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 Internacional

29/03/2005 - 14h44
Brasileiros que trabalham em Ciudad del Este expulsos do Paraguai

ASSUNÇÃO, 29 mar (AFP) - Quase 100 brasileiros que trabalham em Ciudad del Este, mas que moram em Foz do Iguaçu, foram expulsos por funcionários do Departamento de Migrações na ponte internacional sobre o rio Paraná nesta terça-feira, informou à AFP o diretor do departamento Carlos Liseras.

"Iniciamos uma forte operação de madrugada para controlar a passagem de pessoas, motos, táxis, ônibus e constatamos uma grande quantidade de pessoas sem documentação que foram expulsas", explicou.

As autoridades paraguaias calculam entre 7.000 e 10.000 os comerciantes e trabalhadores brasileiros que moram no Brasil e cruzam a fronteira diariamente para trabalhar em Ciudad del Este, que fica 330 km a leste de Assunção.

A fonte acrescentou que muitos estrangeiros estavam com documentação paraguaia falsa de visto permanente, com assinatura e selo de autoridades locais.

"Vamos iniciar ações para anular estes vistos. Foram feitos com base em declarações falsas e fraudulentas, tipificadas na legislação penal", afirmou Liseras.

Pelo menos um paraguaio, o motorista que transportava os brasileiros para Ciudad del Este, foi detido depois de protagonizar um incidente com os funcionários do Departamento de Migrações. O representante do governo de Nicanor Duarte iniciou 300 ações contra empresários que contratam brasileiros sem documentação e anunciou que os controles se estenderão às centenas de lojas instaladas na cidade.

Ciudad del Este recebe diariamente milhares de compradores, mais conhecidos como sacoleiros ou contrabandistas brasileiros.

Estas pessoas adquirem mercadorias importadas pelo Paraguai na Ásia ou Estados Unidos e as redistribuem aos mercados ambulantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul ou do Nordeste brasileiro.

O governo do Brasil implementa um bloqueio para a passagem dos sacoleiros em seu território e prometeu a Assunção indenizar os paraguaios afetados pela medida, com o objetivo de deter o contrabando.

Os controles rigorosos terão duração indefinida.

Para as autoridades de Ciudad del Este e os afetados, a operação paraguaia é uma represália às medidas aplicadas pela Receita e Polícia Federal do Brasil.

Os afetados acusam as autoridades brasileiras de dissimular o combate à pirataria exigido por Washington tomando Cidade do Leste como bode expiatório.

Carlos Walde, assessor econômico do presidente Nicanor Duarte, denunciou que o Brasil negocia com os Estados Unidos uma ampliação das isenções alfandegárias a seus produtos dentro do chamado Sistema Geral de Preferências e que, como prova, o governo Bush exige a demonstração de seu combate ao contrabando e à pirataria.

"O Brasil tem sérios problemas com o contrabando e os produtos falsificados, especialmente com a Microsoft, mas o percentual que entra por Cidade do Leste é ínfimo comparado com o que entra pelos portos (como Santos e Manaus)", disse.

Segundo ele, atividade ilegal é mais intensa e maior em outros lugares do Brasil do que em Ciudad del Este.

O prefeito local, Zacarías Irún, afirmou que um relatório da associação de comerciantes do Brasil destaca que 96% dos produtos piratas entram no país vizinho por Santos, Paranaguá e Manaus, e que apenas 4% pela cidade paraguaia.

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