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 Internacional

03/07/2006 - 10h00
Camboja inicia processo legal para julgar os Khmers Vermelhos

Por Suy Se=(FOTOS)= PHNOM PENH, 3 jul (AFP) - Vinte e sete anos depois da queda do regime genocida dos Khmers Vermelhos, que causou cerca de dois milhões de mortes entre 1975 e 1979, o Camboja iniciou nesta segunda-feira o processo legal destinado a julgar seus ex-dirigentes ainda vivos, depois de dois anos de adiamentos.

Numa cerimônia realizada no Palácio Real da capital cambojana, 17 juízes cambojanos e 10 estrangeiros prestaram juramento ante os dignitários budistas e quatro sacerdotes brâmanes, assegurando que vão "julgar os crimes cometidos durante o reinado do Kampuchea Democrático com dignidade, honradez, transparência, independência e respeitando a Constituição e o conjunto das leis".

Kampuchea Democrático é o nome que os Khmers Vermelhos deram ao Camboja.

O ministro do Palácio Real, Kong Sam Ol, e o emissário da ONU, Nicolas Michel, também estavam presentes à cerimônia.

Apesar de seu caráter simbólico, a cerimônia inicia oficialmente o processo judicial destinado a julgar o último grupo de dirigentes do Khmers Vermelhos: a instrução começará em meados de julho e o julgamento em meados de 2007. No total, deverá durar três anos e custar cerca de 56 milhões de dólares.

"Isso oficializa o tribunal e o estabelece formalmente", explicou Youk Chang, diretor do Centro de Documentação do Camboja, que reuniu as provas dos crimes cometidos durante o regime dos Khmers.

O julgamento põe fim a anos de hesitação oficial. Phnom Penh havia solicitado um tribunal nas Nações Unidas em 1997, mas teve de esperar até 30 de abril de 1998 e um requerimento similar apresentado pelos Estados Unidos ante o Conselho de Segurança da ONU para que a idéia se concretizasse.

No entanto, os procedimentos não evoluíram devido à suposta reticência do primeiro-ministro Hun Sen, eleito em 1998 e que foi membro dos Khmers Vermelhos, apesar de em um grau inferior.

Hoje alguns ex-dirigentes dos Khmers Vermelhos que ainda estão vivos são todos muito idosos, e alguns têm o estado de saúde precário.

Apenas dois deles estão detidos por genocídio: Ta Mok, de 80 anos, apelidado de "o carniceiro" devido às matanças que lhe são atribuídas, e Kang Kek Ieu, 64 anos, conhecido como "Duch" e que dirigia a prisão Tuol Sleng de Phnom Penh, onde cerca de 15.000 pessoas foram torturadas e executada.

Os outros ex-dirigentes Khmers vivem em liberdade, entre eles o ex-chefe da diplomacia Ieng Sary, 77 anos, o ex-braço-direito de Pol Pot, Nuon Chea, 79 anos, e o ex-chefe de Estado Khieu Samphan, 75 anos.

Pol Pot, líder dos Khmers na época do genocídio, morreu em 1988.

Quase dois milhões de pessoas morreram de abril de 1975 a janeiro de 1979 no Camboja, onde os Khmers Vermelhos, em nome de uma ideologia, com ingredientes de comunismo e nacionalismo, impuseram o terror à população.

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