UOL Notícias Notícias
 

17/08/2008 - 19h16

Entorno da Velha Goa será renovado para promover o turismo

Lisboa, 17 Ago (Lusa) - O governo de Goa quer reabilitar a zona envolvente da antiga capital portuguesa na Índia nos séculos 16 e 17 - a Velha Goa -, que foi invadida por fábricas e pequenos comerciantes, a fim de tornar o local mais apelativo ao turismo.

Conhecida por seus monumentos religiosos - igrejas e conventos classificados como Patrimônio da Humanidade pela Unesco desde 1986 -, a Velha Goa está ficando rodeada por estabelecimentos que a descaracterizam.

"Queremos, sobretudo, assegurar que este patrimônio mantenha suas características", sublinhou à Agência Lusa Elvis Gomes, diretor de Turismo de Goa e coordenador do Plano de Desenvolvimento da Velha Goa, que está sendo elaborado em conjunto com governo central indiano, a arquidiocese local e entidades públicas e privadas.

Contatado pela Lusa a partir de Lisboa, Elvis Gomes afirmou que "há uma pressão de desenvolvimento na periferia [da Velha Goa] que não está ordenado e pode causar problemas ao patrimônio".

"Por isso, vamos criar uma divisão entre a zona cultural e a empresarial. Tudo no espírito da preservação e conservação", frisou, sublinhando que todas as atividades comerciais terão de respeitar o plano de desenvolvimento.

O projeto foi atribuído ao arquiteto goês Dean D'Cruz, que deve entregar um primeiro esboço dentro de dois meses.

Segundo Elvis Gomes, a Velha Goa será equipada com centros de apoio a peregrinos e um Centro do Patrimônio, onde estará exposta a história local, que "não começou com os portugueses".

Quanto aos atuais comerciantes, Elvis Gomes admitiu que eles podem ser transferidos a outros locais.

Uma das entidades privadas que colaboram no projeto é a Fundação Oriente, cujo responsável local, Paulo Varela Gomes, descreveu à Lusa a zona envolvente da Velha Goa.

"Construções modernas, fábricas, barracos de comes e bebes, estaleiros de construção naval e grandes plantações de coqueiros" estabeleceram-se na zona nos "últimos 30 anos", afirmou.

"Para os monumentos terem dignidade e o turismo, qualidade, a construção tem de ser detida e controlada", defendeu Paulo Varela Gomes, que disse ser "uma novidade" a coordenação de esforços entre os governos local e central para a reabilitação da região.

Para Paulo Varela Gomes, o plano que está sendo delineado "tem de passar" pela demolição dos edifícios que foram sendo construídos ao longo dos anos.

"É inevitável, mas é difícil porque enfrenta interesses e levanta problemas. A maior dificuldade vai ser mesmo essa", afirmou.

Quanto ao interesse dos goeses pelo desenvolvimento do turismo cultural, Varela Gomes disse ser um sinal da "abertura da Índia a um mercado turístico mais refinado do que o da praia".

Legado português

O historiador português Luís Filipe Thomaz felicitou a decisão do governo goês de reabilitar a região envolvente da Velha Goa, que constitui o "maior e mais esplendoroso conjunto arquitetônico de igrejas que Portugal construiu".

"Fico satisfeito que façam mais obras para preservar" o local, disse Luís Filipe Thomaz, considerado um dos maiores especialistas portugueses na história do Oriente.

Segundo o historiador, só muito recentemente é que os indianos perceberam a "importância histórica e artística" da Velha Goa, que viam no início como "uma intrusão dos portugueses no solo da Índia".

Para Luís Filipe Thomaz, a zona central da Velha Goa "está bem protegida", mas "talvez fosse conveniente alargar o perímetro de proteção a alguns monumentos invadidos pelo matagal".

Luís Filipe Thomaz classifica como "esplêndido" o conjunto de monumentos religiosos da Velha Goa.

"É o maior conjunto arquitetônico de igrejas que Portugal construiu. Tem uma grandiosidade que não se encontra noutros países", sublinhou.

A Sé (1562), o Convento de São Francisco de Assis (1543), transformado em museu, e a Basílica do Bom Jesus (1605), onde está o túmulo de São Francisco Xavier (1506-1552), são alguns dos monumentos mais emblemáticos.

"A Sé Catedral é a maior igreja construída pelos portugueses em todo o mundo", indicou Luís Filipe Thomaz, que todos os anos visita Goa.

O historiador destacou também a Igreja de São Caetano, o Arco do Vice-Rei, o Arco da Conceição, o Palácio dos Arcebispos, o conjunto do Monte Santo - onde há o antigo hospital e Convento dos Irmãos Hospitaleiros São João de Deus - e o Convento de Santa Mônica, de 1603, que foi restaurado e abriga uma academia de teologia onde estudam freiras de toda a Índia.

Além disso, Luís Filipe Thomaz citou a importância da Igreja do Priorado do Rosário, de estrutura manuelina, da Igreja de Santo António, que tem um pequeno convento de freiras franciscanas, da Igreja da Nossa Senhora do Monte e das ruínas do Convento de Santo Agostinho.

A Velha Goa foi a primeira capital portuguesa na Índia, mas foi abandonada no século 18 após a expulsão dos jesuítas, em 1759, pelo Marquês de Pombal.

"Em 1834, com a expulsão das ordens religiosas, [os edifícios] ficaram todos ao abandono, alguns ruíram e a população dos arredores explorou-os como pedreiras: iam lá buscar pedras, de forma que alguns desapareceram quase sem deixar vestígios", explicou o historiador.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    15h29

    0,05
    3,921
    Outras moedas
  • Bovespa

    15h37

    0,13
    86.029,82
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host