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 Internacional

14/08/2004 - 16h22
"Revolução bolivariana" de Chavez mistura Exército, comunismo e nazismo

Por Yanina Olivera CARACAS, 14 ago (AFP) - A "Revolução Bolivariana" proposta pelo presidente da Venezuela, Hugo Chavez, mistura elementos históricos e políticos de momentos diferentes, tentando conciliar uma democracia participativa com um partido civil-militar de esquerda.

Esta é a avaliação do historiador Alberto Garrido, que escreveu 12 livros sobre o assunto e afirma que as grandes inspirações da ideologia chavista são o bolivariano Douglas Bravo, o "neonazista" Norberto Ceresole e o cubano Fidel Castro.

O especialista explica que as raízes do movimento bolivariano que inspira Chávez remontam ao final da década de 50. "A Revolução Bolivariana tem o que chamamos de uma árvore com três raízes: Simón Bolívar, Simón Rodríguez (que induz Bolívar a lançar um movimento independente) e Ezequiel Zamora (líder da guerra federal, de 1859 a 1863, que começou com a batalha de Santa Inês)", afirma.

"O processo da revolução bolivariana nasceu em 1957 como uma decisão do braço armado do partido comunista na Venezuela, como um pólo civil-militar revolucionário. Este movimento era liderado por Douglas Bravo, que idealizou a revolução que estamos vivendo agora", acrescenta.

O historiador lembra que as Forças Armadas venezuelanas eram formadas pelas camadas mais humildes, motivo pelo qual o partido comunista e seu braço armado conseguiram se infiltrar facilmente.

Em 1960, pouco depois do fim do regime de Marcos Pérez Jiménez (1952-1958), 170 oficiais militares faziam parte do PCU, disse o especialista. Em 1962, houve um levante militar, três décadas depois outros dois.

"Chávez aderiu à conspiração civil-militar nos anos 80 e teve uma intensa relação de discípulo com Douglas Bravo, com quem rompeu em 1991", conta o historiador.

No dia 4 de fevereiro de 1992, o atual presidente participou de uma tentativa de golpe de Estado e no dia 27 de novembro do mesmo ano outra foi liderada por um grupo de vice-almirantes e oficiais da aviação. Os líderes do movimento foram dispensados do Exército e presos, até que em 1995 o então presidente Rafael Caldera concedeu-lhes anistia. Apesar da diferença de gerações, vários oficiais que participaram das intentonas de 1962, estiveram presentes em 1992.

Depois das tentativas de golpe fracassadas, houve uma mudança na orientação dos líderes do levante, incluindo Chávez. "A Força Armada de Libertação Nacional (FALN, guerrilha liderada por Bravo) alçou vôo ideológico próprio, sentiu-se livre da URSS e proclamou-se bolivariana", diz Garrido.

"À medida que a guerrilha se tornou independente dos soviéticos e se aproximou da China, foram estabelecidas estreitas ligações com países árabes antiamericanos, em especial com o Iraque, onde tiveram um campo de treinamento", afirma. "Também fizeram contatos com (o presidente líbio) Mohamar Khadafi e Argélia", acrescenta.

"O coronel da aviação William Izarra, líder golpista contrário a Chávez e ideólogo do Comando Maisanta pelo Não no referendo de domingo, afirma em seu livro 'Em Busca da Revolução" que se encontrou com Saddam Hussein e com Khadafi nos anos 80."

"Na prisão, Chávez se desentendeu com companheiros comandantes (Arias Cárdenas enfrentou Chávez nas eleições de 2000) e começou a formar seu próprio núcleo, passando a ser visto como o chefe da rebelião", diz Garrido.

Na ocasião, estabeleceu contato com "carapintadas argentinos", um grupo de militares nacionalista de direita e começou a se interessar pelo peronismo.

Ligou-se a Norberto Ceresole (1943-2003), um sociólogo argentino e especialista em geopolítica que participou da revolução peruana de Velasco Alvarado en 1969 e foi interlocutor do general Domingo Perón quando esteve exilado em Madri.

Ceresole esteve com Chávez por cinco anos, segundo Garrido, e foi quem elaborou duas fórmulas de poder. "A primeira é a pós-democracia, que é a superação da democracia representativa", disse Garrido. "O povo vota para legitimar o poder do caudilho e o líder manda através do Exército, a obediência é necessária".

"Nesta etapa, Chávez acreditava na força do diálogo, mas o segundo, depois do efêmero golpe de 2002, considera que as Forças Armadas são o partido", diz.

"Agora aposta na segunda fórmula, no posicionamento da Venezuela no mundo, buscando um pólo de força em um multipolar para fazer contrapeso aos Estados Unidos", avalia.

De acordo com o especialista, o óleo bruto venezuelano é peça-chave da política venezuelana e por isso Chávez buscou com sucesso destacar a participação do país na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

O presidente também teria investido no eixo Caracas-Brasília-Buenos Aires, lançando a idéia de criar empresas multi-estatais como a Petro-Sul e Petro-Caribe, além de intensificar as relações com a Rússia e China e Cuba.

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