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02/04/2008 - 14h24

Menino é queimado com ferro de marcar bois em Goiás

Sebastião Montalvão

Especial para o UOL

Em Goiânia
O garoto A., de apenas 9 anos, guarda no corpo e na mente as marcas de um trauma que ele gostaria de esquecer. Ele foi queimado propositalmente por dois adultos com um ferro de marcar bois. Na coxa esquerda do estudante ainda estão marcadas as letras HL, que representam a marca do rebanho da fazenda Acuri, localizada no município de Aurilândia (150 km de Goiânia). A história foi revelada nesta quarta-feira pelo jornal "O Popular".

Os acusados de cometer o crime são João Taveira de Souza, 55, e Ronan Justino Alves, 32, que eram funcionários da fazenda. "Eles estavam marcando o gado. Quando terminaram, eles resolveram me marcar também", conta o garoto.

MARCA DO REBANHO
Ricardo Rafael/O Popular/AE
Menino de 9 anos é marcado à ferro em fazenda em Aurilândia, Goiás
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Ele relata que foi agarrado por Taveira, que o levou até onde Ronan estava. "Eles disseram que precisavam marcar mais um bezerrinho. E então encostaram o ferro quente na minha perna e me marcaram. Na hora achei que era só brincadeira, mas depois, gritei de dor", disse a vítima em entrevista ao UOL.

A. não mora na fazenda, mas freqüentemente ia ao local para observar a lida dos peões com os animais. Mesmo queimado, ele não contou aos familiares o que havia ocorrido. O crime foi descoberto por uma professora do colégio municipal onde ele estuda.

"Ele não contou nada pra nós. Foi a professora que notou, já que ele reclamava de dor", afirmou a mãe do garoto, Tereza Maria da Cruz. Após a descoberta, ela foi à polícia registrar o caso, que já está em tramitação na Justiça do município.

Além dos dois peões, o dono da fazenda, Oliveira Luiz Silvestre, também está sendo processado. Os dois peões não foram encontrados na cidade para dar sua versão do caso. Informações de moradores são de que Ronan está trabalhando em outro município e João Taveira estaria internado em Goiânia, realizando um tratamento contra depressão.

Oliveira foi o único acusado encontrado e nega qualquer participação no crime. "Não participei de nada", disse. Ao saber que falava com a reportagem, foi ainda mais direto. "Se quer saber de alguma coisa, procure a delegacia, ou o fórum. Tchau!", e desligou o telefone.

O caso foi investigado pela polícia e o processo já tramita no fórum da cidade. Além de lesão corporal, a caso resultou numa ação indenizatória, estipulada pela Justiça em pouco mais de R$ 140 mil por lesões permanentes, comprovados por meio de laudos médicos de legistas do Instituto Médico Legal da cidade de Iporá, uma cidade vizinha.

De acordo com o promotor de Justiça Ricardo Lemos Guerra, os acusados já foram ouvidos e alegam que se tratou de um acidente. "Eles alegam que não tinham a intenção, que era uma brincadeira. Mas fica difícil acreditar nessa versão, já que minutos antes esse ferro era usado para marcar bois e continuava com temperatura altíssima", disse.

Na última segunda estava marcada uma audiência no cartório criminal, mas uma das testemunhas de defesa não compareceu e foi marcada nova data (16 de junho). Para Guerra, o caso deve ser julgado em cerca de dois meses e os acusados podem pegar de 2 anos e oito meses a 10 anos de prisão.

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