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 Internacional

04/12/2006 - 14h25
Cardeal Cláudio Hummes esclarece sua opinião sobre o celibato na Igreja

=(FOTOS)= CIDADE DO VATICANO, 4 dez (AFP) - O cardeal brasileiro Cláudio Hummes, que chegou nesta segunda-feira a Roma para assumir o cargo de prefeito da Congregação para o Clero, esclareceu sua opinião sobre o fim do celibato, "assunto que não está na ordem do dia" da Igreja.

Com uma nota oficial, divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé, o cardeal Hummes explica o tom de suas declarações ao jornal "O Estado de S. Paulo", nas quais não descartava a possibilidade de a Igreja Católica ordenar algum dia homens casados.

"A questão da abolição do celibato não está na ordem do dia das autoridades eclesiásticas, tal como reiteraram recentemente os chefes dos ministérios da Cúria romana em uma reunião com o Santo Padre", afirma o texto.

O esclarecimento do Vaticano foi divulgado depois da repercussão causada pelas declarações do novo prefeito da Congregação para o Clero, que manifestou disponibilidade para "refletir" e "discutir" sobre a possibilidade da Igreja Católica, que enfrenta uma crise de vocações, chegue a ordenar a homens casados.

"Dentro da Igreja sempre esteve claro que a obrigação do celibato para os sacerdotes não é um dogma, e sim uma norma disciplinar", disse.

O cardeal Hummes, de 72 anos, designado pelo Papa Bento XVI no dia 31 de outubro para substituir o cardeal colombiano Darío Castrillón Hoyos, lembra que esta norma "é válida para a Igreja latina, mas não para aquela de rito oriental, onde existem comunidades que se uniram à Igreja Católica com sacerdotes casados".

O prelado adverte que a norma do celibato "é muito antiga e se baseia em uma tradição consolidada, com fortes motivações de caráter tanto teológico-espiritual como prático-pastoral, que foram confirmadas por vários Papas".

O brasileiro explica ainda no comunicado que no último Sínodo de bispos sobre o tema do sacerdócio, a maioria dos participantes concordou que o fim do celibato "não constituía a solução para resolver o problema da escassez de vocações".

Os bispos consideram que as causas da falta de vocações estão sobretudo no impacto da "moderna cultura secular", que também afeta outras confissões religiosas.

A entrevista do prelado brasileiro havia provocado várias reações na Itália.

O cardeal Hummes disse ao jornal paulista que "mesmo se os padres solteiros integram a história e a cultura católica, a Igreja pode refletir a esta questão porque o celibato não é um dogma, mas uma norma disciplinar".

"A Igreja não é uma instituição paralisada, mas uma instituição que evolui, e que deve evoluir", sentenciou Hummes. No entanto, "a Igreja ainda tem que determinar se é preciso rediscutir a regra do celibato", ponderou.

As declarações de Hummes ainda no Brasil causaram repercussão na Itália, em particular entre os vaticanistas, já que o celibato foi abordado no dia 16 de novembro pelas autoridades da Cúria romana a pedido do Papa Bento XVI.

Na ocasião, a hierarquia reiterou seu "não" aos padres casados.

Os coordenadores de nove congregações e dos 11 conselhos pontifícios que formam a Cúria Romana se recusaram a aceitar a mudança.

Uma alteração desta norma é exigida há vários anos por algumas alas católicas e se tornou um tema atual após a excomunhão, em setembro, do arcebispo de Zâmbia, Emmanuel Milingo, casado pelo ritual da seita Moon com uma sul-coreana e que ordenou bispos quatro sacerdotes casados.

Um congresso de padres casados será celebrado em Nova Jersey (Estados Unidos) de 8 a 10 dezembro. De acordo com estimativas não oficiais existem 110.

000 padres casados no mundo, dos quais 72.000 solicitaram ao Sumo Pontífice a dispensa da obrigação do celibato.

Segundo dados oficiais do Vaticano, 500 sacerdotes pedem a dispensa a cada ano e 50 se 'arrependem' e retornam a cada 12 meses à Igreja.

A dispensa autoriza o padre a casar-se legalmente e pode ser concedida apenas pelo Pontífice, que em geral toma um determinado prazo para dar uma resposta.

O único Papa que a concedeu rapidamente foi Paulo VI.


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