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 Internacional

17/01/2005 - 07h47
Morre o ex-dirigente reformista chinês Zhao Ziyang

Por Philippe Massonnet PEQUIM, 17 jan (AFP) - O ex-dirigente reformista chinês Zhao Ziyang, destituído em 1989 após ter simpatizado com os estudantes em greve de fome na praça da Paz Celestial, morreu esta segunda-feira aos 85 anos, depois de ter vivido 15 anos em prisão domiciliar.

"Ele partiu em paz esta manhã, enfim está livre. Expresso minha gratidão aos que nos apoiaram nesta prova", declarou sua filha, Wang Yannan, em uma mensagem a seus amigos.

"Ele morreu segunda-feira às 07H01 local (20H00 deste domingo em Brasília)", disse à AFP Frank Lu, diretor do Centro de Informação sobre Direitos Humanos e Democracia, com sede em Hong Kong.

O ex-dirigente do Partido Comunista Chinês (PCC) estava em coma profundo há vários dias, informou sua família.

O governo chinês confirmou esta segunda-feira a morte de Zhao Ziyang.

"O camarada Zhao Ziyang morreu em decorrência de uma doença em um hospital de Pequim nesta segunda-feira, aos 85 anos", informou a agência de notícias Nova China, em inglês e em chinês.

"O camarada Zhao Ziyang sofria há muito tempo de múltiplas infecções respiratórias e do sistema cardiovascular. Seu estado se degradou recentemente e ele faleceu apesar dos tratamentos urgentes que recebeu", acrescentou a agência oficial.

Zhao Ziyang foi hospitalizado em Pequim há mais de um mês e os médicos que cuidavam dele se mostravam, nos últimos dias, muito reservados quanto ao prognóstico.

Na semana passada, o ministério chinês das Relações Exteriores foi obrigado a reagir oficialmente aos boatos sobre a morte do ex-dirigente, afirmando que ele estava internado e em situação "estável".

A residência do Ziyang, perto da Cidade Proibida, no coração de Pequim, era inacessível na manhã desta segunda-feira, como foi comum nos últimos cinco anos. Policiais à paisana impedem a aproximação de qualquer visitante.

Na praça da Paz Celestial, onde o movimento pró-democracia foi atacado de forma sangrenta no dia 4 de junho de 1989, contra a vontade de Zhao, a situação era calma esta segunda-feira.

O ex-dirigente reformista deixou o cenário político sob pressão em 19 de maio de 1989, depois de um encontro com os estudantes da praça da Paz Celestial. Acusado de ter apoiado os protestos foi demitido no dia 24 de junho de 1989.

Este período da história chinesa não é comentado oficialmente. O atual primeiro-ministro, Wen Jiabao, foi braço direito de Zhao, mas, ao contrário de seu mentor, não foi vítima da crise de 1989.

"Estou muito triste. Choro por meu chefe e por meu país. Ele era a esperança do povo chinês", disse à AFP Wu Guoguang, ex-assessor de Zhao, que atualmente é professor nos Estados Unidos.

"O governo chinês deveria organizar um funeral público para Zhao Ziyang e permitir que as pessoas assistam", declarou Jiang Peikun, pai de um garoto morto pelo exército em 1989 e que milita ao lado da mulher pela revisão do veredicto oficial sobre o movimento pela democracia, que continua sendo contra-revolucionário.

Prova da incômodo do governo em relação à morte do ex-dirigente, as imagens da CNN a respeito estavam sendo sistematicamente censuradas esta segunda-feira na China.

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