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 Internacional

22/01/2006 - 18h27
O primeiro presidente indígena da Bolívia tomou posse neste domingo

Por Isabel Sánchez=(FOTOS)= LA PAZ, 22 jan (AFP) - O líder cocalero Evo Morales, de 46 anos, assumiu neste domingo como o primeiro presidente indígena da história da Bolívia, com o enorme desafio de reerguer um país mergulhado na pobreza e nos conflitos sociais, e consolidando uma virada para a esquerda a América Latina.

O líder boliviano prestou juramento com a mão esquerda erguida e a direita no peito.

O dirigente camponês aymara, com lágrimas nos olhos, recebeu a faixa presidencial do presidente interino, Eduardo Rodríguez, durante o ato em que usava um terno adornado com um lenço de tecido andino em substituição à gravata tradicional, e na presença de oito presidentes da América Latina e um europeu, o herdeiro da coroa espanhola Felipe de Borbón, representantes dos Estados Unidos, da União Européia, da ONU, da OEA e movimentos sociais.

Depois de fazer o juramento e um pouco antes de iniciar seu discurso, Morales pediu um minuto de silêncio pelas vítimas das lutas sociais travadas pelo movimento camponês e indígena nos últimos 15 anos. Também incluiu em sua homenagem os antepassados "Tupac Katari, Simón Bolivar, Che Guevara", que lutaram "pela igualdade e pela integração latino-americana".

"Glória aos mártires pela libertação", gritou Morales, em meio aos sons emanados pelo 'pututu', um chifre de vaca usado pelos grupos autóctones em suas festas e cerimônias.

O novo presidente disse ter chegado ao governo graças a seus pais, a Deus e a Pachamama (mãe terra), e os movimentos populares e indígenas da Bolívia e da América".

O novo vice-presidente da Bolívia, o matemático, sociólogo e ex-guerrilheiro Alvaro García Linera - uma espécie de eminência parda de Morales - discursou pela construção de um Estado forte e solidário. García, que também acumula o cargo de presidente do Congresso, defendeu uma economia forte para que "Estado proteja a todos, aos mais vulneráveis, que são a maioria do país".

Dirigindo-se ao enviado do governo dos Estados Unidos, Thomnas Shannon, Morales disse querer aproveitar a oportunidade para dizer que seu país e Washington serão aliados na luta contra o narcotráfico. Morales chega ao Palácio Quemado com 74% de popularidade, um índice sem precedentes para um presidente que obteve 54% dos votos na eleição de 18 de dezembro passado.

Morales assume a Presidência de uma nação de 9,3 milhões de habitantes, mais da metade deles indígenas, em meio a uma monumental expectativa em seu país e no exterior.

Um dos convidados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou à disposição do novo governante indígena a cooperação dos países da região. Lula anunciou que apresentará propostas a seus colegas sul-americanos para colaborar com o governo de Morales. "Seria importante que, nos primeiros dias de seus governo, se constitua uma equipe e todos os paises, Chile, Brasil, Peru, Argentina, Venezuela, preparem um programa de coisas que são prioridade e nas quais podemos ajudar", assinalou. "Todos nos queremos ajudar Evo Morales", enfatizou o presidente brasileiro, saudando a evolução da democracia na América Latina.

Muito significativa também foi a presença de Ricardo Lagos por ser o primeiro presidente do Chile a visitar oficialmente nos últimos 50 anos a Bolívia, país com o qual Santiago não tem relações diplomáticas desde 1978 por causa de divergências marítimas.

"Vamos trabalhar para o bem-estar de nossos povos e por justiça social", afirmou Lagos, depois de se reunir com Morales.

A posse de Morales é seguida de perto pelos Estados Unidos, que vê nele um perigo para seu plano de luta antidrogas e não gosta de seus vínculos com o presidente venezuelano Hugo Chávez e o líder cubano, Fidel Castro.

Em sua chegada à La Paz na noite de sábado, Chávez afirmou que, com Morales, o socialismo na América Latina está avançando.

Morales enfrentará dois desafios imediatos que dominaram a agenda nacional nos últimos anos: a nacionalização dos recursos energéticos e a organização de uma assembléia Constituinte.

No sábado, durante um discurso numa tradicional cerimônia indígena em foi entronizado e recebeu todos os poderes espirituais e terrenos de, Morales prometeu que em 6 de agosto estará em funções a Assembléia Constituinte para realizar o que chama de "a refundação da Bolívia".

Morales, ao contrário de seus antecessores, chega ao poder com o apoio do Congresso (84 legisladores de 157) para tomar decisões a respeito do vital assunto da nacionalização dos recursos naturais, que prometeu realizar sem afetar os interesses das petroleiras como a Petrobras presentes no país.

Mas, sem dúvida, a população indígena é a que tem as maiores esperanças em seu presidente, pois eles formam a grande massa de pobres - 63% da população total - neste país, que, paradoxalmente, possui a segunda reserva mais importante de gás do continente, 108 trilhões de metros cúbicos, ficando somente atrás da Venezuela.

Cerca de 10.000 policiais participaram na operação de segurança das festividades desse final de semana e os eventos foram cobertos por mais de mil jornalistas do mundo todo.

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