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23/04/2008 - 10h56

Novos tremores podem ocorrer; população deve ter calma

Ana Sachs
Em São Paulo
Novos tremores de terra podem acontecer na região do oceano Atlântico, a 270 quilômetros da cidade de São Paulo, onde um abalo de 5,2 na escala Richter assustou diversas pessoas em quatro Estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná) na noite desta terça-feira.

A informação é do coordenador do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB) George Sand França. "Logo após um grande terremoto dessa magnitude tem a ocorrência de pequenos terremotos de magnitude menor [as chamadas réplicas]", disse ao UOL.

O especialista afirmou ainda ser "pouco provável" que um novo terremoto da mesma proporção atinja a região nos próximos dias, mas não descarta a possibilidade. "Não temos notícias de outros dessa magnitude, mas pode acontecer", apontou.



De acordo com Sand França, tremores de terra nessa região são comuns e não há um "surto" de abalos sísmicos no país - a região de Sobral, no Ceará, sofreu um abalo de 3,9 graus na escala Richter em fevereiro, e um tremor de 4,9 graus na escala Richter na cidade de Itacarambi, em Minas Gerais, matou uma menina de 5 anos em dezembro passado. Essa última é a única região nova, na qual nunca havia acontecido um abalo antes, segundo o especialista. No caso de São Paulo, ele disse se tratar de "uma atividade sísmica natural na região da plataforma continental, que acontece devido à diferenciação entre a crosta oceânica e a crosta continental".

Segundo o especialista, a exploração de petróleo na região "não tem nada a ver" com os tremores. "Já temos conhecimento de atividade sísmica na região desde 1939 e naquela época não havia exploração de petróleo", disse. O professor descartou ainda o risco de os terremotos gerarem um tsunami. "O risco é zero. Primeiro que é um terremoto muito raso, e para movimentar e gerar um tsunami precisa ser mais profundo e ter uma movimentação maior", afirmou.

George Sand França aconselha a população a manter a calma nessas situações. "Quando acontece um terremoto, geralmente demora para acontecer outro da mesma proporção. Então, evacuar o edifício nem sempre é uma boa, assim como sair e correr. O objetivo principal é manter a calma, não entrar em pânico", explicou. "Depois que acontecer o terremoto, você tenta se proteger, indo para um canto onde não haja possibilidade de queda de móveis ou perto de uma porta", continuou.

Construções
O despreparo das edificações brasileiras para esse tipo de situação preocupou alguns moradores das áreas afetadas. Até o momento, apenas o Hospital Estadual da Vila Alpina, na zona leste de São Paulo, apresentou rachaduras que podem ter sido causadas pelo terremoto. "Eu acho que isso [construções mais fortes] tem que ser começado a pensar, ver como a gente vai proceder para a construção de novos edifícios, em especial nas regiões de mais abalos sísmicos", apontou Sand França.

Para Maurício Bianchi, coordenador do Comitê de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), o tremor é um "fato isolado", mas que deve ser observado de perto.

"Eu não vejo nenhuma necessidade para alarde, nenhuma tomada de providência imediatista, mas é um fato novo que precisa ser discutido", disse. Para ele, a magnitude 5,2 é considerada alta e tem grande impacto nas construções. "Contra fatos não há argumentos, muitas pessoas em diferentes bairros sentiram. É alto, sim", disse.

Bianchi expressou preocupação com a cidade de Santos, cujo terreno instável já causou a inclinação de muitos prédios da orla. "Santos já merece, em minha opinião, uma análise bem diferente de São Paulo, porque a cidade tem esse histórico dos prédios que estão tortos. Embora muitos estejam estáveis, eles precisam de um acompanhamento mais de perto", apontou.

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