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 Internacional

09/07/2006 - 16h50
Contreras diz que a origem da fortuna de Pinochet está no tráfico de drogas

SANTIAGO, 9 jul (AFP) - A imensa fortuna que o ex-ditador chileno Augusto Pinochet acumulou no exterior teria sua origem no tráfico de drogas, segundo um de seus principais ex-colaboradores, o chefe da temida polícia secreta Dina, Manuel Contreras, em uma denúncia que o Exército se comprometeu em investigar.

Contreras disse em um interrogatório judicial que Pinochet organizou uma rede de fabricação e venda de drogas que lhe valeu dividendos milionários com a ajuda de seu filho mais novo, Marco Antonio, e do empresário de origem síria Edgardo Bathich.

Essa rede seria a origem da fortuna que o ex-ditador e sua família mantiveram oculta em bancos estrangeiros, com depósitos de mais de 27 milhões de dólares, de acordo com Contreras.

A denúncia foi revelada neste domingo pelo jornal La Nación e confirmada em seguida por Fidel Reyesm advogado de Contreras , que era chefe da temida polícia de Pinochet, a Direção de Inteligência Nacional (Dina).

"As declarações que meu cliente fez baseiam-se em fatos, e se ele afirma o que afirmou, é porque é verdade", assinalou o jurista, que defende Contreras em mais de uma dúzia de causas por crise contra a Humanidade que o mantêm preso desde janeiro de 2005.

O advogado negou que a denúncia se deva a uma vingança de seu cliente contra Pinochet, que o acusou de ser o principal responsável pela violação dos direitos humanos atribuídas a seu regime, que deixou um saldo de mais de 3.000 vítimas.

"Vingança jamais, verdade sempre, ainda que doa", afirmou Reyes.

A denúncia será investigada pela justiça, segundo disseram a presidente Michelle Bachelet e o comandante-em-chefe do Exército, Oscar Izurieta.

"A justiça deve agir e fazer tudo o que é preciso a respeito", afirmou a presidente.

De acordo com a versão judicial que Contreras entregou ao juiz Claudio Pavez, que investiga o crime do coronel do Exército chileno Gerardo Huber em 1991, a rede comandada pelo filho de Pinochet e Edgardo Bathich fabricava um tipo especial de cocaína, conhecida como "negra ou russa", por ser imperceptível ao olfato.

A droga era elaborada em uma das dependências do Exército em Talagante pelo ex-químico da Dina, Eugenio Berríos, assassinado em circunstâncias estranhas em 1993, no Uruguai.

A produção era enviada para os Estados Unidos e Europa, onde um parente de Bathich, o famoso traficante internacional de armas e drogas Monser Al Kassar, a distribuía e, posteriormente, depositava as remessas nas distintas contas que Pinochet manteve em bancos no exterior.

O coronel Huber, cuja morte é investigada pelo juiz Pavez, supostamente tinha conhecimento das operações e por isso foi silenciado, segundo Contreras, de acordo com o La Nación.

As primeiras contas bancárias de Pinochet e sua família no estrangeiro foram descobertas há dois anos no Riggs Bank de Washington, por uma comissão do Senado americano que investigava operações de lavagem de dinheiro para financiar organizações terroristas.

Por este caso o ex-ditador, de 90 anos, foi submetido a julgamento em 23 de novembro passado.


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