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 Internacional

02/07/2004 - 17h33
Marlon Brando morre aos 80 anos

Por Maria Lorente LOS ANGELES, 2 jul (AFP) - Hollywood perdeu uma de seus maiores ícones, o ator americano Marlon Brando, que morreu aos 80 anos em Los Angeles, onde vivia recluso e endividado, deixando para trás a imagem de um sedutor temperamental.

Nascido em abril de 1924 em Omaha, no estado de Nebraska (centro), Brando "faleceu às 18H30 locais (21H30 de Brasília) de quinta-feira de uma complicação pulmonar", informou à AFP Roxanne Moster, do Centro Médico da Universidde da Califórnia, onde deu entrada.

Nos últimos anos, várias informações indicavam que o ator estava com a saúde debilitada. Ele já tinha sido hospitalizado com pneumonia, a ponto de ser forçado a recusar, em 2001, a participação do filme "Todo Mundo em Pânico".

O polêmico ator viveu seus últimos anos em sua casa em Los Angeles e, apesar de ter chegado ao topo da fama durante a juventude, estava na bancarrota e com muitas dívidas.

"Marlon odiaria a simples idéia das pessoas falando sobre a sua morte. Tudo o que direi é que me entristece muito que ele tenha partido", disse o cineasta Francis Ford Coppola, que o dirigiu em 'Apocalypse Now' (1979), em comunicado enviado à AFP.

"Brando é o melhor ator do mundo atual", disse em 1954 outro diretor genial, o saudoso Elia Kazan, que trabalhou com ele em "Uma Rua Chamada Pecado" (1951), "Sindicato dos Ladrões" e "Viva Zapata!" (1952).

"Foi ele quem mais influenciou os jovens atores da minha geração. Ninguém pode negá-lo", disse James Caan, que interpretou Sonny, o polêmico filho de Brando em "O Poderoso Chefão". "Eu o adorava", resumiu.

A dramática vida de Brando foi marcada por altos e baixos, pontuada por picos de fama e momentos de tragédia, como o suicídio da sua filha, Cheyenne, e o julgamento de seu primogênito, Christian, pelo assasinato do namorado de Cheyenne em 1990.

Brando teve pelo menos 11 filhos com três ex-esposas - as atrizes Tarita Teriipia, Movita e Anna Kashfi - e várias outras mulheres.

O ator tornou-se um ícone de sua geração e foi indicado sete vezes ao Oscar de melhor ator pelas interpretações brilhantes de Stanley Kowalski em "Uma Rua Chamada Pecado", do revolucionário Emiliano Zapata em "Viva Zapata!", de Marco Antonio em "Júlio César" (1953), de Terry Malloy em "Sindicato dos Ladrões" (1954), do major Lloyd Gruver em "Saoynara" (1957), de Dom Vito Corleone em "O Poderoso Chefão" (1972) e do atormentado Paul em "Último Tango em Paris" (1972).

Levou as estatuetas em 1954 e 1972, respectivamente por "Sindicato dos Ladrões" e "O Poderoso Chefão".

O ator também deixa sua marca permanente na história do cinema pelo papel de motociclista rebelde em 'O Selvagem' (1953).

Conhecido pela imagem sedutora e seus muitos romances, nos últimos anos Brando estava obeso e abandonado.

"Foi um dos grandes atores de todos os tempos", disse o historiador de Hollywood Robert Osborne.

"Mas também foi uma grande decepção, porque rendeu tanto, tinha uma personalidade tão histriônica, era tão impressionante como ator e jogou tudo isso pela janela. Não acho que tenha levado a responsabilidade sobre seu talento a sério ou tenha feito com ele o certo", destacou.

Entre suas incontáveis críticas à indústria de Hollywood, Marlon Brando se negou a comparecer à cerimônia em 1973 para receber o Oscar de melhor ator por "O Poderoso Chefão". Em seu lugar, mandou uma mulher que apresentou como a índia Sasheen Littlefeather - na verdade era uma atriz hispânica -, que leu um discurso criticando o tratamento dado por Hollywood aos indígenas americanos.

No entanto, em várias ocasiões, reconheceu que era muito fraco para rejeitar atuar nos filmes, porque gostava de dinheiro.

"Não há nada que dê mais dinheiro do que a atuação quando se está decidindo o que fazer da vida", disse Brando em 1996 em entrevista ao jornalista e apresentador da CNN Larry King.

Em outra entrevista concedida em 1990, Brando disse que sua decadência ocorreu por causa do estresse de estar constantemente sob os olhos do público. "Sofri muita miséria na minha vida: ser famoso e rico", disse na ocasião.

Nos últimos anos, o mítico ator chamou atenção da mídia por seus muitos problemas judiciais.

Entre eles, a ação apresentada por Maria Cristina Ruiz, empregada que trabalhou com Brando durante muito tempo e que também era sua amante. Na ação ela queria 100 milhões de dólares do ator para a manutenção dos seus três filhos, segundo ela, frutos do romance com Marlon Brando.

No que acabou sendo seu último problema com a Justiça, o ator acabou conseguindo fechar na segunda-feira passada fechar um acordo provisório com a ex-assistente Caroline Barrett, que o acusou de cobrar um valor que, segundo ela, tinha sido dado de presente para a compra de uma casa, informaram fontes judiciais.

Em fevereiro de 2003, Barrett, cuja filha foi adotada por Brando, apresentou uma ação na qual alegou que o Brando a teria extorquido para que não deixasse seu trabalho e quando ela se negou a voltar para o emprego, decidiu cobrar os 185.000 dólares que lhe havia emprestado para comprar uma casa em Londres em meados dos anos 80.

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