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 Internacional

14/05/2006 - 08h15
Populismo na América Latina foi o pano de fundo da cúpula de Viena

Por Fernando Fernandez-Flores=(FOTOS)=VIENA, 14 Mai (AFP) - Em meio à turbulência provocada pela polêmica nacionalização do gás boliviano, o pano de fundo da cúpula que terminou neste sábado em Viena foi o avanço do populismo na América Latina, representado por Evo Morales e Hugo Chávez.

Os europeus e mesmo alguns líderes latino-americanos moderados trataram de advertir a região sobre a necessidade de evitar uma ideologia que remonta a passado não muito glorioso e que pode ameaçar qualquer modelo de integração.

O risco de um avanço do populismo na América Latina "é que tenhamos uma festa esta noite e amanhã terminemos num funeral", disse o presidente do Peru, Alejandro Toledo, assegurando que a região não pode ser "sequestrada" pelos "petrodólares".

Toledo se referia obviamente ao venezuelano Hugo Chávez, com quem vem tendo sérias divergências.

Para Toledo, mas também para outros, como o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, Chávez inspirou o boliviano Evo Morales em sua decisão de nacionalizar os hidrocarbonetos de seu país.

Na quinta-feira, Morales chegou a anunciar que as companhias estrangeiras presentes em seu país e afetadas pela nacionalização dos hidrocarbonetos não seriam indenizadas.

Vinte e seis companhias estrangeiras, entre elas a brasileira Petrobras, a espanhola Repsol, a americana Exxon-Mobil, a francesa Total e a britânica British Gaz operam nos principais campos da Bolívia, que possui a segunda maior reserva de gás da América do Sul, depois da Venezuela.

O presidente da França, Jacques Chirac, o chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, Blair, e alto representante para a Política Exterior da UE, Javier Solana, a ministra austríaca Ursula Plassnik: a reação contra Morales foi em bloco.

Blair, por exemplo, não só advertiu Morales, mas também Chávez, e exigiu que sejam responsáveis na utilização de seus recursos em hidrocarbonetos e que "trabalhem em cooperação com os investidores estrangeiros".

Se Morales não mediu as consequências de suas declarações, o certo é que ficou claro que o mandatário boliviano compreendeu perfeitamente as diferentes reações que provocou.

Na mesma noite de suas explosivas palavras, Morales enviou uma carta oficial ao chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, para esclarecer a Madri (preocupada com o destino dos investimentos da Repsol-YPF) que seu governo buscará "fazer novos contratos de interesse mútuo", com "todas as condições necessárias para que exista uma verdadeira e duradoura segurança jurídica".

Mas a polêmica não envolveu apenas os europeus. O Brasil e a Petrobras também foram alvo de duras acusações, e o chanceler Celso Amorim não demorou em manifestar a "indignação" do governo do presidente Lula com as palavras do líder boliviano.

Em meio a outra tormenta, Evo Morales tentou se corrigir no sábado, quando se reuniu com Lula num hotel da capital austríaca e atribuiu os "mal-entendidos" a "alguns meios de comunicação" que "buscam confrontar" Brasil e Bolívia.

Já o venezuelano Hugo Chávez escolheu como palco de suas ações uma espécie de cúpula alternativa, que se realizou às margens do encontro de Viena, além de alguns encontros bilaterais.

Chávez se reuniu com a presidente chilena Michele Bachelet para propor que o Chile integre o projeto do Gasoduto do Sul, prometendo em troca abastecer o Chile de gás "durante 150 anos".

Diante desse estilo sempre polêmico, a esquerda latino-americana mais moderada, representada por Lula mas sobretudo pela própria Bachelet, optou por tentar passar uma imagem de seriedade aos sócios europeus.

Bachelet colheu os frutos plantados pelo ex-presidente Ricardo Lagos, já que o Chile foi apresentado como o "modelo" a ser seguido na região, a partir de sua combinação de socialismo e abertura comercial, ou seja, uma alternativa ao projeto populista e protecionista.

"Neste excelente debate aberto, pedimos ao Chile que utilize seu papel de influência na América Latina. O Chile é um grande sucesso do ponto de vista econômico e político", disse o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, após a reunião da UE com Bachelet.

Por sua vez, o atual presidente da UE, o chanceler austríaco Wolfgang Schuessel, classificou de "excelente" o primeiro encontro com Bachelet e ressaltou que o Chile é "um modelo" das relações exteriores da Europa.

"O Chile está movendo-se na direção correta. É um modelo em nossas relações com outros países", disse Schuessel, anfitrião da cúpula, ao destacar o incremento do comércio, da cooperação bilateral e do diálogo político.

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