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27/10/2004 - 15h09
Minúsculo hominídeo é a grande descoberta recente na história da evolução

humana Por Richard Ingham = (FOTO) = PARIS, 27 out (AFP) - Numa das mais espetaculares descobertas de fósseis em décadas, antropólogos britânicos anunciaram nesta quarta-feira terem encontrado ossos de um minúsculo hominídeo que representa um galho da árvore genealógica humana, segundo artigo que será publicado nesta quinta-feira no semanário científico britânico Nature.

Com a altura de um chimpanzé e o crânio do tamanho de uma toranja, o pequenino hominídeo viveu cerca de 18 mil anos atrás na remota ilha indonésia de Flores (leste), disseram os especialistas.

Acredita-se que ele seja uma extinta ramificação asiática do Homo erectus, precursores do Homo sapiens, como é chamado anatomicamente o homem moderno.

Mas ele era tão dramaticamente diferente tanto do H. erectus ou do H. sapiens que deveria ser classificado como uma espécie separada do gênero Homo.

Ele media apenas cerca de um metro de altura e o cérebro, apenas 380 cc, apenas um quarto do cérebro do homem moderno.

Eles apelidaram o hominídeo Homo floresiensis de "Homem de Flores".

Ele é o menor entre as 10 espécies conhecidas do gênero Homo, hominídeo que surgiu na África cerca de 2,5 milhões de anos atrás.

Sua teoria, baseada na descoberta prévia de instrumentos de pedra em Flores, é que o Homo erectus chegou a Flores cerca de 800 mil anos atrás e tornou-se geneticamente marginalizado do resto da humanidade.

Ao longo de milhares de anos, a pressão evolutiva fez a colônia encolher - a escassez de alimentos e a superpopulação favoreceram a sobrevivência de indivíduos menores, cujos genes foram passados a seus descendentes.

"Nós interpretamos o H. floresiensis como uma linhagem quase extinta (do Homo) que chegou e depois foi preservada num refúgio da ilha", disseram os autores do estudo, chefiados por Peter Brown, da University of New England, na Austrália.

"Isoladas, estas populações passaram por mudanças endêmicas", continuou.

Com o passar dos milênios, o Homo erectus foi desaparecendo no resto do mundo, sendo substituído por hominídeos mais altos e com cérebros maiores.

O melhor sucedido foi o Homo sapiens, que partiu da África cerca de 150 mil anos atrás e conquistou o planeta, tornando-se a única espécie viva do gênero Homo atualmente.

Segundo o cenário convencional, o Homo sapiens migrou através do sul da Ásia entre 100 mil e 50 mil anos atrás.

Então, ele tomou a direção nordeste, cruzando as Américas rumo ao Alasca, e a direção sudeste para colonizar o arquipélago indonésio, o Pacífico Sul, a Austrália e a Nova Zelândia.

Em algum momento, o Homo sapiens também apareceu nas ilhas Flores - onde provavelmente conviveu por dezenas de milhares de anos com o Homo floriensis.

O que aconteceu depois é um dos grandes enigmas ainda sem resposta, segundo a equipe do professor Brown.

É impossível saber como as duas espécies interagiram. Será que o Homo sapiens massacrou seus vizinhos menores? Ou será que o Homo floresiensis entrou em extinção porque não podia mais competir por comida com seus primos maiores?

Outra questão é se as duas espécies eventualmente cruzaram, possivelmente levando à mistura genética que o Homo sapiens traz hoje.

Este quebra-cabeças também se aplica ao homem de Neanderthal, hominídeo que viveu na Europa, em partes da Ásia Central e do Oriente Médio por cerca de 170 mil anos até desaparecer, inexplicavelmente, de 28.000 a 30.000 anos atrás.

"A descoberta é surpreendente... entre as mais as mais incríveis da paleoantropologia em meio século", disseram os antropólogos da Universidade de Cambridge, Marta Mirazon Lahr e Robert Foley, num comentário também publicado pela Nature.

"É de tirar o fôlego pensar que espécies tão diferentes (de hominídeos) existiram tão recentemente", disseram. "(...) Nossa predominância global pode ser muito mais recente do que pensávamos", acrescentaram.

A descoberta das ilhas Flores inclui o crânio, um fêmur e uma tíbia, além de fragmentos de vértebras de um indivíduo, aparentemente uma fêmea, e o pré-molar de outro.

Eles foram desenterrados do solo de uma caverna em Liang Bua, no meio das ilhas Flores, onde antropólogos amadores começaram a fazer escavações em 1965.

Os autores estão certos de que o esqueleto, chamado LB1, é o de um adulto totalmente formado, e não um anão de Homo sapiens ou símio.

As ilhas são famosas pela seleção natural de Darwin, por forjar a trajetória genética das espécies através do clima, do terreno, da disponibilidade de comida e da falta de procriação com outras espécies.

Flores foi o lar de um elefante anão chamado Estegodonte, cujos restos foram encontrados juntos com os fósseis do Homo floriensis.

Também foram encontrados lá ossos afiados e pontudos que podem ter sido usados como ferramentas, mas desconhece-se ainda se estas foram fabricadas por Homo floresiensis ou Homo sapiens.

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