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20/10/2010 - 13h47

GB anuncia severos cortes nos gastos públicos e suprime 490.000 empregos

LONDRES, 20 Out 2010 (AFP) -O governo britânico anunciou nesta quarta-feira um plano de austeridade sem precedente, que acarretará 490.000 supressões de empregos públicos e cortes drásticos nas despesas sociais, na expectativa de poder controlar um déficit recorde.

O ministro das Finanças conservador George Osborne listou, na Câmara dos Comuns, os setores que vão sofrer os maiores cortes.

"Hoje, a Grã-Bretanha saiu da beira da quebra", afirmou Osborne. "É um caminho difícil, mas que leva a um futuro melhor", assegurou, após semanas de negociações no seio da coalizão conservadora/liberal democrata que chegou ao poder em maio, após 13 anos de governo trabalhista.

"O setor público precisa mudar para apoiar as aspirações e as expectativas da população, diferentes das dos anos 1950", disse Osborne.

Os cortes incluem 7 bilhões de libras (cerca de R$ 18,7 bilhões) em gastos com benefícios sociais, o enxugamento de 4% ao ano no financiamento à segurança pública e 8% de cortes no orçamento de Defesa nos próximos cinco anos.

Serão cortados em média 19% dos orçamentos dos departamentos do governo. Nos próximos quatro anos, os cortes de gastos do governo britânico devem chegar a 83 bilhões de libras (cerca de R$ 220 bilhões). Também devem ser elevados impostos para aumentar a arrecadação em 29 bilhões de libras (cerca de R$ 77 bilhões).

As medidas visam a reduzir o déficit público de 10,1% do Produto Interno Bruto este ano a 1,1% em 2015.

A mais espetacular anunciada é a supressão de 490.000 empregos públicos - num total de seis milhões - em menos de cinco anos, a maior parte através de saídas naturais e aposentadoria.

Osborne insistiu na vontade do governo "de cortar o desperdício e reformar a Estado providência", anunciando a supressão de bilhões de libras aplicados nos benefícios sociais: auxílio-desemprego, auxílio-habitação e ajudas aos portadores de deficiência.

O aumento para 66 anos da idade da aposentadoria entrará em vigor a partir de 2020, antes que o previsto.

Para demonstrar que todos serão afetados, os gastos da Casa real terão um corte de 14% em 2012/13.

Assim, o orçamento da família real não vai escapar ao programa de austeridade draconiano do ministro George Osborne.

O orçamento destinado à "Royal Household" (a casa real) será congelado em 2011-12 para "ser reduzido em 2012-13", em cerca de 30 milhões de libras (34 milhões de euros).

O conjunto dos Ministérios terão cortes de 19% em média até 2015.

Entre os mais tocados figuram Justiça, Interior, Meio Ambiente e Cultura.

A BBC, por sua vez, terá o orçamento congelado por seis anos, financiando ela própria o célebre World Service radiofônico, que funcionava até então com verba do ministério das Relações Exteriroes, durante atingido.

O serviço nacional de saúde e a ajuda externa ao desenvolvimento foram poupados, de acordo com as promessas eleitorais do primeiro-ministro David Cameron.

"Se não cortarmos agora o déficit recorde, outros empregos estarão ameaçados", defendeu Osborne ante os deputados, qualificando seu plano de "severo mas justo".

O governo conta com o setor privado para recriar os empregos perdidos .

Cameron pode também se prevalecer do apoio dado pelo Fundo Monetário International, que considerou seus compromissos de corte de gastos "fortes e críveis".

Os trabalhistas denunciaram logo em seguida o que chamaram de uma política "injusta" que incidirá sobre os mais fracos e um "masoquismo econômico".

Repetindo a opinião de alguns especialistas, o líder da oposição, Ed Milliband, acusou o governo de tomar medidas de risco que podem fazer o país mergulhar novamente na recessão" no momento em que a retomada econômica dá sérios sinais de fraqueza.

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