UOL Notícias Notícias
 

29/12/2008 - 10h42

Acusado de cumplicidade, Egito trabalha por trégua em Gaza

CAIRO, 29 dez 2008 (AFP) - Acusado de cumplicidade com Israel pelo Hamas palestino, o Hezbollah xiita libanês e pela oposição egípcia, o regime do presidente egípcio Hosni Mubarak deseja prosseguir a mediação para obter um cessar-fogo e uma nova trégua entre os grupos palestinos e o Estado hebreu.

O líder do movimento xiita libanês Hezbollah, Hasan Nasrallah, pediu no domingo ao povo egípcio que saia às ruas para forçar a abertura da passagem de Rafah, entre o Egito e a Faixa de Gaza.

Os dirigentes do Hamas acusam o Egito de asfixiar a Gaza para estrangular o movimento e impor ao mesmo uma reconciliação com o Fatah de Mahmud Abbas.

Ao mesmo tempo que prosseguem os ataques aéreos de Israel na Faixa de Gaza, que deixaram pelo menos 312 mortos, o Cairo pretende organizar na quarta-feira uma reunião extraordinária de chanceleres da Liga Árabe para tentar encontrar uma solução do conflito.

O ministro das Relações Exteriores egípcio, Ahmed Abul Gheit, insistiu nesta segunda-feira, em visita a Turquia, na necessidade de um cessar-fogo entre Israel e os movimentos palestinos para depois retomar "uma trégua que deve propiciar a reabertura dos pontos de passagem entre Gaza e Israel".

O Egito conseguiu mediar uma trégua de seis meses entre Israel e o Hamas, que chegou ao fim em 19 de dezembro, que os radicais islâmicos não renovaram alegando que o Estado hebreu mantinha o bloqueio contra Gaza.

Apesar das críticas ao Egito, o líder da Jihad Islâmica, Ramadan Challa, afirmou que os movimentos palestinos de Gaza estão "dispostos a considerar positivamente uma recondução da trégua, mas não sob as condições de Israel".

"Temos duas exigências: um cessar-fogo e uma suspensão do bloqueio imposto a Gaza desde que o território passou ao controle do Hamas em junho de 2007", disse Challa ao canal Al-Jazeera.

Os dirigentes de Hamas, entrevistados pela imprensa árabe, também afirmaram que não aceitarão as condições israelenses para uma nova trégua.

O cerne do problema entre o regime de Mubarak e os radicais do mundo árabe, que segundo a diplomacia egípcia são manipulados pelo Irã, reside na recusa do Cairo de abrir de modo permanente a passagem de Rafah, única via pela qual podem circular alimentos e mercadorias para Gaza em consequência do bloqueio israelense.

O Egito insiste que sua postura responde ao acordo que fixa as modalidades de funcionamento da passagem de Rafah, como foi assinado pela Autoridade Palestina, Israel e União Européia em 2005.

No entanto, como reconheceu recentemente Mustafa el-Feki, um influente deputado do Partido Nacional Democrata de Mubarak, "o Egito não pode tolerar um emirado islâmico em sua fronteira oriental".

A questão fica ainda mais complexa quando se lembra que os fundadores do Hamas procedem da Irmandade Muçulmana, principal força de oposição no Egito.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,39
    3,890
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h22

    -0,82
    88.115,07
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host