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 Internacional

29/07/2007 - 13h10
Eleição para o Senado confirma derrota histórica do premier japonês Shinzo Abe

TÓQUIO, 29 Jul 2007 (AFP) - A coalizão conservadora governamental japonesa sofreu uma estrepitante derrota nas eleições ao Senado de domingo, quando perdeu sua maioria na Câmara Alta, um fracasso histórico que não impediu o impopular primeiro-ministro Shinzo Abe de declarar sua intenção de, mesmo assim, permanecer no poder.

Desta eleição participa o ex-presidente peruano Alberto Fujimori, que concorre, por um partido de menor expressão, a uma cadeira do Senado, numa tentativa sem precedentes no mundo em que um ex-chefe de Estado disputa as eleições nacionais de outro país.

Fujimori está atualmente em prisão domiciliar no Chile, onde espera que a Corte Suprema decida se deve ou não ser extraditado ao Peru. O ex-presidente é acusado por corrupção e crimes de lesa humanidade pelos peruanos.

De acordo com uma pesquisa do canal público de televisão NHK, o Partido Liberal Democrata (PLD) de Abe e seu aliado, a pequena legenda budista Novo Komeito, obtiveram entre 31 e 43 assentos dos 121 que estavam em jogo, uma vez que neste pleito será renovada a metade do Senado, que conta com 242 cadeiras.

O canal privado TBS, referindo-se a uma "histórica derrota", atribuiu à coalizão no poder a obtenção de 34 assentos. Já a Nippon Television aposta que conseguiram 38.

O PLD e o Novo Komeito devem manter pelo menos 64 das 76 cadeiras que defendem para manter a maioria no Senado.

É a primeira vez em nove anos que o PLD, que domina a política japonesa há meio século, perde a maioria em uma das duas câmaras do Parlamento nipônico.

Por outro lado, os centristas do Partido Democrata do Japão (PDL), a principal força da oposição, aumentaram significativamente com a obtenção de, pelo menos, 60 assentos diante dos 32 atuais, segundo as primeiras sondagens de boca de urna.

Apesar disso, Shinzo Abe tem a intenção de permanecer no poder, "já que deseja continuar suas reformas da educação e a revisão da Constituição", os dois pilares de seu programa, afirmou a cadeia televisiva nipônica NHK citando fontes anônimas.

Abe, que aos 52 anos se tornou o primeiro-ministro mais jovem da história recente do Japão com sua chegada ao poder em setembro de 2006. Ele já tinha tornada pública a sua vontade, inclusive antes da corrida eleitoral, que não pensa em se demitir, seja qual for o alcance da derrota de seu partido.

De fato, a arrasadora maioria que dispõem o PLD e o Novo Komeiro desde 2005 na câmara dos deputados, que elege o primeiro-ministro, permite, em teoria, que Abe se mantenha no poder apesar de perder também o controle do Senado.

O primeiro-ministro respondeu afirmativamente quando os jornalistas lhe perguntaram, depois do fechamento das urnas, se ele pensa em seguir a frente do governo.

No entanto, segundo os cientistas políticos, a pressão para que o primeiro-ministro peça demissão se manterá se os resultados definitivos confirmaram o desastre já anunciado pelos primeiros números de boca de urna.

Até o momento, o PLD não reconheceu sua derrota oficialmente.

"A apuração dos votos acaba de começar. Não saberemos nada até que todos os votos tenham sido contados", insistiu o chefe do comitê eleitoral do PSL, Yoshio Yatsu.

Yatsu, porém, reconheceu que as eleições senatoriais "representaram para nós uma batalha, devido aos escândalos das pensões e dos casos financeiros".

Ele se referia ao escândalo desencadeado pela perda, por parte do sistema nacional de segurança social, dos fundos de pensão de 50 milhões de trabalhadores.

Esta falha inacreditável foi vista como uma tragédia pela maior parte dos japoneses, um país com elevado o índice de envelhecimento em sua população.

Em dez meses, Abe, um nacionalista pragmático, sofreu uma queda abrupta em sua popularidade por este escândalo das pensões, um a mais de toda uma série ininterrupta, incluídos alguns casos de corrupção, nos que se viram envolvidos alguns de seus colaboradores mais próximos.

Mais ideólogo do que seu predecessor, o populista Junichiro Koizumi, Abe conseguiu aprovar uma reforma do sistema educativo para reintroduzir o "patriotismo" nas escolas.

"Falcão" no terreno das relações exteriores e firme aliado dos Estados Unidos, iniciou o processo de reforma da Constituição pacifista de 1947, que aos olhos dos nacionalistas diminui as ambições do Japão.

Este programa "muito ideológico" não conseguiu despertar o interesse da maioria da população, mais preocupada pelo bem-estar e pelas crescentes desigualdades entre ricos e pobres.

Assim, o chefe da oposição, Ichiro Ozawa, centrou habilmente sua campanha nos programas cotidianos dos japoneses nas regiões rurais, feudos de direita, que se sentem abandonadas pelo poder central.



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