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16/04/2008 - 17h37

José Dirceu diz que Serra "começou mal" e vê Dilma "fortalecida" para 2010

da Redação
Em entrevista exclusiva ao UOL na tarde desta quarta-feira, o ex-deputado federal e ex-ministro da Casa Civil José Dirceu falou sobre o terceiro mandato, as alianças que se formam para as eleições municipais, e afirmou que quer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "de volta" em 2014.

Ao comentar alguns dos nomes cotados para a Presidência na eleição de 2010, Dirceu diz que José Serra "começou mal", com o partido dividido e com dificuldades fora de São Paulo. Ele vê fortalecimento de Dilma Rousseff no que ele chama de "tentativa da oposição de desgastá-la", elogia Ciro Gomes, a quem aponta como "forte candidato", e diz que Aécio Neves "não tem força nacional".

Assista ao vídeo (mais abaixo, leia texto com os principais destaques da entrevista):

VEJA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA








"Me sinto parte do governo"

"Sou procurado por amigos que ainda tenho no governo. Hoje, milito como cidadão e como filiado ao PT. Não decido mais nada. Sou o Zé Dirceu, que já me basta. Converso com o presidente quando ele acha que tem necessidade. Mas procuro sempre dar meu apoio a ele. Até por que me sinto parte do governo e do PT."

Sustento: "Ganho dinheiro como todo mundo, trabalhando muito"

"Ganho dinheiro como todo mundo. Trabalhando muito. Sou advogado. E também tenho uma consultoria. Pago minhas contas e meus advogados. E continuo tendo a mesma vida, vivendo na mesma casa, com o mesmo padrão de vida."

Aliança PT-PSDB em Minas

"A aliança deve ficar circunscrita em Belo Horizonte e já existe há 16 anos. Não vejo problema se ficar apenas em Belo Horizonte. Não acredito que essa aliança se estenda a 2010. PT e PSDB são muito diferentes, e isso é bom para a democracia. Mas isso não é problema para uma aliança.

Aliança PT-PMDB em Salvador e a crítica de Jaques Wagner

"O caso de Salvador é um mau exemplo. É legítimo que o PT tenha seu candidato, mas isso tem um ônus. Para darmos uma continuidade ao projeto político é importante essa aliança do PMDB com o PT. Não só para eleger o futuro presidente, formar uma grande bancada mas dar uma estabilidade ao governo no parlamento. É muito importante nós apoiarmos o João Henrique (candidato do PMDB em Salvador). O PMDB é nosso aliado no Congresso e em vários Estados. Corremos o risco de enfrentar o DEM ou o PSDB no segundo turno. Mas entendo a posição do governador (Jaques Vagner). Eu simplesmente expressei minha opinião. E vou continuar expressando. Acho foi um erro. Mas é uma página virada."

A indefinição em SP entre PSDB e DEM

"Revela falta de projeto político, que se manifesta apenas na falta de debates e de alternativas. É uma disputa de poder entre duas lideranças. Acredito muito na Marta nessas eleições."

Eleições municipais e 2010

"As alianças começam a ser construídas agora em 2008. Isso é importante. Basta ver que o PSDB e o DEM não tem aliança nas capitais. Nós começamos bem. Em 11 cidades temos alianças com o PMDB. Evidente que se o PT sair vitorioso será importante. Mas não é determinante. Pode construir bases e criar condições para uma aliança e eleger o sucessor de Lula."

PT na sucessão de Lula

"Eu defendo que sim (sobre candidatura própria do PT à sucessão de Lula). Mas nosso projeto é dar continuidade a um projeto político, e não eleger o sucessor do Lula do PT. Em 2014 ele pode ser continuado pelo próprio Lula. Não podemos afastar a hipótese de termos para essas eleições um candidato de outro partido da coalizão."

A avaliação de José Dirceu sobre possíveis candidatos a presidente

José Serra - "Ele tem dificuldade no Nordeste, Minas e no Rio. Ele começa mal. E o partido está dividido: Aécio Neves é candidato. E não vejo que o governo dele em São Paulo o credencie a ser candidato a presidente da República, porque até agora não disse a que veio. No caso da cidade de São Paulo, ela está enfrentando um problema de governabilidade. Mas é um candidato forte a presidente e já mostrou isso em 2002."
Aécio Neves - "Não tem força nacional. Mas tem Minas Gerais unido em torno dele. Se conseguir ser candidato, será respeitável. O governo dele em Minas tem mais marketing que realizações. Ele no PMDB é preciso ver para crer. Ele tem de renunciar ao governo, o TSE tem de aceitar essa desfiliação e filiação em outro partido, ele tem de correr os riscos dos problemas internos do PMDB, tem de disputar esse apoio do presidente Lula... O caminho é longo até 2010. O PMDB faz bem em cortejá-lo. É bom ter boa relação com ele."
Ciro Gomes - "É um candidato forte a presidente. Tem legitimidade, história. Vejo com simpatia o nome dele. Até por que é leal ao presidente e é um bom companheiro."
Dilma Rousseff - "É a candidata dos petistas. Essa tentativa da oposição de querer desgastá-la com falso dossiê só fortaleceu seu nome, tornou-a mais conhecida. E a mais forte candidata do PT para 2010, sem demérito de outros nomes."
Lula - "Para 2014. Não que seja ilegal ou inconstitucional (o terceiro mandato em 2010). Se o presidente FHC aprovou, com uma maioria parlamentar, uma emenda constitucional, aprovando a reeleição no Brasil, às vésperas da sucessão presidencial, é evidente que não há ilegalidade, ainda que o Supremo possa ser provocado e se pronunciar sobre isso. Agora, não vejo conveniência política. Nem necessidade política. Não é bom para democracia do Brasil. Nem o PT quer e nem o presidente. Não por princípio. Mas por uma questão política e histórica."

Popularidade de Lula: nada o atinge?

"Lula cumpriu aquilo que se comprometeu com o país. O Brasil cresce, aumentou o salário, temos empregos. Mudou o país. Não é só crescimento econômico. O país saneou suas contas, tem reserva e a imagem do país é muito boa. O fortalecimento da demanda interna. Há uma identidade muita grande entre o presidente e o povo. Todos se sentem representados por ele. Talvez seja a maior liderança da história da República."

Futuro político

"Não faço planos para o futuro. Minha preocupação é meu trabalho e minha defesa no STF. Preciso primeiro vencer essa batalha para provar minha inocência."

Regulação da imprensa

"O PT e a esquerda sempre defenderam uma série de medidas de democratização nos meios de comunicação e de regulação. A regulação é necessária. Não é nenhuma interferência na liberdade de imprensa e nem e na atuação e ação dos jornalistas. É preciso ter regras como tem em todo setor da sociedade. O exemplo de outros países, como Portugal e Canadá, demonstra que é totalmente compatível com a liberdade de imprensa. É um erro confundir a regulação com a censura ou com a intromissão na vida das empresas."

O PT e a ética

"O PT não deixou de ser ético. Mas o PT errou. Pagou por esse erro. Responde na Justiça. Tomou medidas para sanear. E a mais importante é a reforma política. Acho importante o partido ter um código de ética. Se queremos combater o problema que tivemos, como o financiamento de campanha, ou qualquer outro tipo de delito, temos que combater as causas, e atacar. Só conseguiremos com a reforma política e administrativa.

Mensalão: "Não posso ter virado bandido do dia para a noite"

"Para eu ter legitimidade para pedir anistia à Câmara e ao Senado, eu preciso ser inocentado. Eu quero lutar, provar minha inocência no Supremo Tribunal Federal, eu acho que vou conseguir até por que respondi nesses dois anos e meio a várias investigações e inquérito, sofri uma devassa no Imposto de Renda, e fui totalmente inocentado. Tirei muitas conclusões de tudo isso. Não tenho nenhum constrangimento em prestar contas ao país. A única exigência que tenho é que eu tenha a presunção da inocência, que eu não seja condenado, que ninguém me chame de mensaleiro ou de quadrilheiro ou de corrupto se a Justiça não me condenou. Tenho 45 anos de vida pública e nunca fui condenado. Não posso ter virado bandido do dia para a noite. Do dia 14 de maio, quando Roberto Jefferson deu a entrevista, ao dia 21, quando deixei o governo. Eu me apóio na minha história. E não guardo mágoa e ressentimento de ninguém."

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