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 Internacional

18/03/2008 - 10h00
Dalai-lama pede calma aos tibetanos e ameaça renunciar

de Dharamsala, Índia

O Dalai-lama pediu nesta terça-feira (18), em seu exílio na Índia, calma no Tibete, defendeu boas relações com a China e ameaçou renunciar à função de líder espiritual do budismo tibetano caso a situação, que afirmou não controlar, se agrave.

De acordo com o governo tibetano no exílio, a agitação prossegue, e 19 manifestantes tibetanos foram mortos a tiros nesta terça-feira na província chinesa de Gansu, o que eleva o balanço de mortes "confirmadas" em uma semana de revoltas a 99. O governo chinês só reconhece 13 mortos desde o início dos distúrbios.

Em uma entrevista coletiva, o dalai-lama, 72, afirmou que chineses e tibetanos devem viver "lado a lado" e descartou incluir na agenda de eventuais discussões com a China a reivindicação de independência do Tibete.

"Temos que construir boas relações com os chineses", disse o líder espiritual do budismo tibetano à imprensa em Dharamsala, norte da Índia, onde vive exilado desde 1959 e onde se encontra a sede do governo tibetano no exílio.

"A respeito da violência, é algo ruim. Não devemos desenvolver sentimentos antichineses. Temos que viver juntos, lado a lado", acrescentou.

"A independência é algo fora de discussão", completou.

O Prêmio Nobel da Paz parou há alguns anos de defender a independência e adotou a visão, chamada de intermediária, que consiste em pedir uma simples autonomia cultural para o Tibete. Também foi uma resposta tanto a setores tibetanos radicais como ao governo chinês, que o acusou novamente de estar por trás dos distúrbios.

"Não cometam atos de violencia, é ruim. A violência é contrária à natureza humana. A violência é quase um suicídio. Mesmo que mil tibetanos sacrifiquem suas vida, não servirá para nada", enfatizou.

No entanto, o dalai-lama disse não estar em condições de dizer aos tibetanos que vivem sob o regime chinês que "façam isto ou aquilo".

"Este movimento escapa do nosso controle", acrescentou em referência aos protestos antichineses da semana passada no território himalaio, que terminaram em distúrbios e provocaram uma dura repressão.

"Se as coisas escaparem do controle, a opção é renunciar", ameaçou. "Se as paixões se acalmarem dos dois lados, poderemos trabalhar."

Em dias anteriores, o dalai-lama condenou o "regime de terror" e o "genocídio cultural" impostos pela China no Tibete, mas se opôs aos pedidos de boicote aos Jogos Olímpicos de Pequim, programados para agosto.

Antes da ameaça de renúncia do dalai-lama, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse que a China só manteria contatos com o líder espiritual dos tibetanos se este renunciasse às ambições separatistas, ao mesmo tempo que o acusou pela onda de violência.

"Temos as provas, e os fatos demonstraram que estes incidentes foram estimulados e organizados pelo grupo do dalai-lama", afirmou o primeiro-ministro chinês.

O dalai-lama convidou as autoridades chinesas para uma reunião com ele para investigar as acusações.

"Venham, por favor, investiguem os fatos. Os chineses podem vir e inspecionar tudo", disse.

O líder espiritual tibetano negou em repetidas ocasiões as acusações chinesas de que defende a independência e insiste que pede apenas um alto grau de autonomia para o Tibete.

Porém, sua política intermediária - que combina autonomia com não violência - tem recebido críticas crescentes dos exiliados tibetanos mais jovens e mais radicais.

"Admiti que (a política) não conseguiu obter resultados positivos ao Tibete", afirmou ele, que no entanto considera as exigências de independência total não realistas.

"Perguntei a eles como obter a independência e não recebi resposta", disse o dalai-lama ao citar suas discussões com os exilados tibetanos radicais.


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