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 Internacional

29/11/2005 - 14h22
Vaticano divulga documento que proíbe ordenação de homossexuais

Por Kelly Velásquez CIDADE DO VATICANO, 29 nov (AFP) - O Vaticano proibiu oficialmente nesta terça-feira a ordenação de homossexuais, por considerá-los inaptos para o sacerdócio, em um documento aprovado pelo Papa Bento XVI e publicado pelo jornal da Santa Sé ao final de 10 anos de reflexões e polêmicas.

A publicação confirma a versão divulgada pela agência católica italiana Adista sob o título "Limpeza étnica", com a qual denunciava-se também o mal-estar na Igreja causado por um tema tão delicado e atual.

A Igreja Católica decidiu fechar definitivamente as portas dos seminários e ordens religiosas àqueles que "praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente radicais ou apóiam a chamada cultura gay". O documento, aprovado pelo Papa Bento XVI no último dia 31 de agosto, foi enviado aos bispos e diretores dos seminários de todo o mundo, após ser concluído pela Congregação para a Educação Católica, dirigida pelo cardeal polonês Zenon Grocholewski.

Com nove páginas, o texto leva o título "Instruções sobre os critérios de discernimento vocacional em relação às pessoas com tendências homossexuais antes de sua admissão no seminário e nas ordens sagradas". "A aprovação das instruções resulta mais urgente devido à situação atual", diz a breve introdução, referindo-se indiretamente aos escândalos e denúncias feitas em vários países contra padres pedófilos e homossexuais.

O documento reitera a doutrina tradicional da Igreja sobre a homossexualidade, considerada um comportamento "intrinsicamente mau", e diferencia "atos homossexuais", considerados pelos católicos "pecados graves, imorais e contrários às leis da natureza", de tendências homossexuais, classificadas de inclinações "objetivamente desordenadas".

Apesar de o texto afirmar que a Igreja deve acolher "com respeito e delicadeza" os homossexuais, evitando "qualquer discriminação injusta", várias associações católicas que defendem o reconhecimento dos "curas gays" e organizações de defesa dos homossexuais protestaram contra o texto, que classificaram de "racista e homofóbico".

"As tendências que forem apenas expressão de um problema transitório, como o da adolescência, devem ser claramente superadas pelo menos três anos antes da ordenação", determina o documento do Vaticano. "O simples desejo de ser padre não é suficiente, e não existe o direito à ordenação", adverte a Igreja, que convida os bispos a aplicar as normas de discernimento para o acesso ao seminário e verificar, após a admissão, "que eles tenham a maturidade afetiva" indispensável.

O Vaticano prevê que "seria gravemente desonesto o candidato esconder sua homossexualidade para ter acesso, apesar de tudo, à ordenação (...) Tamanha falta de retidão não corresponde ao espírito de verdade, lealdade e disponibilidade que deve caracterizar a personalidade de quem acredita ter sido chamado para servir a Cristo e a sua Igreja no ministério sacerdotal", conclui o documento.

A divulgação oficial das orientações do Vaticano gerou uma série de reações em todo o mundo. A associação francesa David e Jonathan, integrada por católicos homossexuais, considerou as normas "inaplicáveis e perigosas". Já a New Ways Ministry, associação americana de sacerdotes ativos na comunidade homossexual, teme que os padres e seminaristas gays "tenham que se esconder ainda mais", enquanto o italiano Franco Grillini, presidente de honra da associação Arcigay, classificou o documento de "quase racista".

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