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13/05/2008 - 20h30

Marina Silva pede demissão do Meio Ambiente e alega falta de sustentação à política ambiental

Claudia Andrade
Em Brasília
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, entregou na manhã desta terça (13) uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo o seu desligamento do cargo em caráter irrevogável. O motivo da demissão, segundo a ministra em carta ao presidente, foi a dificuldade que ela encontrou para prosseguir com a agenda ambiental e a insuficiente 'sustentação política' para as questões do setor.

  • Leia a carta de demissão da ministra

    Fontes do governo do Rio dizem que o presidente Lula convidou Carlos Minc, secretário do Ambiente do Rio, para assumir o cargo. Mas assessores do Planalto negaram que exista um convite.

    De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério do Meio Ambiente, a ministra está em casa e não pretendia se pronunciar antes da resposta da Presidência da República.

    Na tarde de segunda, antes de tomar a decisão de deixar a pasta do Meio Ambiente, Marina Silva teria se consultado com o ex-governador do Acre, Jorge Viana, e também com o atual mandatário do Estado, Binho Marques. Ontem mesmo ela teria escrito uma carta ao presidente Lula, que foi entregue no Planalto na manhã desta terça-feira.

    O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), lamentou a decisão da ministra. "A ministra Marina Silva é uma militante histórica do PT, da causa ambiental e da Amazônia. Ela imprimiu ao ministério aquelas que são as suas convicções e deu uma contribuição muito importante para o governo."

    Para o deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP), que também é secretário-geral do PT, a saída da ministra é uma perda para o governo. "Independentemente do motivo, é uma perda grande para o governo e para o país. É uma ministra excelente que conhece bem o funcionamento do ministério e do partido", afirmou.

    REPERCUSSÃO DA SAÍDA DE MARINA
    "Independentemente do motivo, é uma perda grande para o governo e para o país. É uma ministra excelente que conhece bem o funcionamento do ministério e do partido"
    José Eduardo Cardozo -
    secretário-geral do PT
    "O ministério cumpriu sua missão e cumpriu de maneira muito boa. Esse assunto é de foro íntimo da ministra e só ela pode explicar os motivos"
    Sibá Machado - senador (PT-AC)
    "É um desastre para o governo Lula. Se o governo tinha uma credibilidade mundial na questão ambiental era por causa da ministra Marina"
    José Cardoso da Silva - vice-presidente para a América do Sul da Conservação Internacional
    "Espero que o próximo ministro não seja tão radical quanto a Marina. Ela era uma barreira para o desenvolvimento econômico do Brasil"
    Rui Prado - presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do MT
    "As forças mais destrutivas para a Amazônia exigiam a saída dela. O governo Lula deu o Plano Amazônia Sustentável (PAS) na mão do Mangabeira Unger. Isso obviamente foi uma tapa na cara da ministra"
    Frank Guggenheim - diretor-executivo do Greenpeace
    "Trata-se de uma clara demonstração de que a área ambiental não tem espaço no atual governo. Ela tentou, em vão, construir uma política transversal de desenvolvimento sustentável, que envolvesse todos os ministérios e não apenas o MMA. Provavelmente, as seguidas frustrações nesse sentido motivaram seu pedido de demissão"
    Denise Hamú - secretária-geral do WWF-Brasil
    "Eu desejo, que se for possível, haja uma reconsideração por parte da ministra"
    Ideli Salvatti (PT-SC) - líder do partido no Senado
    "As propostas que apresentávamos, os problemas como área legal, ela fazia ouvidos moucos. Acredito que o bom senso agora deve prevalecer. O meio ambiente é uma ciência e não deve ser tratado ideologicamente. Ideologia é inimiga do meio ambiente"
    Alberto Lupion - agropecuarista e empresário
    "Uma pessoa que tem o histórico da senadora Marina e que seja um referencial, inclusive lá fora, perante a comunidade ambientalista do mundo, acho muito difícil encontrar substituto à altura. Tomara que o governo não tenha feito a opção do desenvolvimento em detrimento do meio ambiente"
    Jefferson Peres (PDT-AM) - senador
    "É uma pessoa que tem capacidade de aglutinação muito grande. A equipe toda era muito leal a ela. Por respeito a ela como pessoa da área, mas também como dirigente, uma pessoa carinhosa com a equipe"
    José Machado - diretor-presidente da Agência Nacional de Águas
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    Quem é Marina Silva
    Maria Osmarina Silva Vaz de Lima, 50, começou sua carreira política militando nas CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), ligadas principalmente à Igreja Católica -apesar de Marina ser evangélica da Assembléia de Deus.

    Em 1988 foi eleita vereadora de Rio Branco, no Acre. Dois anos depois, se elegeu deputada estadual e, em 1994, aos 36 anos, chegou ao Senado Federal como a mais jovem senadora do país.

    Sua carreira concentrou-se nas áreas de direitos humanos, cidadania, meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Integra a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde o primeiro dia do primeiro mandato, em 2003, sempre na pasta do Meio Ambiente.

    Ex-seringueira, Marina Silva se filiou ao PT em 1985 e lançou sua candidatura a deputada federal para ajudar o líder seringueiro Chico Mendes, morto em 1988, que era candidato a deputado estadual.

    Marina aprendeu a ler já adolescente, já que no Seringal Bagaço, a 70 km de Rio Branco, onde nasceu, não havia escolas. Mais tarde, em 1985, formou-se em História pela Universidade Federal do Acre.

    Na universidade, entrou para o PRC (Partido Revolucionário Comunista), grupo semiclandestino que fazia oposição ao regime militar, e deixou de lado o desejo de ser freira.

    Depois de formada, começou a dar aulas de história e a participar do movimento sindical dos professores. Junto com Chico Mendes, em 1984, fundou a CUT (Central Única dos Trabalhadores) no Acre.

    No ano passado, Marina recebeu o maior prêmio das Nações Unidas na área ambiental, o Champions of the Earth (Campeões da Terra). A ministra foi uma das sete personalidades premiadas. Além dela, a ONU premiou o ex-vice presidente dos Estados Unidos Al Gore; o príncipe Hassan Bin Talal, da Jordânia; Jacques Rogge, do Comitê Olímpico Internacional; Cherif Rahmani, da Argélia; Elisea "Bebet" Gillera Gozun, das Filipinas; e Viveka Bohn, da Suécia.

    Com informações da Agência Brasil e da Folha Online
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