constrangimento como estratégia de propaganda ideológica. Ele também rechaça a possibilidade de que os grãos modificados possam trazer impactos ambientais negativos.
Em comunicado à imprensa, a Cargill acusou o Greenpeace de confundir a população. A companhia alega fornecer informações mais completas aos consumidores do que requerido por lei, uma vez que seus óleos vegetais teriam porcentual de soja transgênica inferior a 1%.