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 Internacional

21/02/2006 - 14h55
O "banqueiro de Deus" Paul Marcinkus morreu aos 84 anos

=(FOTOS)= LOS ANGELES, 21 fev (AFP) - O arcebispo americano Paul Marcinkus, conhecido como "o banqueiro de Deus" e envolvido num dos piores escândalos de corrupção dentro da Igreja católica, morreu aos 84 anos em Phoenix, Arizona, informou a diocese dessa cidade.

O arcebispo, que foi processado na Itália em 1982 como um dos envolvidos na falência do Banco Ambrosiano, morreu em sua casa de Sun City.

Marcinkus, que nasceu perto de Chicago, em 15 de janeiro de 1922 e se dedicou ao sacerdócio desde 1947, era o responsável, entre 1969 e 1989, pelo Instituto para as Obras Religiosas (IOR), conhecido popularmente como o Banco de Deus.

O arcebispo mantinha estreitas relações com Roberto Calvi, o ex-presidente do maior banco privado italiano, o Banco Ambrosiano, encontrado morto em 1982 debaixo de uma ponte de Londres depois de uma série de investimentos arriscados, entre eles lavagem de dinheiro sujo proveniente de atividades ilícitas nos paraísos fiscais do Panamá e Bahamas.

Marcinkus, investigado pela justiça italiana, foi absolvido em 1985 de todos as acusações, mas se viu obrigado a deixar, em 1990, o Vaticano e aposentar-se nos Estados Unidos depois de uma longa negociação entre a Itália e a Santa Sé. A gestão de Calvi no Banco Ambrosiano deixou um rombo de 1,4 bilhão de dólares e levou a um segundo de 250 milhões de dólares nos cofres do Instituto para as Obras Religiosas (IOR), que era seu principal acionista.

Além de Calvi, outro banqueiro, conhecido como o "banqueiro da máfia", Michele Sindona, membro da poderosa loja maçônica P2, como Calvi, morreu assassinado em 1986 por suas relações com o escândalo financeiro.

O prelado americano, filho de uma família de imigrantes de origem lituana, sofria há vários anos do coração, segundo amigos próximos.

"Era uma pessoa fantástica, humana, generosa e alegre", declarou o ex-embaixador da Ordem de Malta, Stefan Falez.

Seu sucessor desde 1989 no IOR, o italiano Angelo Caloia, foi muito crítico em relação à gestão de Marcinkus, por isso optou por dirigir com maior transparência e severidade o capital da Igreja católica.

"Era um tipo superficial e mal aconselhado. Acreditava conhecer o mundo dos negócios, mas, na realidade, foi uma vítima desse mundo. Comprometeu e endividou o IOR apesar de ser um bom padre", afirmou.

Nomeado para o delicado cargo pelo Papa Paulo VI, que necessitava de um homem de confiança como encarregado das finanças do Vaticano, Marcinkus era então um jovem diplomata que acabava de chegar da nunciatura da Bolívia e parecia o homem adequado para o cargo.

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