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 Internacional

21/01/2005 - 16h46
Argentinos conseguem reverter diabetes com implante de células-tronco

Por Sonia AvalosBUENOS AIRES, 21 jan (AFP) - Milhões de diabéticos poderão esquecer em breve a injeção de insulina se for confirmado o resultado bem-sucedido do primeiro implante de células-tronco no pâncreas, feito por médicos argentinos que se dedicam à procura de uma cura para a doença.

Trata-se de um método inédito livre de riscos de rejeição, sem intermediação prolongada e que pode ser realizado por qualquer especialista médico com destreza e experiência em cateterismos, explicou o cardiologista argentino Roberto Fernández Viña à AFP.

Viña é o coordenador da equipe que realizou este procedimento em um paciente diabético dependente de insulina, na clínica San Nicolás, na cidade de mesmo nome.

O método consiste em extrair células do osso ilíaco, no quadril, e depois manipulá-las em laboratórios para o implante no pâncreas com um cateter especial que é introduzido na artéria femoral, via de acesso direto ao "rabo" do pâncreas.

O Center Cardiovascular Research Foundation, de Washington, já contatou a equipe para saber do procedimento revolucionário, afirmou Fernández Viña.

"Trata-se de uma técnica inédita porque emprega células-tronco não-embrionárias, ao contrário do que se fazia até agora, e o implante é feito por indução, já que escolhemos uma artéria direta e não uma via periférica", explicou.

O método "abre um campo de pesquisa enorme" para o tratamento de outras patologias, como a hepatite C, disse. Assim com as células-tronco embrionárias, estas têm a propriedade de atuar como "copiadoras" da informação que encontram no órgão onde são depositadas.

Os pacientes diabéticos sofrem de uma carência no pâncreas de células "beta", encarregadas de produzir a insulina, que regula os níveis de glicose no sangue.

A introdução de células "copiadoras" no pâncreas gera a reprodução das células beta, aumentando a capacidade de produção da insulina necessária para equilibrar a glicose do paciente.

No dia 3 de janeiro, a equipe de Fernández Viña realizou o primeiro implante, em um paciente diabético de 42 anos que dependia das injeções de insulina desde os 25.

Até o momento, os estudos demonstram que o método funciona porque os níveis de glicose se restabeleceram sem o auxílio de medicamentos. "De qualquer maneira, é necessário ser prudente e atuar com muita cautela", advertiu o especialista. "Cada paciente é um caso diferente e cada pâncreas pode reagir de uma forma ao estímulo."

O método é resultado de uma pesquisa que começou em 2003 na Argentina, a partir do implante de células-tronco no coração para reparar tecidos enfartados.

A terapia celular no pâncreas é uma técnica "passível de ser reproduzida e copiada", porque pode ser realizada mais de uma vez no mesmo paciente e porque seu método não requer prolongados processos de treinamento do médico que a realiza", disse Fernández Viñas. Também não é necessária a permanência do paciente no hospital: pode voltar ao local no dia seguinte da intervenção.

A pesquisa, financiada por uma fundação científica particular, com custo médio de 5.000 pesos por implante (1.600 dólares), continuará até 1º de fevereiro com uma segunda etapa em que serão selecionados 35 pacientes de entre 22 e 65 anos entre 500 voluntários que já se ofereceram para participar do programa.

"Vamos incluir tanto diabéticos cujas células beta já não podem produzir insulina ('insulino-dependentes') como os que precisam de medicamento para aumentar sua produção", disse.

Nesta segunda etapa, os especialistas esperam determinar o nível de resposta em diferentes grupos de diabéticos para obter resultados mais categóricos, que poderão ser comprovados a partir de 60 dias do implante.

"Nosso objetivo é conseguir um 'fast-track': queremos que seja um tratamento cujos resultados apareçam rapidamente e não se precise esperar anos para reverter a doença."

A incidência do diabetes vem crescendo devido à obesidade e à vida sedentária. Na Argentina, estima-se que 2,5% da população sofrem da doença, quase um milhão de pessoas, das quais grande parte não tem conhecimento disso.

Fernández Viña faz parte da equipe médica de terapia celular do pâncreas, junto com profissionais da Universidade Nacional de Rosário (310 km ao norte). Também é membro do serviço de Imunologia do MD Anderson Center de Houston.

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