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 Internacional

10/12/2006 - 17h36
Sob a ditadura de Pinochet, o Chile entrou no jogo do livre mercado

=(FOTOS)=SANTIAGO, 10 Dez (AFP) - Os caminhos do livre mercado, percorridos com êxito pela economia do Chile, fazem parte da herança deixada ex-ditador Augusto Pinochet, que morreu neste domingo aos 91 anos, em Santiago.

"Já não há trigo para o pão", anunciou o presidente socialista Salvador Allende num de seus últimos dias antes do golpe militar que instalou o general Pinochet no poder por 17 anos, em 11 de setembro de 1973.

O Chile vivia então imerso numa onda de greves, ocupações de terras e fábricas, sabotagens e atentados, além de choques entre grupos paramilitares da direita e da esquerda.

A produção estava paralisada, o desabastecimento afetava a vida diária de cada chileno e a inflação acumulava três dígitos.

Foram os militares que, com a assessoria de jovens discípulos da Escola de Chicago e à luz dos ensinamentos de Milton Friedman, implantaram a "economia de livre mercado", vigente até hoje como legado da cruel ditadura.

Três décadas depois, o Chile se projeta como um dos países de maior expansão na América Latina, com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) que supera a média da região e que, en 2006, deverá flutuar entre 4,5 e 5%, segundo estimativas oficiais.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou o manejo das autoridades do Chile, um país "imune" ao contágio dos vizinhos em crise, segundo o diretor-gerente da organização, Horst Koehler.

"Por que você escolhe o Chile? Porque é sério, porque é confiável", perguntava e respondia Ricardo Lagos, presidente de 2000 a 2006, após a assinatura de um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos, que entrou em funcionamento em 1º de janeiro de 2004.

Em menos de dez anos, o Chile fez acordos com 31 Estados, incluindo os 15 da União Europea, aos quais somaram-se este ano os mercados gigantes de China e Japão.

Os produtos chilenos têm livre acesso a dois terços do mercado mundial, e o Chile foi sede de uma cúpula da Apec (Fórum de Cooperação Econômica da Ásia Pacífico) em novembro de 2004.

Os chilenos admitem que essa é a herança do regime militar de Pinochet (1973-1990), segundo as pesquisas de opinião pública, as quais trazem também a condenação das violações dos direitos humanos pela ditadura, que resultou em mais de 3.000 mortos e desaparecidos.

"Não, certamente Pinochet não foi um iluminado para descartar vias e optar pela abertura e as reformas", disse à AFP, em setembro de 2003, o economista Alvaro Bardón, um ex-colaborador do regime.

"O grosso da cultura e da tradição militar era de corte tradicional: dirigismo do Estado e estatismo", disse Bardón.

"E, além disso, todos - civis, empresários, trabalhadores - eram contra a mudança", afirmou.

"Alguma vez, escutei Pinochet dizer que, se estávamos tirando Allende, não se podia fazer o mesmo que Allende", recordou.

Ou seja, "era preciso fazer, ainda que não soubesse, uma coisa diferente", explicou o economista, que na administração de Pinochet dirigiu o Banco Central.

Segundo Bardón, o caminho liberal após a "Via Chilena ao Socialismo" que impulsionou Allende foi pavimentado por uma sucessão de casualidades, "quase como um milagre".

"O Chile estava em ruínas com Allende, veio a crise do encarecimento do petróleo (1975), que deixou o país sem divisas. Já em meados de 1974, os governantes não tinham opções, e, finalmente, veio a coincidência mais importante: o aparecimento de uma geração de economistas educada nos Estados Unidos que questionou a estratégia de desenvolvimento para dentro e reivindicou o livre mercado", segundo Bardón.


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