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10/07/2008 - 15h54

Banqueiro Daniel Dantas é preso novamente pela PF

Da Redação*
Em São Paulo
Atualizado às 18h11
  • Fernando Donasci/Folha Imagem

    Daniel Dantas deixa o IML, no centro de São Paulo, nesta quinta-feira, após ser preso pela segunda vez na semana pela Polícia Federal


O banqueiro Daniel Dantas foi preso na tarde desta quinta-feira (10), horas depois de ser solto por um habeas corpus concedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal), informou a Polícia Federal. A prisão agora é preventiva e foi decretada pelo mesmo juiz que decidiu pela prisão do banqueiro na terça-feira, Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Veja aqui a íntegra da decisão. Dantas foi preso em um escritório na avenida Nove de Julho, em São Paulo, e voltou para a carceragem da Superintendência da PF na capital paulista por volta das 16h50.

Segundo nota da PF, a nova ordem de prisão foi solicitada pela Polícia Federal em São Paulo "em razão de documentos encontrados nas buscas realizadas na última terça-feira" e também por uma testemunha que fortaleceu "a ligação entre o preso e a prática do crime de corrupção (suborno) contra um policial federal que participava das investigações".

Segundo a PF, durante as investigações, pessoas a mando de Dantas ofereceram US$ 1 milhão para que um delegado federal tirasse os nomes de Dantas e de sua irmã Verônica do inquérito policial.

Segundo o Ministério Público Federal, o depoimento de Hugo Chicaroni, preso na terça-feira, motivou o novo pedido de prisão do banqueiro.

Daniel Dantas, dono do Opportunity, foi preso na última terça-feira junto com o mega-investidor Naji Nahas, o ex-prefeito Celso Pitta e outras 16 pessoas durante a operação Satiagraha. Segundo as investigações, os acusados encabeçavam dois grupos criminosos que, associados, faturaram no mercado de ações mediante informações privilegiadas e lavaram dinheiro em paraísos fiscais.

Na noite de ontem, o presidente do STF, Gilmar Mendes, decidiu pela liberação do empresário e outras dez pessoas, incluindo sua irmã Verônica Dantas. Eles estavam em prisão temporária e foram liberados na madrugada desta quinta, em São Paulo. Além de Dantas e Verônica, foram libertados Daniele Silbergleid Ninnio, Arthur Joaquim de Carvalho, Carlos Bernardo Torres Rodenburg, Eduardo Penido Monteiro, Dório Ferman, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Maria Amália Delfim de Melo Coutrin e Rodrigo Bhering de Andrade.

Na decisão, Mendes considerou "desnecessária" a prisão preventiva dos suspeitos, pois não havia ameaça às provas colhidas durante a operação da Polícia Federal. Depois que Dantas foi solto, as defesas de Naji Nahas e de Celso Pitta pediram ao STF a extensão da decisão pela liberdade.

Vazamento e suborno
Antes de a Justiça decretar novamente a prisão de Dantas, o advogado do banqueiro, Nélio Machado, havia negado em entrevista coletiva que seu cliente tentara subornar um delegado federal.

Segundo a PF, duas pessoas a mando de Dantas ofereceram US$ 1 milhão para que o delegado tirasse os nomes de Dantas e da irmã do banqueiro, Verônica, do inquérito policial. Sabe-se que o grupo de Dantas teve acesso a informações sigilosas por meio de vazamento, que está sendo investigado pela polícia.

O delegado que recebeu a tentativa de suborno relatou o fato ao juiz, que autorizou uma ação controlada, ou seja, os contatos continuaram com o intuito de se obter mais informações e provas. O grupo chegou a dar R$ 129 mil ao policial e pediu que o arqui-inimigo de Dantas, Luiz Roberto Demarco, fosse investigado.

Na casa de Hugo Chicaroni -um dos presos acusados de oferecer o suborno- foi encontrado R$ 1 milhão que seria usado para pagar a propina.

A investigação
As investigações da PF e do MP começaram há quatro anos, a partir de documentos sobre o caso mensalão enviados pelo Supremo Tribunal Federal à Procuradoria da República no Estado de São Paulo. Na apuração, as empresas Telemig e Amazônia Celular (das quais o Banco Opportunity, de Dantas, é acionista) aparecem como financiadoras do valerioduto.

Escutas telefônicas e interceptação de dados levaram ao grupo de Dantas, que, segundo a PF, usava uma "infinidade de empresas" de fachada para encobrir desvios de dinheiro público. "O esquema de Dantas era tão complexo que nem ele sabia o volume de dinheiro que operava", afirmou, durante entrevista coletiva realizada na terça, o delegado Queiroz, que cooordenou a investigação.

Segundo o Ministério Público Federal, o grupo de Dantas movimentou entre 1992 e 2004 quase US$ 2 bilhões por meio do Opportunity Fund, uma offshore nas Ilhas Cayman, no Caribe.

As investigações da PF apontam que Dantas era cliente de Nahas e usava o grupo do investidor para lavar dinheiro no mercado financeiro. Nahas comandava um esquema com doleiros que praticavam fraudes no mercado de capitais usando informações privilegiadas. "Eles tinham 'megacontatos' e se privilegiaram de informações do mercado financeiro, como do Federal Reserve (Fed, o BC americano), por exemplo", afirmou o procurador da República Rodrigo de Grandis.

O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, também preso durante a ação, é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Ele, que também era cliente de Nahas, teve operações financeiras ilegais interceptadas pela PF durante as investigações. "Tudo indica que o dinheiro de Pitta vinha do exterior. O grupo de Nahas gerenciava um fundo que ele tem nas Ilhas Cayman", disse Protógenes Queiroz, delegado da Polícia Federal responsável pelo caso. Ele, no entanto, diz que ainda não pode confirmar que o dinheiro foi desviado da prefeitura de São Paulo. "Mas ele não tem uma atividade hoje que justifique o recebimento desses valores", completou.

*Com informações da Folha Online

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