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02/03/2007 - 17h48
Prefeita de Fortaleza é investigada por show de Réveillon

Lauriberto Braga
Agência Estado
Em Fortaleza

A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), está num fogo cruzado. Ela declarou no Diário Oficial do Município, edição de 29 de dezembro de 2006, que pagou R$ 490.097,00 para o show da cantora Elba Ramalho no Réveillon 2007, no aterro da Praia de Iracema e que a cantora Tânia Mara teria ganho R$ 150 mil. A assessoria das duas cantoras disse que Elba recebeu R$ 100 mil e Tânia Mara cantou de graça, em nome da divulgação de seu nome.

Alexandre Campbell - 8.ago.2005/Folha Imagem
A cantora Elba Ramalho, que diz ter recebido R$ 100 mil por show no Ano Novo em Fortaleza, enquanto a prefeita da cidade declarou ter pago R$ 490 mil
O caso foi parar na Câmara de Vereadores, que ameaça abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que já teria nome: CPI da Elba. Hoje, Luizianne enviou os contratos do Réveillon para Câmara dos Vereadores e Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e espera abafar a CPI.

Luizianne teve que republicar os extratos da contratação da festa no Diário Oficial datado de 22 de fevereiro, que até agora só circulou na Internet, retificando que os R$ 490 mil para Elba foram para o show e não somente para a cantora paraibana.

Em nota oficial, Luizianne disse que os R$ 490 mil correspondem a todas as despesas da artista e de suas equipes artística (músicos e dançarinos) e técnica (alimentação, cenografia, instrumentos, deslocamento aéreo, hospedagem, iluminação, efeitos visuais e sonoros).

"Na verdade, essa celeuma toda só tem uma coisa: eleições 2008. O que tiver de ser apurado será apurado.

Houve investimento do Tesouro Municipal de cerca de R$ 150 mil (para pagar o show pirotécnico-queima de fogos), mas também nos responsabilizamos pelo dinheiro dos bancos públicos", disse Luizianne, acusando que o caso veio à tona por determinação do presidente nacional do PSDB, senador cearense Tasso Jereissati. "Fizeram uma celeuma em cima da Prefeitura porque agora tem a oposição tassista na Câmara Municipal, que está se organizando com vistas na eleição de 2008". Tasso disse que soube da confusão pela imprensa. "Não tenho nada a ver com isso", afirmou.

A festa toda (Praia de Iracema e mais em três bairros) custou R$ 2.247.500,00. O Banco do Brasil (BB) patrocinou R$ 1.250.000,00, a Caixa Econômica Federal (CEF) entrou com R$ 200 mil, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) com R$ 150 mil, o Ministério do Turismo com R$ 297,5 mil e a cervejaria Ambev com mais R$ 200 mil.

O que chamou atenção também foi que a empresa contratada para promover a festa foi a Estrutural Locação de Banheiros e Toldos. Mas a prefeita tem uma explicação. "Ela é uma das mais atuantes na produção e realização de eventos no Ceará, tendo em seu currículo shows da Central da Periferia, Pão Music, Fortal e Ceará Music".

Mesmo assim, Luizianne cobrou da Estrutural a prestação de contas dos contratos executados entre a empresa e 11 artistas que se apresentaram no Réveillon 2007. Além de Elba Ramalho e Tânia Mara cantaram Dominguinhos (R$ 339,8 mil), Waldonys (R$ 67,9 mil) e outros artistas cearenses. Luizianne diz que não teme CPI, mas não acredita que ela seja instalada.

"O que houve foi um erro na publicação do Diário Oficial, mas o contrato é todo perfeito. Na hora que foram sintetizar para o Diário Oficial, em vez de dizer 'do show', colocaram 'da artista'. Então ficou parecendo, para quem quer ler de má fé, que seria um cachê pessoal e não o relativo a toda a infra-estrutura do show."

Sobre a cantora Tânia Mara, que disse não ter recebido os R$ 150 mil publicados no Diário Oficial de dezembro, a prefeita afirmou: "Isso é pergunta que tem que ser feita para Estrutural". A Estrutural ainda não se manifestou sobre o assunto.

O Ministério Público Federal entrou no caso e já pediu ao BB, CEF, BNB e Ministério do Turismo esclarecimentos sobre o patrocínio. A Assembléia Legislativa ensaiou também abrir uma CPI, mas desistiu ao constatar que quem investiga as contas da Prefeitura é a Câmara. O presidente da Câmara, vereador Tin Gomes (PHS), que é da base aliada de Luizianne, criticou a possível intervenção da Assembléia. "Se isso acontecesse era melhorar a gente fechar a Câmara e irmos para as galerias da Assembléia aplaudir os deputados".

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